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Bastaram 90 minutos para o torcedor perceber que o retorno ao Paulistão será muito mais difícil do que já se imaginava. O time da Portuguesa deixou a sensação de um elenco fraco, presenteando o torcedor que compareceu em bom número, com um cartão de visita amargo, muito semelhante aos anos de sofrimento na A2.
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O primeiro jogo escancara que o planejamento para a A1 desde o acesso foi um fiasco: fracasso na copa paulista, sendo eliminado para uma equipe da Série A3, reforços ruins (colocando em cheque a capacidade do departamento de futebol) e a manutenção de grande parte do elenco campeão, que a princípio era um acerto. Demonstram que um ajuste no processo de montagem de elenco era necessário, mas que não foi feito.
A diretoria recém-eleita para mais um triênio dobrou a aposta em Toninho Cecílio no departamento de futebol. O executivo remunerado, apontado como principal responsável pela montagem do elenco campeão da A2, logo após o título, prometeu que estaria atento à Série B e Série C para buscar atletas de destaque. Na prática, vendo o jogo de sábado e fazendo um levantamento dos dados de 2022 dos atletas contratados para o Paulistão, me parece que ele não assistiu qualquer jogo.
O erro já começou em apostar em um técnico de pouco sucesso na carreira, como Mazola Júnior, que teve um 2022 de mais baixos que altos. Apesar do título do interior com o Ituano, foi demitido do clube na porta do rebaixamento da Série B, em 14º lugar. Após sua saída, o clube do interior começou uma arrancada que quase culminou no acesso. Ao final do ano, ainda passou pelo Novorizontino, evitando a queda do clube com uma combinação de resultados.
Com o aval de Mazola e Toninho, desembarcaram no Canindé 14 novos reforços, uma mescla de jovens desconhecidos com medalhões em fim de carreira. Quase todos vindo de um 2022 difícil, ficando maior parte do tempo no banco de suas equipes. As únicas exceções são Fabiano (lateral esquerdo), Gustavo Bochecha (volante), Pará (lateral direito) e Victor Ramos (zagueiro). Estes dois últimos com algumas observações adicionais: o lateral foi substituído em 18 dos 23 jogos que começou de titular. Já o zagueiro perdeu 1/3 da temporada por contusão.
Analisando reforço a reforço, reparamos que uma parte considerável já trabalhou com Mazola em outros clubes. O curioso é que esses atletas, mesmo sob o comando do treinador, pouco jogaram. Casos de Lucas Nathan (meia), que foi titular em apenas três dos 51 jogos feitos pelo Ituano em 2022 e Ramon Rocha (lateral direito), que não atuou sequer um minuto em 2022, único atleta a não ter qualquer registro no aplicativo Sofascore ou no site transfermarkt.
Outros dois casos que chamam bastante atenção, analisando os números do ano passado, são Lucas Venuto (meia-atacante), ex-Guarani, que sequer conseguiu ser titular nas 53 partidas do Guarani, e Pedro Bortoluzo (centroavante), formado no São Paulo, que teve uma passagem no ‘vistoso’ futebol de Singapura, após fracassar no Paraná, Guarani, Criciúma e Votuporanguense.
Diante desse cenário catastrófico que se avizinha, é nítida a necessidade de reforços, mas a Portuguesa está de mãos atadas. Resta apenas uma vaga em aberto de 26 possíveis para inscrição. O torcedor terá de rezar muito para que essa vaga seja preenchida por algum Eneas, Ivair ou Dener. Caso contrário, as chances de uma campanha histórica negativa são enormes.
Além dos erros sucessivos no futebol, confiando um planejamento em um executivo ultrapassado e um técnico sem grande destaque, o torcedor é obrigado a conviver com aumento do valor do sócio-torcedor, disparada do preço de ingressos e um presidente que chantageia a torcida para justificar uma possível venda de mando no clássico contra o Corinthians.
Definitivamente, o sucesso no Canindé parece ser efêmero. Muito pela incapacidade de se fazer o básico e pelo ego do sucesso que ilude não só o torcedor, mas também aqueles que têm nas mãos o poder de decidir o futuro de uma história centenária.
* Tiago Cabral, 33 anos, privilegiado por ter visto a última era de ouro da Portuguesa. Súdito de Capitão, cover fracassado de Clemer e o maior anticandinho do Pari. Corneteiro profissional com análises totalmente ácidas quando se trata da Lusa.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA
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