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Marcos Teixeira: O “contra tudo e contra todos” e a fé no trabalho

A Lusa somou três pontos preciosíssimos para suas modestas pretensões no Paulistão, que são evitar a queda e garantir uma vaga na Série D

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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“Contra tudo e contra todos”. Este tipo de frase, que coloca quem a diz como alguém antissistema, o forasteiro a ser evitado, o corpo estranho indesejado. Quem repete isso, geralmente, vê todos os méritos na sua vitória, mas é incapaz de reconhecer a capacidade do adversário, que o terá vencido só porque alguém de fora decidiu que assim seria.

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Enfim, um saco.

No entanto, a torcida da Portuguesa poderá, após a vitória contra a Inter de Limeira, lançar mão do chavão: estreia fora de casa contra um adversário direto, uma arbitragem terrível e os erros técnicos e táticos comuns do início da temporada. E ainda assim a Lusa somou três pontos preciosíssimos para suas modestas pretensões no Paulistão, que são evitar a queda e garantir uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro do ano que vem.

Não há limites para o sonho, mas, mais que isso, é lucro e exigir algo além será um delírio.

Diferentemente do que aconteceu na temporada passada, quando um time que sequer pode ser chamado disso foi “montado” e só não caiu porque os anjos e os santos estavam de plantão – não há outra explicação – naquela memorável tarde de Mirassol, e que podemos chamar de milagre, houve critério nas contratações e o nível do elenco, somado aos garotos que subiram graças ao estupendo trabalho de dupla Alan Dotti e César, respectivamente treinador e auxiliar-técnico do Sub-20. É melhor que aquilo que nos representou no certame estadual, o primeiro depois de sete anos no purgatório da Série A2.

Vimos, trajando rubro-verde, um time que quer sair para o jogo, construindo desde os centrais e apostando na velocidade no campo de ataque, também em função das características de quem estava em campo. Com o volante Zé Ricardo voltando para uma saída a três, com o apoio também dos laterais, pôde ser natada uma versatilidade inesperada pelo pouco tempo de trabalho.

Claro que a aposta da Inter, parecida na velocidade com a qual atacava, transformou o jogo em um autêntico lá-e-cá, mas os da casa eram mais felizes ao fechar espaços e apostar em um jogo menos sofisticado e mais direto. A proposta lusitana requer um time mais compacto, coeso, com jogadores próximos e isso exige que a linha defensiva atue mais longe da própria área para negar um eventual espaço entre os setores, o que faz com que erros na intermediária adversária possam proporcionar contra-ataques.

Os dois gols sofridos foram assim, com a defesa desarrumada após perdas de bola que resultaram em finalizações depois de poucos passes trocados. É bom ligar o sinal de alerta, mas é natural que isso aconteça no início da temporada, quando todos os times que disputam a competição ainda buscam padrão e têm muito o que arrumar.

No entanto, há muitos aspectos positivos. Mesmo em desvantagem e com poucos minutos a serem jogados, os de Dado Cavalvanti não cederam à sensação do velho expediente do chuveirinho em busca do centroavante. Em vez disso, buscaram trocar passes, encontrar espaços. Nem sempre dá certo, mas é um sinal de que há crença no que se faz, como quando renovou o fôlego tendo a vitória como necessidade, em vez de segurar um empate que, dadas as circunstâncias, não seria visto como um mau resultado. Nem mesmo a desastrosa prestação da equipe de arbitragem, que deixou de assinalar um pênalti (VAR para quê?) minutos antes de a Lusa empatar o jogo pela primeira vez, ou que não exibiu o cartão vermelho quando Victor Andrade foi atingido por trás em um lance no qual a bola não estava em disputa e o uso de força foi exagerado, foi capaz de mudar o rumo do jogo e o estado de ânimo lusitano.

Obviamente, há muito o que melhorar. Nem sempre teremos um adversário tão mansinho e que ataque pouco, mesmo jogando em casa. Nos 11 próximos jogos, nove adversários são das Séries A e B do Brasileirão, mas os indícios dados na estreia são animadores e permitem, ao menos, uma estreia que nos permite esperar por uma campanha além de esperar por um milagre. E milagres, sabemos, não acontecem todos os dias.

* Marcos Teixeira, 45, é jornalista, lusitano e colunista do site Ludopédio.org

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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