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Habemus um técnico. Demorou, mas temos um novo comandante para essa nau rubro-verde nesse ano, cujo único objetivo nesse segundo semestre de 2023 é a conquista da Copa Paulista. A Portuguesa precisa da divisão nacional de volta ao seu calendário. Fim.
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Agora, a julgar pela entrevista coletiva do novo treinador, Leandro Zago, na semana passada, as coisas estão alinhadas. Ou seja, Zago sabe que o trabalho precisa mirar esse troféu, independentemente de qualquer planejamento para 2024. E nessa esteira, os reforços estão chegando ao Canindé.
Contudo, desnecessário dizer a Zago ou a qualquer um que reerguer a Lusa é tarefa complexa. São muitas variáveis nesse caldeirão. É torcida, conselho, atletas, clube em si. Mas tenho cá a sensação que se engrenar, vai. Até por inércia, vai. Porque camisas, como essa, vão se construindo sozinhas também, não tem ali um dedo apontando “faça isso, aquilo…”. E isso poderá até ser bom, caso a coisa engrene.
No entanto, é preciso ajustar a expectativa. Zago é jovem. Está se lançando no mercado e naturalmente precisa provar que segura a marimba. E falo isso com respeito e conhecimento de quem comentou inúmeros jogos de categorias de base no passado. Uma coisa é a molecada, outra é o profissional. São ambientes absolutamente distintos. E penso que o novo treinador da Lusa sabe enormemente sobre isso.
Porque quem está na base, quer subir, galgar espaço, aparecer. Por isso, individualismos muitas vezes são presenciados nesses campeonatos. No Profissional, o sujeito quer outra coisa: reconhecimento e valorização. É um outro jeito de pensar.
Mas serei honesto. Dizer que conheço o trabalho de Zago na vírgula é mentir. Eu não conheço. Não conheço metodologia, filosofia de jogo, mas pelo que andei pesquisando, o novo técnico da Lusa é uma pessoa estudiosa. E em tempos de nível alto de competitividade, com avalanche de indicadores, é claro que esse olhar facilita muita a vida.
Sei que a torcida está com a pulga atrás da orelha. Normal que esteja. Mas o mundo do futebol mudou drasticamente. Drasticamente. O tempo do boleiro, do vestiário em polvorosa, da filosofia do “vamos lá” ficou para trás. Hoje, o nome do jogo é metodologia. Estudo do adversário, desenho tático, funcionalidade das peças, rendimento e resiliência. Esse é o mantra. É preciso saber e dar importância na leitura de um scout, interpretar os dados, traduzi-los. Motivação é legal, mas é só. Ela não ganha jogo mais.
Zago, pelo que apurei, é dessa nova safra. Basta dois cliques na internet para sacar que ele está nesse rol. E isso, devo dizer, me agrada profundamente. A Portuguesa já perdeu demais para si própria. E Zago, se obtiver sucesso, pode transformar alguns pensamentos arraigados no clube. Só isso já seria uma extraordinária contribuição.
Mas muito embora exista pressão, necessidade e desejo de vitória, é preciso deixarmos o novo treinador trabalhar em campo. Colocar sua filosofia em prática. Reveses vão aparecer? Certamente. A questão é: se nesses reveses ficar clara uma evolução, estaremos no caminho certo. Se não, o trabalho será naturalmente interrompido, porque os dados vão claramente mostrar que esse percurso não é o ideal.
Em resumo, Leandro Zago, tens meu voto de confiança. Desconfio que mesmo sob a dúvida natural que um nome ainda desconhecido traz, acho, e vou escrever acho mesmo aqui, a Portuguesa acertou. Zago pode ser um sopro de transformação nesse viciado ciclo de nomes repetidos de treinadores. Boa sorte!
* Maurício Capela é jornalista há 28 anos. Comentarista, já trabalhou em diversos veículos, como RedeTV!, 105 FM, Tropical FM, Veja, Valor, Gazeta Mercantil.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA
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