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Opinião: A incrível arte de se complicar na reta final

Com a derrota diante do São Bernardo por 3 a 2 no fim de semana, a Lusa transformou o jogo contra o São Caetano em uma decisão no Canindé, no próximo sábado, 3 da tarde

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Foto: Dorival Rosa/Portuguesa

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A Portuguesa está irreconhecível na Copa Paulista de 2022. Eu sei, eu sei, a frase é forte, desconfortável e não agrada aos ouvidos, mas é um fato. Até agora, a Lusa de Sérgio Soares não jogou essa competição. Entrou em campo, mas não atuou.

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Tudo bem, tudo bem, que o campeonato não brilha os olhos de ninguém. Tudo bem, tudo bem que deve dar alguma preguiça de vez em sempre, mas se a Portuguesa deseja conquistar a vaga à Série D em 2023, esse é o caminho mais direto e rápido que ela hoje tem à mão. 

Muito embora dez entre dez torcedores da Portuguesa saibam disso, muito embora até o banco que fica em frente ao busto do eterno presidente rubro-verde, dr. Oswaldo Teixeira Duarte também tenha conhecimento sobre, há algo se perdendo nesse caminho. No caminho entre o saber e ter consciência a respeito. 

Com toda honraria que o EC São Bernardo mereça, é impossível achar normal, corriqueiro ou rotineiro essa derrota diante do time do ABC, ainda que o jogo tenha sido fora de casa. Ou ainda que o árbitro possa ter deixado para lá um lance de penalidade. Ainda assim, não dá!

Quero crer que o acesso à Série A1 do Paulista não tenha anestesiado uns e outros. Quero crer. Mas a sensação que me dá é que a Lusa pode jogar em alto nível a qualquer momento nessa competição, mas ela posterga. Adia sempre para o próximo jogo. E isso é ruim. Tira a confiança do elenco e preocupa a torcida, que sonha com dias melhores definitivamente.

O fato é que a Portuguesa deve uma exibição de gala nesse campeonato. Uma exibição para qualquer um dizer, “tá vendo…”. E, novamente, com todo respeito, já passou da hora. Os líderes do time precisam tomar pulso. O técnico também. E, em boa medida, o mesmo vale para a gestão de futebol e do clube. Mais ou menos, como uma advertência do tipo “preste atenção, rapaziada, porque o caminho da recuperação é bem longo”. E difícil, acresceria.

O resultado, contudo, é que agora em vez de curtir um jogo suave no próximo sábado, no Canindé, a Portuguesa vai jogar a vida na Copa Paulista diante do São Caetano, um time que sempre complica o caminho de qualquer agremiação. 

O jogo de ida já mostrou como a situação esteve longe de trafegar em águas calmas. Bem longe. Foi um zero a zero murcho e sem grandes emoções. 

Mas no sábado, a situação promete ser outra. Primeiro, porque o São Caetano talvez queira se classificar em primeiro no grupo. E depois porque pode ser bem interessante empurrar a Lusa para fora do certame. 

Portanto, há muito por fazer dentro e fora do gramado. E fora, além de uma boa promoção de ingressos, conscientizar a galera que o jogo é matar ou morrer. E para tudo dar certo no ano que vem para Associação Portuguesa de Desportos, classificar não é luxo. É obrigação. 

Ah, antes de um finalmente, uma necessária ressalva. Se a torcida da Lusa quer vê-la na D em 2023, chegou a hora de se fazer presente, com ou sem promoção. Porque se der ruim, o semestre vai acabar neste sábado.

* Maurício Capela é jornalista há 28 anos. Comentarista, já trabalhou em diversos veículos, como RedeTV!, 105 FM, Tropical FM, Veja, Valor, Gazeta Mercantil.

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