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Bobby Charlton, lendário craque inglês da Copa de 1966, costumava se referir ao setor de meio-campo como coração de uma equipe. Teria dito, certa vez, que se alguém quisesse ter um grande time de futebol que lhe dessem meias.
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Vez por outra o ensinamento atribuído a Charlton campeia ali e acolá no imaginário do torcedor brasileiro, principalmente do torcedor brasileiro carente de jogadores nessa posição. Hoje, uma equipe que tem bons meias pode se considerar uma felizarda.
Nessa esteira, não seria exagero afirmar que a Portuguesa é uma dessas felizardas do futebol brasileiro. O motivo de tamanha afirmação enverga a camisa 10 e responde pela alcunha de Daniel Costa.
Daniel Costa é o típico jogador de meio-campo dos anos 80 do futebol verde-amarelo. Tem cadência, visão de jogo e, entre seus fundamentos, é dono de um passe longo para lá de interessante. Em uma competição, onde a força física e preparo costumeiramente estão um degrau acima, ter um jogador capaz de limpar o lance e ver o companheiro bem colocado já deixa essa equipe em situação privilegiada.
Muito embora Daniel Costa seja um diferencial, seria um erro desse colunista apontar o dedo e dizer que o 10 da Lusa é o único responsável pela campanha da líder Portuguesa até aqui. Pelo contrário. Já está mais do que evidente que futebol no século XXI é muito, mas muito, coletivo. E para Costa jogar, e bem, ele precisa que todos estejam compondo de maneira fundamental essa sinfonia, especialmente um certo camisa 5, mas isso é papo para outra coluna.
Só que é bom lembrar que Daniel Costa conhece os atalhos dessa Série A2. Além de ter surgido no XV de Piracicaba, atuou no Comercial de Ribeirão Preto nessa divisão. Sem contar as vezes que defendeu times na Série A1 do Paulista, como Botafogo e São Bento.
Trocando em miúdos, ele sabe muito bem o que lhe reserva os jogos no interior do Estado. E não será segredo para o atual 10 da Lusa partidas viris, marcações fortes e a chuteira cantando.
É claro que há muito campeonato pela frente. E provavelmente para a Portuguesa, há um mata-mata no meio do caminho. Só que é justamente aí que o talento de um meia faz muita diferença.
Faz porque é aquele sujeito que coloca a bola embaixo do braço e diz “calma”. E essa “calma” decide jogos.
Hoje, a Lusa tem um profissional desse tamanho. E sem sombra de dúvida, uma vez classificada, Daniel Costa certamente vai ter chance de se reinventar na própria carreira. Porque a Portuguesa pode estar em uma situação desconfortável no mundo da bola, mas continua sendo a Associação Portuguesa de Desportos de memoráveis meias como Wilson Carrasco, Dicá, Edu Marangon, Mendonça e assim por diante, como poderá ser também de Daniel Costa, o atual 10 rubro-verde.
*Maurício Capela é jornalista há 28 anos. Comentarista, já trabalhou em diversos veículos, como RedeTV!, 105 FM, Tropical FM, Veja, Valor, Gazeta Mercantil.
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