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O assunto é polêmico e rende algumas interpretações, apesar da decisão tomada não estar equivocada na origem. Mas o problema mora no detalhe, mais precisamente nos porquês. Por que a Portuguesa não pode jogar os clássicos como os demais, com torcida única? Por que ela não é considerada mais clássico? Por que a bilheteria seria fraca? Por que os demais clubes envolvidos nos jogos iriam se opor? Por quê?
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Talvez, a resposta cabal reflita o pedaço de cada explicação às perguntas acima, talvez, não também. Mas causa estranheza a Lusa ter um tratamento diferente dos demais, ainda que o clube esteja retornando à elite estadual depois de quase uma década vendo o campeonato pela televisão.
A mim, a narrativa apresentada me salta aos olhos. Apesar de ser verídica – ou seja, ninguém contou mentira, inventou situações ou coisa que o valha –, essa história de que a torcida da Portuguesa não faz parte da classificação feita pelas autoridades policiais do Estado de São Paulo, como de risco, é um fato. Em outras palavras, temos um ponto. E não vamos aqui brigar com os fatos.
Contudo, o problema é o entendimento em cascata em direção às demais agremiações e ao ecossistema futebol. É aí que mora o perigo. Perigo de imagem, principalmente em um momento em que se determina o valor da marca “Portuguesa”. Há que se ter cuidado no ato de se passar um sentido de “café com leite”, de pouca relevância.
A bem da verdade, há também quem defenda que um gesto desse porte irá aumentar a abrangência do time, uma vez que mostra que há pouca rejeição por parte dos demais em direção à Portuguesa. E baixa rejeição é algo relevante na hora do valuation de marca de qualquer coisa.
O que me chama a atenção, no entanto, é outro sinal. O comprometimento da entidade. Porque torcer de maneira ordeira, sem violência, é uma obrigação de todo torcedor. Caso contrário, o poder de polícia tem todas as ferramentas para entrar em campo e monitorar, prender e até iniciar o devido processo legal. É assim no mundo e é assim em São Paulo, por óbvio.
O que me faz levantar a sobrancelha é se posicionar nesse debate já de largada. Porque é absolutamente impossível assegurar e imaginar qualquer comportamento ordeiro de qualquer torcida, cujo desempenho em campo é a mola principal.
Por exemplo: qual será a conduta da torcida rubro-verde se sucessivas goleadas ocorrerem diante dos grandes? Como será a reação dos lusos acaso o clube figure na parte debaixo da tabela e efetivamente brigue apenas para não cair no Estadual? E como se comportará a torcida em eventual rebaixamento?
A ideia não é ser profeta do caos, mas levar em conta o copo “meio vazio” e ponderar que posições de largada geram comprometimento. E são difíceis de serem contornadas em momentos imediatamente futuros. E acredite, torcedor, em algum ponto ao longo desse campeonato, a Lusa precisará calibrar o discurso.
Vai precisar calibrar a narrativa, porque olhando agora pelo copo “meio cheio”, se der uma quartas-de-final entre Palmeiras e Portuguesa, como vamos lidar? Todos os entes, Polícia Militar, Federação Paulista de Futebol e clubes, como vamos tratar? Torcida única e Allianz Parque ou torcida mesclada, com carga de 10% à Lusa, e Allianz Parque? Ou o time de Mazola Junior terá a chance de propor Canindé e torcida mesclada, com carga mais bem distribuída?
Em 1995, a Portuguesa viveu algo semelhante. Canindé dividido ao meio para um Portuguesa 2 x 1 São Paulo na última rodada da primeira fase. E ela foi disputar a semifinal num quadrangular, cujo jogo decisivo se deu diante do Corinthians no Pacaembu, com 40% do estádio rubro-verde.
Nota do colunista: eu estava nesses jogos.
Por isso, reitero. Nunca vi comportamento de largada trazer benefícios. Nunca vi. Mas fica a reflexão e os sinceros votos de um excelente 2023, torcida rubro-verde!
* Maurício Capela é jornalista há 28 anos. Comentarista, já trabalhou em diversos veículos, como RedeTV!, 105 FM, Tropical FM, Veja, Valor, Gazeta Mercantil.
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