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Opinião: Saudades de um clássico – mas contra quem?

Será que depois de tanto tempo longe os rivais ainda se lembram da gente?

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Foto: Ronaldo Barreto/NETLUSA

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Essa semana li aqui no NETLUSA que os nossos clássicos no Paulistão do ano que vem devem ter duas torcidas. Acho que seria uma boa, já que não tem sentido deixar gente que quer entrar no estádio do lado de fora, ou ‘infiltrado’ na torcida adversária. Ao mesmo tempo, me faz pensar: será que os outros grandes de São Paulo nos enxergam da mesma forma que nós os vemos?

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Lembro naquela época entre 2009 e 2013, que disputávamos vários por ano, a maioria dos meus amigos não levava a sério quando eu chamava de “clássico”. Já ali eu sentia uma dificuldade do pessoal mais jovem em entender a grandeza da Lusa. Por parte do pessoal de gerações mais antigas, o discurso costumava ser outro. Mesmo assim, muitos ainda falavam de “clássico” mais no sentido do passado do que no do presente.

Pra começar, acho que a própria definição de “clássico” gera debate. Há muitos anos eu vi uma dessas mesas redondas de futebol na TV em que se falava sobre isso. O PVC (Paulo Vinicius Coelho, à época na ESPN) disse algo (não especificamente sobre a Lusa, mas de forma geral) que eu nunca esqueci: “A partir do momento em que a gente discute se é clássico ou não, é porque não é”. Não concordo com isso, mas acho uma reflexão válida.

Pra mim, clássico no futebol é algo que abrange principalmente os conceitos de tradição e rivalidade (além de localização, em muitos casos).

Existem jogos que têm muita tradição, mas não contam mais com tanta rivalidade – como é o caso do América-RJ contra os grandes do Rio, ou do América-MG contra Atlético e Cruzeiro. Outros têm mais rivalidade do que tradição – como foi o Corinthians x Internacional ali por volta de 2006, e acho que seria o caso de um Lusa x Fluminense depois de 2013.

Qual a soma necessária entre tradição e rivalidade que resulta num clássico, porém, eu não sei. Pra mim, o lado da tradição pesa mais, então me parece natural que a Lusa jogue os clássicos citados.

Acho que ninguém aqui diria que um jogo da Portuguesa contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians ou Santos não tem tradição – isso sobra! Agora, quanto à rivalidade, cabe discussão. Eu sinto que na maioria das vezes há uma relação de simpatia ou, no máximo, desinteresse por parte deles – enquanto na torcida da Lusa a maioria acaba torcendo contra os outros grandes.

Claro que me refiro ao contexto atual. Ao longo das inúmeras pesquisas que já fiz sobre o passado da Lusa, acho que não cabe muito discutir. Na década de 70, por exemplo, as reuniões para decisão dos mandos dos clássicos costumava contar com a presença da Lusa.

Nos anos 1990, os principais meios de comunicação também destacavam os confrontos como “clássicos”. Mas, conforme a nossa decadência, sinto que isso foi se perdendo.

Alguns dos jogos mais memoráveis que eu já fui da Lusa foram clássicos. A atmosfera e a expectativa são especiais. Mas convenhamos que os últimos que jogamos nem valeram muito – apesar de serem considerados para estatísticas oficiais. Corinthians, Santos e São Paulo pela Copa Paulista, sempre usando times de garotos contra o nosso principal. Do lado deles, a arquibancada vazia, já que a competição era vista mais como treino, com pouca divulgação e sem ambição.

Talvez o que esteja mais fresco na memória do torcedor rubro-verde seja um jogo da base: Palmeiras x Portuguesa no Pacaembu, pela Copa São Paulo de 2018. Esse, sim, com jeito de clássico.

Antes disso, tivemos os de 2015 e 2014, também sem grandes memórias. Já 2013 foi um ano bom pra gente. Vencemos o São Paulo, num jogo emocionante no Canindé, por 2 a 1, o Corinthians por 4 a 0 em Campo Grande e o Santos por 3 a 0 no Canindé. No ano anterior, 3 a 0 também no Palmeiras do Felipão.

Quem sabe 10 anos depois a gente não repita alguns desses placares na Série A1?

* André Carlos Zorzi é jornalista, autor de “Para Nós És Sempre O Time Campeão – A Portuguesa de 1996” e coautor de “Lusa: 100 Anos de Amor e Luta”.

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