Início Colunas Coluna do Maurício Capela Opinião: 09 de abril de 2022, o Dia do Basta

Opinião: 09 de abril de 2022, o Dia do Basta

Um abarrotado Canindé canta em alto e bom som, que a Portuguesa não acabou ontem, não vai acabar hoje e tampouco acabará amanhã; muito pelo contrário, no sábado, a Lusa deu um basta no ostracismo

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Foto: Will Lusa

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Eu gostaria de dizer “obrigado”. Mas me parece pouco diante de tudo que esse sábado representou na história da Associação Portuguesa de Desportos. É pouco, porque não se trata aqui de um acesso ou de mais um acesso. Se trata de esperança. De fé. De crença que o futuro nos pertence. De que as coisas finalmente vão entrar nos eixos, de que os fantasmas já não mais arrastarão correntes pelas alamedas do Canindé. Sábado foi o nosso “Natal”. Sábado, 09 de abril de 2022, será lembrado para todo sempre como o dia do Basta!

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O empate que nos deu de volta nosso legítimo lugar na primeira divisão do Campeonato Paulista não se resumiu apenas a 1 a 1 em 90 e tantos minutos. A igualdade no marcador tem um simbolismo maior, porque ela refletiu que nosso lugar na prateleira da bola é entre os grandes.

Nossa tradição, nossa história, nossas cores, nossa gente… Ah… Isso tudo junto e misturado é um caldo para lá de verde, é rubro-verde. E ver nosso estádio pulsar, abarrotado, repleto de crianças, de jovens, nos indica que o futuro é hoje. 

A Portuguesa não subiu só no campo. A Portuguesa subiu no imaginário futebolístico de muita gente por aí. Porque em tempos de futebol a preços proibitivos, de jogadores com nome e sobrenome como manda a cartilha do marketing esportivo, em tempos de ares de modernização com as três letrinhas da moda “SAF”, o Canindé respondeu uníssono: “… a Portuguesa não vai acabar!”. E não há como acabar. 

Para muitos que enxergam o futebol como um jogo de videogame, a Portuguesa já tinha acabado. Afinal, quem ainda poderia torcer pela Lusa do Canindé? Quem?!?

Muitos tiveram essa e outras respostas no último sábado. Porque o futebol é mais do que títulos heroicos ou derrotas acachapantes. O futebol é um misto de pertencer e pertencimento. 

A Portuguesa jamais seria abandonada por sua fanática torcida por um simples motivo. Porque ela nasceu das mãos de sua fanática torcida, desde a compra do local onde abriga seu estádio até o início da recuperação de seu patrimônio há alguns anos. A Lusa jamais seria esquecida pelos seus adeptos, porque ninguém vira às costas a quem ama.

Um Canindé abarrotado só não aconteceu antes, porque não havia elementos para que ele acontecesse. O futebol é feito de gente. E enquanto existir um coração rubro-verde, uma voz que mistura o sotaque paulistano com o do “além-mar”, podem até tentar, mas a Portuguesa jamais vai acabar. Não acabou ontem, nem antes de ontem e não acabará no futuro. 

Desta vez, a Portuguesa deu um passo firme, sólido, consistente em busca da recuperação de seu espaço: a primeira prateleira do futebol brasileiro. E pela primeira vez em muitos anos, talvez mais de uma década, se fizer corretamente a lição de casa, manter o que funciona com os pés fincados no chão, a Lusa do Canindé vai correr o doce risco de começar 2023 na Série A1 do Paulista e na Série D do Brasileiro. 

Meio caminho já foi andado. Falta a outra metade. Só que agora é diferente, porque além de sua fabulosa torcida, ela terá ao seu lado o respeito, a admiração de quem estará do outro lado da trincheira. 

Vai, Portuguesa… Vai, porque a nossa fé te empurrou ontem, empurra hoje e vai continuar te empurrando para todo sempre!

* Maurício Capela é jornalista há 28 anos. Comentarista, já trabalhou em diversos veículos, como RedeTV!, 105 FM, Tropical FM, Veja, Valor, Gazeta Mercantil.

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