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Xará no Norte: Portuguesa conquista acesso à elite do Amapaense

Equipe fundada por torcedor fã da Lusa e de Dener, Portuguesa-AP está próxima de conquistar o título da segunda divisão do Amapá

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Foto: Divulgação/Federação Amapaense de Futebol

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Com mais de 100 anos de história, a Portuguesa inspirou a criação de outros clubes ao redor do Brasil e Mundo, que adotaram suas cores e escudo para levar um pouco da Lusa do Canindé para diferentes cantos. Após a Portuguesa do Mato Grosso do Sul e o CPR Pocariça, em Portugal, uma outra xará da equipe verde encarnada vem se destacando no futebol, desta vez no Amapá.

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A Associação Portuguesa de Desporto do Amapá, localizada no bairro do Muca, na capital Macapá, conquistou, nos últimos dias, a vaga na elite do futebol estadual. A vaga ocorreu após vencer o Cruzeiro-AP, nas semifinais, em seu primeiro ano como time profissional.

A história da xará amapaense, que nasceu em 1994, começou com Moisés Maciel, o Romário. Ex-policial militar e supervisor de futebol em times do estado, como o Santos-AP, ele se tornou fã da Lusa do Canindé quando Dener dava seus primeiros dribles no futebol profissional, como contou ao NETLUSA Edivan Soares Maciel, um dos filhos de Romário.

“Ele tinha um carinho grande e optou pela Portuguesa. Gostou muito das cores e passou a acompanhar mais de perto. Inclusive, ele comprou um uniforme original na época que a Dellerba patrocinava. Neste tempo, nosso time era de pelada, nem era amador. Depois o meu pai lutou e conseguiu filiar o clube como não profissional. Disputamos o não profissional por seis anos e, em todos os anos, chegamos nas semifinais, em duas fomos eliminados, em quatro fomos para as finais, onde conquistamos duas, em 2022 e 2023”, afirmou.

Contudo, embora fosse uma equipe não profissional, Sr Romário era bastante rígido com o dia a dia do time. Segundo Edivan, até mesmo nos dias dos jogos, o presidente e fundador do clube acordava cedo para buscar materiais para o time e mandar trazer alguns jogadores para as partidas.

“O meu pai acordava muito cedo nos dias de jogos. Ele foi Policial Militar e Bombeiro, então tudo no nosso time era em relação ao militarismo. Ele não gostava de atraso. Nunca atrasamos em nenhum dos nossos jogos. Chegávamos com duas horas de antecedência, pois o nosso pai tinha medo do time ser punido pela Federação por conta de atraso. Foi assim na Portuguesa, era assim no Santos-AP quando ele era diretor. Nosso time sempre foi muito exemplar, até mesmo na várzea quando jogávamos no amador. Tínhamos dois, três, quatro uniformes, pois nosso pai sempre muita preocupação do uniforme rasgar e não ter outro. Ele era muito precavido. Dia de jogo ele acordava às 6h agoniado e não deixava ninguém dormir. Ia comprar gelo, atadura, material de massagem, mandar buscar jogadores que jogavam conosco para o interior. Era muita correria. Ai, no final do dia, quando ganhávamos, meu pai saia para descansar”, destacou.

Elenco campeão em 2022 do torneio não profissional promovida pela FAF Foto: Félix Alencar/@fute_pixel Depositphotos

Planejamento e falecimento do fundador

Após dois anos como campeão do não profissional, Romário realizou o sonho de filiar a equipe na Federação Amapaense de Futebol como um time profissional e disputar a segunda divisão estadual. Contudo, Romário faleceu há dois meses e, a partir disso, a administração do time e o sonho de alavancar o time no estado ficou com a esposa de Romário e seus filhos.

“Um dos maiores sonhos do meu pai era profissionalizar a equipe e depois disputar uma competição estadual e quem sabe nacional. Conseguimos realizar esse sonho. Não apenas dele, mas da nossa família, do bairro do Muca e do nosso estado. Temos um carinho muito grande dos torcedores. Muita gente aderindo, comprando a camisa. Não está sendo fácil sem o nosso pai. A gente chora pra caramba, porque meu pai era muito querido. Sempre ajudou muita gente, principalmente por conta do esporte. Ele sempre se prontificava a ajudar e, por isso, era muito querido. Com os filhos, a esposa, ele era um cara nota 1 mil”, comentou.  

A busca por jogadores, inclusive, se deu em muito por conta do carinho dos profissionais envolvidos no futebol amapaense com o Sr Romário. A equipe contou também com uma parceria com o Santos-AP, xará da equipe da baixada santista. O presidente do clube alvinegro, Luciano Marba cedeu alguns jogadores para disputar a segunda divisão.

“O meu pai sempre manteve a nossa equipe, principalmente a não profissional. Ele sempre ajudou os atletas durante o ano todo. Ele era muito querido na cidade. Ajudava tanto os jogadores profissionais quanto os amadores. Como fizemos parte do Santos do Amapá conhecemos muitos jogadores. Construímos uma amizade muito bonita e, na hora de fazer essa contratação de atletas, a amizade que meu pai tinha com todos esses atletas facilitou muito. Facilitou dos jogadores virem em memória do meu pai para jogar a competição. Conseguimos montar um time bom e barato. Gastamos pouco e tivemos muito êxito e todo mundo aderiu ao nosso projeto”, frisou.

Projetos para o futuro

Foto: Divulgação/Portuguesa Amapá

A Portuguesa do Amapá tem mandado os seus treinamentos no campo do Muca, além do Centro de Treinamento do Santos-AP. Além da equipe principal, eles também contam com o time Sub-15, que disputa o Amapazinho. Contudo, eles contam com planos maiores para o futuro, principalmente após o acesso.

“Alguns empresários estão procurando a gente. Inclusive alguns investidores que são de São Paulo e moram Portugal que querem fazer essa parceria também envolvendo as categorias de base. Está no nosso projeto trabalhar a base. Tenho alguns contatos com amigos que poderão ajudar a trazer jogadores, de São Paulo, em Curitiba onde resido hoje e outros lugares. (…)Pretendemos (construir um estádio no futuro), com tudo que está acontecendo. Somos jovens e com a cabeça fresca para colocar a Portuguesa em um lugar mais alto. Queremos ter um CT próprio com alojamento e até três campos. A escolinha da Portuguesa vai funcionar no campo do Muca, que é mais próximo, e as categorias Sub-17 e Sub-20 vão treinar no espaço que pretendemos comprar para montar o CT”, destacou.

Contudo, o foco da equipe agora está nas finais da segunda divisão, diante do Cristal. O primeiro jogo, que ocorreu na última terça-feira (25), terminou com uma goleada, por 4 a 0 . Agora, os dirigentes não escondem o desejo de carimbar o primeiro título da Lusa como equipe profissional em homenagem ao Sr Romário.

“Fico triste por ele não ter visto o acesso. Espero que consigamos ser campeões para dar este título e fazer essa história para ele”, finalizou.

A Portuguesa do Amapá criou, recentemente, uma página no Instagram, no qual compartilha as informações do dia a dia do clube e os resultados dos jogos. O segundo jogo da decisão diante do Cristal acontece neste sábado (29), às 15h30, no Glicério de Souza Marques.

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