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Vágner Benazzi se foi nessa semana. Conhecido como “Rei do Acesso” por ter obtido êxito na empreitada em levar agremiações de uma série menor para a outra maior nos vários campeonatos do País por 12 vezes na carreira, Benazzi encarnou definitivamente o estilo boleiro à frente dos clubes. Paizão e grande motivador de vestiários, o treinador registrou passagens memoráveis ao longo de sua trajetória esportiva em equipes como Avaí, Fortaleza, entre outros, mas foi no Figueirense e, principalmente, na Portuguesa que o técnico se notabilizou.
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No Canindé, especialmente, resgatou o orgulho do torcedor da Lusa, sem sombra alguma de dúvida. Na época em que pisou nas alamedas do clube, Benazzi já encontrou uma Portuguesa machucada, mas não combalida. Ainda havia fagulhas, resquícios de um clube grande, mas diante do tamanho do endividamento, bem como da falta de recursos, Benazzi sentiu na pele que os tempos em que estava nas categorias de base da Lusa não eram iguais aos daquele momento.
Mesmo assim deu vida ao clube, lançando garotos da base e mesclando com jogadores de bom poderio técnico, depois da épica Batalha da Ilha do Retiro, ocorrida em 2006. Um momento inesquecível, quando a Lusa de Benazzi impediu o descenso em direção à Serie C do Campeonato Brasileiro numa vitória incrível por 3 a 2 diante do Sport Recife. Inesquecível e indescritível, em que pese que o terceiro gol rubro-verde anotado por meio de um pênalti batido por Alex Alves dificilmente sai de minha memória até hoje.
De toda forma, a campanha de subida para A1 do Paulista e da Série A do Brasileiro foram chamas de esperança. Com um time repleto de bons jogadores e jovens da base – Leonardo, Bruno Rodrigo, Joãozinho e naturalmente Diogo –, a Lusa do Canindé emendou uma sequência de vitórias na A2 de 2007. E diante de um Canindé completamente tomado em uma manhã de domingo ensolarada, a Lusa goleou o Rio Preto por 4 a 0 e se sagrou campeã da competição regional.
Lembro até hoje como o Canindé pulsou. Foi o primeiro título da Lusa em seu estádio, inclusive, e ali a Portuguesa deu indícios claros de que a fase ruim havia ficado para trás.
No entanto, faltava ainda o olimpo nacional. E ele veio. Benazzi, com alguns reforços, conseguiu emplacar uma campanha vitoriosa na Série B nacional também em 2007 e colocou a Portuguesa de volta à elite, agora, no Campeonato Brasileiro, transformando 2007 num ano mágico.
É claro, é claro que treinadores como Otto Glória e Candinho têm espaço especial no coração rubro-verde, assim como Jorginho. Mas nós não podemos relegar a plano inferior a trajetória de Benazzi à frente da Lusa. Ele merece estar nesse rol de grandes técnicos da Associação Portuguesa de Desportos.
Primeiro, porque Benazzi nunca teve um Enéas à disposição, nem mesmo Dener ou Zé Roberto; sem falar em Dicá, Evair, Leandro Amaral, Bentinho, Paulinho McLaren ou Roberto Dinamite e tantos outros. Aliás, não cabe comparação alguma entre o plantel dos anos 2000 rubro-verde, qualquer elenco, com as décadas pregressas. Sublinho.
Mas Benazzi num ponto é absurdamente comparável: a da autoestima. Assim como outros treinadores relevantes que fizeram jus à condição de estar no banco rubro-verde de reservas, Benazzi nos devolveu a esperança e o “Orgulho de ser Lusa”. Nunca um slogan fez tanto sentido na história da Portuguesa, como os estampados nas camisas verde encarnadas da Champs daquele ano de 2007.
Por tudo isso, mesmo, Benazzi, onde estiver, receba o meu mais sincero “muito obrigado”. E à família, um caloroso abraço e peço desculpas pela demora em fazer essa justa homenagem. Mas saibam, Benazzi é e será eterno na vida da Associação Portuguesa de Desportos. Professor, descanse em paz!
* Maurício Capela é jornalista há 28 anos. Comentarista, já trabalhou em diversos veículos, como RedeTV!, 105 FM, Tropical FM, Veja, Valor, Gazeta Mercantil.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA
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