Foto: Dorival Rosa/Portuguesa

Eram muitos os problemas da Portuguesa para o jogo contra o Red Bull Brasil, pela sexta rodada da Série A2 do Paulistão, esse purgatório onde a Lusa expia seus pecados já pelo sétimo ano seguido. Luizão Silva (sem retorno previsto), Railan, Naldo, Luan, Ligeiro, Cesinha. O rescaldo da vitória contra o São Caetano, quase que na marra, parecia que iria cobrar a fatura.

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O jogo em Bragança Paulista, mesmo contra um time da parte de baixo da tabela, prometia ser mais complicado que o anterior, que já havia custado um bocado para manter a Lusa na cimeira da competição. E começou cumprindo o que prometeu.

Com um time leve, jogando em casa e ajudado pelo sol para cada um que havia na região, a partida começou com o time de Vinícius Munhoz aproveitando a velocidade e os espaços entre o remendado rubro-verde que Sérgio Soares conseguiu colocar em campo. Aí entra um dos pontos mais importantes num campeonato como este: a casca de um time pronto.

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Apesar dos desfalques, a Lusa manteve a espinha dorsal que vem dando a sustentação e a competitividade que faltou ao longo do último ano. Thomazella, em mais uma atuação segura, para não dizer brilhante; Luizão Nascimento comandando o eixo defensivo, cuja proteção tem sido muito bem feita pela dupla de trincos Tauã e, principalmente, Marzagão, elemento surpresa e de desafogo; Daniel Costa, o pé pensante capaz de organizar e ditar ritmo de um time que tem mostrado segurança para acelerar, arrefecer, subir linhas e cerrar mais um bocadinho atrás conforme a cara do freguês; na frente, Caio Mancha e seu entendimento de jogo que poucos jogadores têm na competição.

Tão importante quanto ter no elenco gente moldada para este tipo de campeonato, a Lusa tem o apoio que deve ser o diferencial para toda a campanha, e que fez a diferença nas duas primeiras vezes em que desceu ao inferno e voltou: o torcedor, que fez do Nabi Abib Chedid uma extensão do Canindé. Quando joga junto, o torcedor é o agente de emulsão, é o elemento capaz de dar liga ao time.

Mesmo sofrendo no início, a Portuguesa soube moldar-se ao adversário. Mesmo com problemas, Sérgio Soares mandou a campo um time tão bem montado que, mesmo sem algumas peças, manteve o equilíbrio tático intacto. Claro que marcar o gol na primeira estocada ajudou, mas o fato é que Sérgio Soares sabia como o Toro Loko viria e tratou de gerar incômodo ao jovem time de Bragança com o decorrer do jogo. Ao fazer a meia pressão na intermediária, deu espaço para que as jogadas começassem desde os centrais, mas não permitiu que o jogo se desenvolvesse pelos corredores, restando a ligação direta, que pouco ou nada funcionou. De quebra, criou o ambiente ideal para forçar o erro e roubar a bola, pegando o adversário saindo, consequentemente desorganizado, e chegar no menor tempo e número de passes possível à frente da última barreira entre a bola e o gol.

Sem contar os pormenores técnicos de cada um dos gols. A forma como Caio Mancha recuou para receber a bola e atrair a marcação, abrindo o clarão onde Daniel Costa recebeu para fuzilar o goleiro; a arrancada de Marzagão, que avançou e só parou porque ali havia uma rede para reter a bola; e o passe milimétrico de Gustavo França, que encontrou Danilo Pereira entre os zagueiros, mostram que o repertório é vasto.

O placar foi construído assim muito em função da falta de variações táticas que explicam o Red Bull Brasil estar onde está. Isso, porém, não significa que foi o Red Bull quem perdeu e não a Lusa que venceu o jogo, pois foram as ações rubro-verdes que, desde o início, desnudaram a incapacidade de os donos da casa escaparem da armadilha brilhantemente armada pela Comissão Técnica. Saber usar as características do oponente contra si mesmo não é para qualquer time e, definitivamente, nas seis primeiras rodadas, a Portuguesa mostrou que não é um time qualquer.

* Marcos Teixeira, 43, é jornalista, lusitano e colunista do site Ludopédio.org

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