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Com a demissão do Sérgio Soares, acho que a torcida inteira pensou: quem a gente chama pro lugar dele? Quando eu comecei a acompanhar futebol e a Lusa, lembro que qualquer técnico que caía, não demorava muito pro pessoal pedir: “Volta, Benazzi!”. Era a expectativa de repetir o bom ano de 2007, eu imagino.
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O problema é que muitas vezes esse tipo de ideia fica só na expectativa, mesmo. Ele voltou duas vezes e não fomos bem-sucedidos – na última, inclusive, foi uma catástrofe. Algo parecido deve ter se passado com o Candinho um pouco antes, muito por conta dos bons trabalhos ali pelo meio da década de 90. A última passagem dele como técnico, em 2006, também não nos traz boas lembranças.
Cito isso para falar de algo que eu sinto, e provavelmente nem está restrito só à nossa torcida: como nos falta criatividade para contratar técnicos!
Em geral, sempre queremos alguém que já tenha passado pelo clube. Antes do Sérgio Soares, por exemplo, lembro que li muitos comentários de gente pedindo o Sérgio Guedes, e alguns falando em Vica, Luís Carlos Martins e por aí vai… Acho que isso acaba sendo normal. De certa forma, a maioria das pessoas que gostam de futebol no Brasil acompanham a fundo o próprio time. Quantos lusitanos acompanhavam a Série C antes de 2015? Ou a D até 2017?
E eu me incluo nessa. Se me perguntarem algum nome disponível no mercado, ideal pra permanência em A1 e vaga na Série D, não saberia indicar. E se indicasse, iria recorrer a uma memória afetiva, como o Jorginho.
2023 tem um fator importante: disputaremos um torneio de elite no primeiro semestre. Pode não ser uma Copa do Brasil ou Libertadores, mas nesses primeiros meses do ano não tem nenhum estadual melhor em qualidade e visibilidade do que o Paulista. Confio na competência do pessoal do clube que é pago pra isso. Seja um nome experiente ou novato, vamos dar um voto de confiança para o próximo treinador.
Sobre a saída do Sérgio Soares, não tenho muito a dizer. Fica o meu agradecimento pelo nosso retorno à elite do Paulistão e à nossa melhor campanha dos últimos 10 anos. Parando pra olhar apenas os resultados, inclusive, a demissão pode parecer injusta – foi campeão de um torneio e chegou na semifinal do outro. A questão vai um pouco mais além, acho que tem a ver com o fato de o time não ter rendido o que se esperava em um torneio fraco como a Copa Paulista – foi longe de uma “excelente campanha”, como ele postou no Instagram esses dias. Talvez uma vaga no calendário nacional de 2023 pudesse compensar um pouco isso, mas sem….
O futebol tem disso. Às vezes um título ‘esconde’ vários problemas, e uma derrota ‘escancara’ as mesmas deficiências. Só ver a seleção brasileira de 94, que era alvo de tantas reclamações e, numa disputa de pênalti, acabou virando sinônimo de raça. Enquanto isso, a de 98 chegou na final, mas hoje muita gente lembra como se fosse uma vergonha.
As portas ficam abertas. Mais dias, menos dia, quem chegar pra substituí-lo também cairá. Quem sabe quando isso acontecer a gente não estará pedindo: “Volta, Sérgio Soares!”
* André Carlos Zorzi é jornalista, autor de “Para Nós És Sempre O Time Campeão – A Portuguesa de 1996” e coautor de “Lusa: 100 Anos de Amor e Luta”.
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