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O caminho foi árduo e a batalha foi bem difícil, mas a Portuguesa cumpriu o rito que se imaginava: permanecer na elite do Campeonato Paulista para 2024. À distância, pode até parecer pouco, mas para a Lusa foi um enorme passo em direção a dias melhores. E eles virão. Virão, porque a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) poderá até demorar, mas ela chegará ao Canindé. É inexorável. É imperativo, em que pese qualquer opinião em contrário.
+ Presidente da Lusa diz que SAF deve ser aprovada até o meio do ano
Mas a SAF não é remédio para todo o mal. Nem varinha mágica. E para ser bem absorvida demanda respeito à cultura da instituição. Trocando em miúdos, é mandatório entender que o clube foi erguido por meio das mãos de sua gente. Depois, compreender que nesses tempos de ostracismo se manteve por conta da abnegação de muitos. E isso não pode ser jogado na lata do lixo. De maneira alguma.
Em tese, parece simples fechar essa equação, mas não o é. Há inserido na alma rubro-verde o sentimento patrimonialista. Negociar qualquer fatia precisa entrar na conta, mas não no formato de ações, números ou cotas, mas sim na forma de pertencimento. Se não houver a inclusão do sentimento de participação, a SAF poderá até sair, mas será um voo de galinha. Com o tempo, não se sustentará.
Só que em meio ao projeto SAF, há a dura realidade pela frente. A premente necessidade de vencer a Copa Paulista, um campeonato que nesse ano poderá chamar a atenção de clubes grandes do Estado de São Paulo, como Corinthians e Santos. Sem vaga na Copa do Brasil, as equipes poderão mirar o certame para garantir vaga na competição nacional do ano que vem. E aí o caldo poderá entornar para cima da Lusa.
Entorna, porque o time não tem a menor condição de brigar com Corinthians e Santos por nada. Não tem. Sua força máxima hoje não faz cócega à metade da carga dessas agremiações. Só que sem conquistar a Copa Paulista, o clube do Canindé não belisca a vaga na sonhada Série D em 2024, pelo menos não da maneira como a situação está desenhada hoje. E sem Série D no ano que vem, o planejamento para o Paulistão ficará complicado de novo. Ou seja…
Portanto, com o time esforçado atual, levando em conta que não existam grandes contratações no percurso, o caminho rubro-verde para o segundo semestre será tão espinhoso quanto o primeiro de 2023. Nessa esteira, definir o técnico torna-se vital.
Mas tenhamos calma, uma vez que seria bom tomar outra decisão antes: a Lusa terá executivo de futebol ainda em 2023? Porque imagine a cena. Gilson Kleina fica e chega um novo mandatário da bola que nada dialoga com o treinador, nem preciso escrever muito para demonstrar que o impasse está feito. Portanto, convém colocar primeiro os pingos nos “is”.
Portanto, torcida lusa, pressa não combina com Portuguesa agora. É preciso investir tempo pensando em alternativas para se evitar hecatombes futuras. Descompassos somente vão tirar o foco, então vale olhar com calma o que há à mesa, antes de bater o martelo com a, b ou c. Porque não custa lembrar: a Portuguesa terá muitas dificuldades para aguentar novo solavanco. Nessa esteira, ela precisa da temporada perfeita em 23, sendo que uma parte já aconteceu em Mirassol. A outra está em aberto.
* Maurício Capela é jornalista há 28 anos. Comentarista, já trabalhou em diversos veículos, como RedeTV!, 105 FM, Tropical FM, Veja, Valor, Gazeta Mercantil.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA
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