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Opinião: A matemática não entra em campo

Prestes a se classificar para a segunda fase da A2, a Lusa precisa afastar o oba-oba e demonstrar que tem elenco para voltar à elite do futebol paulista

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Foto: Ronaldo Barreto/NETLUSA

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Há quem adore colocar um número em qualquer análise futebolística. Não condeno. Eu mesmo faço. Quase sempre, diria. Mas ainda que os algarismos sejam excelentes para embasar teorias no universo da bola, é preciso ter cuidado com eles. Números são frios, não contabilizam imponderáveis, não incorporam angústias, esperanças, sonhos ou frustrações. Simplesmente, não dão a menor pelota para isso.

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Muito embora a campanha da Portuguesa na A2 seja digna de nota, a cautela manda avisar que oba-oba não garante acesso a ninguém. Então, convém a torcida celebrar, ficar orgulhosa, vestir o manto rubro-verde, mas comemorar mesmo somente no fim do certame, perto do meio do ano.

Tudo bem, tudo bem, que estar invicta a esta altura do campeonato, depois de dez jogos, não é um feito pequeno. Ter cinco pontos à frente do segundo colocado e dez em relação ao último que passa de fase, também é algo relevante. Ninguém nega.

Como ninguém nega que a simples possibilidade de alcançar matematicamente a classificação à segunda fase assim tão rapidamente, já nessa rodada, é algo para ficar na história. Mas o futebol é repleto de miragens.

Nem vou investir nosso tempo em falar das peças que as fases eliminatórias são capazes de pregar em um time favorito. Nós mesmos já estivemos do outro lado e fomos algozes de times com melhor desempenho, como, por exemplo, em 1996, onde eliminamos o Cruzeiro, dono da melhor campanha, no mata-mata.

Trocando em miúdos, o que desejo dizer é que é preciso chegar inteiro nas eliminatórias. Portanto, é hora de a estrutura entrar em campo. Fisiologia, preparação física, o staff de maneira geral.

Monitorar aquele que apresenta fadiga muscular e pode se contundir. Apontar quem precisa aprimorar fundamentos, monitorar se tem alguém emocionalmente abalado com situações extracampo. São detalhes bobos, mas que na hora do “vamos ver” fazem a diferença e classificam um time.

Não tenho a menor sombra de dúvida que Sergio Soares, o comandante da nau rubro-verde, sabe da importância desses elementos em relação. Mas ele também sabe que o imponderável é o imponderável.

Então, torcedor, se a classificação acontecer hoje, ótimo. Comemore, comemore muito, mas não deixe a equipe esmorecer nos quatro jogos restantes. E não torça o nariz, caso alguns titulares sejam poupados e o técnico comece a mesclar formação. Faz parte de quem olha o fim e não o meio das competições.

Cá entre nós, quando os departamentos adjacentes adentram o gramado, isso é um bom sinal. É bom, porque mostram que o time está se reconstruindo de dentro para fora. E no caso da Portuguesa, qualquer uso do verbo reconstruir, é uma excelente notícia.

* Maurício Capela é jornalista há 28 anos. Comentarista, já trabalhou em diversos veículos, como RedeTV!, 105 FM, Tropical FM, Veja, Valor, Gazeta Mercantil.

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