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Subimos! Foram sete anos longe da primeira divisão do Paulistão, isso sem falar nos nove longe da elite do Brasileiro. Eu sou defensor da tese de que, desde dezembro de 2013, o torcedor da Portuguesa é o que mais sofreu no Brasil, levando em conta os resultados esportivos.
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Foi um rebaixamento atrás do outro, tantos que às vezes a gente até se perde. Quantas vezes achamos que o fundo do poço tinha chegado, mas ainda podia piorar? Até tivemos o título da Copa Paulista (torneio que muitos mal sabiam da existência até 2017!), foi uma entrada ao Brasileirão, mas pela quarta divisão.
O acesso da A2 é diferente: voltamos ao topo. Talvez seja até por pouco tempo, mas por enquanto é a nossa luz no fim do túnel. Uma pena, porém, que muitos torcedores que se foram nos últimos anos não puderam ver a Lusa voltando ao seu lugar.
Será mesmo? Enquanto a bola rolava contra o Rio Claro, o sol ignorava as previsões de chuva e formava uma bela paisagem junto com algumas nuvens. A maioria da torcida estava – obviamente – mais preocupada com o jogo e não teve tanto tempo para olhar para cima.
Mas quem está ‘lá em cima’ deve ter dado um jeito de espiar o jogo.
O Roberto Leal tentava ensinar o ‘Vira’ a São Pedro. “Vai que o Rio Claro marca o primeiro”. Gil Gomes, muito atento, já pensava no discurso emocionado que faria sobre o acesso. Infelizmente, a rádio celestial em que ele está não pode ser sintonizada aqui, agora. Já Orlando Duarte abria um sorriso só de pensar em uma atualização de seu “Lusa – Uma História de Amor” com as conquistas que o clube pode ter nos próximos anos.
Esses nomes famosos foram uma forma de homenagear os lusitanos que se foram entre 2014 e 2021. Seria impossível citar todos que partiram tendo uma última impressão decepcionante do time que tanto amaram, mas acho que a maioria dos torcedores deve ter algum parente, amigo ou conhecido que partiu nesse meio tempo, ainda mais levando em conta a pandemia.
Eu, por exemplo, me lembro do Johnny, uma dessas improváveis amizades que a gente tem em estádio. Conheci-o em alguma rede social, provavelmente o Orkut, e acabou se tornando uma daquelas pessoas que a gente cumprimenta sempre quando se esbarra pelo Canindé. Quando estava fazendo meu livro de 96, ele topou passar um jogo inteiro me contando sobre as suas memórias da Lusa. Quando vimos, a partida já tinha até acabado. Passou voando. Ele se foi no começo de 2018.
Na época, pensei justamente no assunto que nos ligava: “poxa, o cara teve tempo para ver a Lusa despencando. É injusto demais que não possa ver a nossa volta quando ela chegar”.
Por isso, prefiro acreditar que, acima daquele céu bonito que rondava o Canindé, tinha toda uma trupe que, quando viu o chute do Gustavo França, gritou “gol” junto com a gente.
* André Carlos Zorzi é jornalista, autor de “Para Nós És Sempre O Time Campeão – A Portuguesa de 1996” e coautor de “Lusa: 100 Anos de Amor e Luta”.
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