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Marcos Teixeira: As contas e o rosário

Como em 96, Lusa precisa do sobrenatural. Como em 2012, enfrenta um eliminado Mirassol fora de casa. Mas nunca, como agora, foi preciso rezar tanto

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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Em cima da minha mesa de trabalho eu tenho um Galo de Barcelos, uma imagem de Nossa Senhora de Fátima e um terço de madeira. No telemóvel ou no micro, posso usar a calculadora, isso se eu não pegar a caneta que ora repousa sobre minha orelha. Papeis, aos montes, espalhados à mesa. O galo, coitado, está todo remendado. A senhorinha da limpeza o derrubou. Mas se em Barcelos o bicho cantou quando estava assado, não será uma queda que o aplacará.

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Uma não. Algumas, na verdade. Também por minha culpa, mas ele segue aqui, firme, forte e remendado.

Sou um profissional híbrido, daqueles que não dispensam papel, caneta e bagunça. E café, já que não posso beber em e no serviço. Se a Portuguesa me obriga a beber, mas eu não posso, ela faz com que eu faça contas e reze. Reze e faça contas. E beba café. E me lembre da última rodada do Campeonato Brasileiro de 1996.

Após cinco vitórias seguidas, entre as rodadas 16 e 20, a Lusa chegou à última das 23 jornadas com duas derrotas na lomba, uma delas por 4 a 0 para o Coritiba. Como desgraça pouca é bobagem, iria jogar com o Botafogo, então campeão nacional, no Couto Pereira porque havíamos perdido mandos de campo por causa de uma confusão na oitava rodada. Sim, oitava rodada.

Tinha que vencer e torcer por uma combinação improvável: tendo despencado ao 11º lugar – classificavam oito –, com 33 pontos, tinha que ganhar do Botafogo e secar três dos quatro adversários por uma das duas vagas restantes, pois do Grêmio, o sexto, para cima, todos estavam garantidos: Inter (35), que enfrentaria o rebaixado Bragantino; Sport (35), que visitaria o classificado Palmeiras; Goiás (34), que tinha pela frente um Grêmio nada preocupado com a Hora do Brasil e podendo sacanear o rival; e o São Paulo (34), que jogaria fora de casa contra um Paraná Clube sem nada mais para fazer.

Bom, todos sabem no que deu e nosso pão caiu com a manteiga virada para cima.

Naquele ano, brigamos pela vaga, que veio. Quase 30 anos depois, vencer é uma questão de sobrevivência e a missão, teoricamente, é menos complicada. Com sete pontos, a Lusa pode chegar a dez, mas não alcança a Inter de Limeira, que tem a tal dezena de pontos, mas duas vitórias a mais. Nosso negócio é com São Bento, Ituano e Ferroviária.

Na ordem: os de Sorocaba, com 10, recebem o Bragantino, que já está classificado, mas precisa pelo menos empatar para terminar em primeiro sua chave. Aqui, a Lusa precisa torcer pela derrota do Bentão e tirar a diferença do saldo de gols (-9 a -6); o Ituano, que tem nove pontos e um saldo de gols de -10, joga em casa com o Santos, que está precisado de fazer ao menos um ponto a mais que o Botafogo; e a Ferroviária, que tem oito pontos, joga com a Inter, que joga pelo empate para se garantir. Aqui, basta os de Araraquara não ganharem.

Os três concorrentes jogam em casa e somente um destes resultados pode ser ruim para nós. Se dois deles fizerem sua parte, um abraço!

Ah, sim. Vem o mais difícil, que é a Portuguesa desfalcada vencer o descompromissado Mirassol no interior. No inacreditável rebaixamento de 2012, o empate bastava na última rodada, que também foi contra o Mirassol, eliminado como agora. E perdemos por 4 a 2.

Então, quem tiver fé, a hora é agora. Quem não tiver, que arrume uma. Porque, ora, na zona do rebaixamento não existem ateus.

* Marcos Teixeira, 45, é jornalista, lusitano e colunista do site Ludopédio.org

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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