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Opinião: A Portuguesa precisa se ligar na Liga de Clubes

Ainda que seja como ouvinte, e não como convidada, a Lusa tem história, tradição e um rol de excelentes serviços prestados ao futebol brasileiro que a credenciam a entrar no debate. Mas atenção: o único caminho de retorno para a equipe do Canindé é o campo, não o tapetão

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Foto: Lucas Figueiredo/CBF

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A Liga do Futebol Brasileiro, não se engane, é uma realidade. Ainda não saiu direito do papel, mas logo vai ganhar a superfície. E quando ganhar, quem ficar de fora vai ter muita dificuldade em fazer futebol no Brasil.

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Ainda não é possível imaginar muita coisa, mas se olharmos pelo retrovisor, pelo que aconteceu em mercados importantes, como Alemanha e Inglaterra, logo vamos perceber que a conversa em termos de receita, representatividade e planejamento será bem diferente do que vimos até o momento no futebol nacional.

Diante desse cenário, é mandatório que a Portuguesa de alguma maneira encontre um caminho para ingressar nessa discussão. Por alguma “porta”, a Lusa precisa adentrar a esse debate. 

É claro que o momento não é perfeito para a Portuguesa. Vive dias de reconstrução, de reconquista de seu espaço, de busca por investidores. Tudo isso pesa nessa hora. Mas ela não pode se furtar a levantar a mão e pedir a palavra. Pelo contrário. Faz-se absolutamente necessário o gesto.

Primeiro, porque há clubes, que em tese estão na mesma faixa de rolamento dela e que estão na discussão. Depois, porque mesmo sem divisão nacional momentaneamente, ela ainda continua sendo a Portuguesa, um clube centenário, dono de um patrimônio considerável e com muita história para contar no mundo do futebol.

O desafio, portanto, é justamente esse: como ingressar nesse debate nacional pela porta da frente? Porque pelo ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a Lusa não está entre os 100 primeiros, um complicador evidente.

Mas rankings à parte, porque também se alteram ao sabor dos resultados, o prestígio, a história, o patrimônio e o peso de sua camisa devem ser elementos capazes de transpor qualquer barreira. E chegou o momento de transpor.

Agora, um ponto importante. Antes que surjam ilações, quaisquer, este colunista não defende nenhuma virada de mesa que traga a Portuguesa ou qualquer outra equipe para qualquer série do futebol nacional. A meta da Lusa tem sido, e precisa continuar sendo, a de se reconstruir no gramado, no desempenho dentro de campo, e não em caminhos esquisitos fora das quatro linhas. 

Dito isso, o que se faz inadiável para a Lusa é o diálogo. E se não for convidada a discussão, que ingresse ao menos como ouvinte, o que não é perfeito, é verdade, mas se for o que tiver para hoje… Que vá assim mesmo.

Porque um clube com jogadores cedidos às vitoriosas campanhas da Seleção nas copas de 1958, 1962 e 1970, com incontáveis craques revelados ao futebol nacional, com conquistas internacionais importantes, além de feitos relevantes no cenário regional, não pode ser considerada uma intrusa em qualquer conversa sobre futebol. Deve ser minimamente vista como uma agradável convidada.

* Maurício Capela é jornalista há 28 anos. Comentarista, já trabalhou em diversos veículos, como RedeTV!, 105 FM, Tropical FM, Veja, Valor, Gazeta Mercantil.

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