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Ontem ouvi alguns trechos da entrevista do presidente Castanheira ao Programa 105 FM Futebol Club. Quando nosso amigo Gomão Ribeiro perguntou o valor dos ingressos, me assustei com a resposta: “A gente está estudando R$ 80 a inteira e R$ 40 a meia“. Caro!
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Fiquei mais preocupado ainda com o que foi dito sobre nosso clássico com mando. Num primeiro momento, o Castanheira até comentou que “com o Corinthians é no Canindé, a gente vai receber a torcida do Corinthians lá”, mas depois colocou o jogo em dúvida: “Se a torcida da Portuguesa mostrar para mim que a gente vai ter o Canindé com o público médio de 5 a 6 mil pessoas, é bem provável de a gente fazer o jogo contra o Corinthians no Canindé. […] Esse jogo já estão atrás de mim. Eu vou olhar o lado financeiro”.
“A gente quer ver Portuguesa e Corinthians no Canindé. Mas se realmente a gente não tiver com a média favorável nos primeiros jogos, essas solicitações e essa demanda que eu já estou tendo eu vou pensar e a gente pode levar o jogo contra o Corinthians para outra cidade“.
Fico frustrado que depois de tantos anos sem presenciar um clássico ‘pra valer’ em jogos oficiais, a diretoria esteja cogitando tirar esse momento do torcedor. E convenhamos: se até na época da Barcelusa, que era um show a cada jogo, nós demoramos pra engrenar um público grande, quais as chances de termos mais de 5 mil pessoas até lá, como o presidente sugere?
Claro que entendo que há custos operacionais, uma série de salários a serem pagos e certamente o presidente entenda mais de finanças e administração do que eu. Mas digo aqui como torcedor: mantenha o clássico no Canindé!
Por fim, achei também que soou contraditório esse papo de venda de mando ter sido levantado após um pedido para que a torcida assine o sócio-torcedor. Qual a garantia que se tem ao assinar o sócio-torcedor de que os jogos serão, de fato, no Canindé? E se passarmos de fase, os jogos decisivos têm alguma chance de venda também? É complexo.
Fui até atrás para fazer uma conta simples. Os principais planos do ST são o Amizade (R$ 22,50/mês), Orgulho (R$ 45/mês) e Tradição (R$ 75/mês). Vou levar em conta o Orgulho, que acredito que seja o que compensa para a maioria, por dar acesso à arquibancada em todos os jogos.
Vejamos a tabela que temos pela frente: Botafogo (Sábado, 15h30), Red Bull (Sábado, 15h30), Inter (Domingo, 20h30), Corinthians (Domingo, 16h), Ferroviária (Quarta, 20h30), São Bento (Domingo, 20h40).
Agora façamos a suposição hipotética de um torcedor que só pode ir a jogos aos fins de semana. Já risca a Ferroviária. Se o jogo contra o Corinthians for fora, risca mais um. Ficariam três meses de mensalidade (Um total de R$ 135) para ir a quatro jogos (média de R$ 33,75 por jogo).
De fato, ‘compensa’. Há ainda que se considerar a questão de a mensalidade continuar sendo paga nos meses em que não temos jogos, mas também tem a vantagem de ganhar descontos significativos em produtos oficiais. Enfim, varia muito de caso a caso. Mas pensando por esse lado, os torcedores mais fanáticos não serão muito prejudicados pelo valor de R$ 80.
Mas e para quem não é um torcedor tão presente? Para quem é amigo de um lusitano e cogita ir a um jogo só, ou um torcedor que receba a visita de um parente e queira levá-lo ao estádio. Sem falar em casos de pessoas que vão em jogos esporádicos, com família grande, e não compensa ser sócio-torcedor.
Quando a Portuguesa cobrava R$ 100 o ingresso numa A-2 recente, lembro que tinha muita gente que era pega de surpresa. Iam até a bilheteria e desistiam de ir ao jogo por causa do alto valor. Tinha até alguns torcedores com ‘carnês’ sobrando que davam de graça para o pessoal não ficar de fora, mas bastante gente simplesmente voltava pra casa.
Acho que um valor tão alto acaba afastando parte da torcida em um momento de retorno em que a presença do torcedor seria vital. Não sei quanto os outros clubes pretendem cobrar, mas achei caro para os nossos padrões. De resto, é torcer pelo tetra.
* André Carlos Zorzi é jornalista, autor de “Para Nós És Sempre O Time Campeão – A Portuguesa de 1996” e coautor de “Lusa: 100 Anos de Amor e Luta”.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA
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