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OPINIÃO: É preciso mais, Portuguesa

Novamente sem divisão nacional, Lusa precisa aprender com os erros e dar o passo que falta para voltar

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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Não é necessário dizer que a derrota fora de casa por 3 a 1 para o Botafogo, pelas semifinais da Copa Paulista, deixa a Lusa novamente fora de qualquer competição nacional no ano que vem. Na melhor das hipóteses, o clube terá que vencer a Copa Paulista, que ninguém mais suporta ter que disputar, em 2022 para voltar à Série D em 2023. É um caminho longo, mas necessário.

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A atual gestão do clube tem feito um trabalho notável para recuperar a imagem da Portuguesa e tornar a sua existência viável. Tem conseguido, mas falta o principal: resultados dentro de campo. Por mais duro que seja, este é o único jeito.

A reconstrução é lenta. É a diferença entre dar uma ajeitada em uma casa condenada e reconstruir um imóvel firme. A longo prazo, a Portuguesa precisa de uma estrutura que impeça que ela bata e volte. Só que o futebol de competição exige resultados, ainda mais em um clube onde a política não é das mais amigáveis.

Depois de temporadas a fio lutando como dava para não ser rebaixada à Série A3 do Campeonato Paulista e passando vergonha atrás de vexame na Copa Paulista, a Lusa precisava ser competitiva. Após a queda precoce na Série D de 2017, quando foi a última colocada de seu grupo, quase a Lusa caiu para a Série A2, escapando nas últimas rodadas; o mesmo filme em 2019, ano em que ficou somente dois pontos acima do primeiro rebaixado, o Nacional.

Na Copa Paulista, torneio que disputa assiduamente desde 2017, a melhor campanha havia sido a semifinal no primeiro ano, quando perdeu para a Ferroviária, que viria a ser campeã. Depois disso, um fraco desempenho em 2018, caindo na primeira fase, e o descalabro de 2019, quando ficou na lanterna em um grupo de seis times em que passavam quatro e que tinha, entre eles, o Sub-23 do Corinthians, que também não avançou.

Nas duas últimas edições da A2, a Lusa passou de fase e flertou com a volta à elite do Estadual, caindo nos jogos eliminatórios. Na Copa Paulista, além da chegada à malograda semifinal de ontem, a Portuguesa venceu a edição da temporada passada e, assim, voltou a disputar uma competição nacional, mas também ficou pelo meio do caminho quando começaram os mata-matas, o que tem sido rotina. Um clube que está no quase, batendo na trave, precisa entender onde está o erro para dar o passo que falta. Para jogos decisivos, além de times bem montados, é necessário ter no elenco jogadores talhados para estes momentos. E é assim em qualquer nível, seja na Copa Paulista ou na Liga dos Campeões.

O ideal é haver tempo, mas no futebol brasileiro os resultados é que garantem a viabilidade de um projeto, não o contrário. Por isso, é urgente que a Lusa garanta um calendário nacional para, mais que ter tranquilidade, conseguir o mínimo de condições políticas para que os mesmos que a jogaram no poço onde está não voltem, que é o que costuma acontecer quando grupos distintos disputam o poder.

Se há algo que a Portuguesa não precisa, são fórmulas mágicas ou receitas fáceis – e estes discursos barulhentos e vazios funcionam porque política é política em qualquer lugar. Somente o trabalho sério levará a nau lusitana a águas navegáveis. E de preferência com uma tripulação sem um histórico de naufrágios.

* Marcos Teixeira, 43, é jornalista, lusitano e colunista do site Ludopédio.org

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