Foto: Divulgação/Portuguesa

Entra ano, sai ano e, todo ano, a fé do torcedor da Portuguesa floresce na disputa da Copa São Paulo de Futebol Jr. É na Copinha, vencida pela Lusa em duas oportunidades e que na qual irá estrear neste dia 4, que germina a esperança por dias melhores na forma de dois ou três pratas-da-casa capazes de segurar a bronca no time de cima.

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A reputação de reveladora de craques acompanha a Portuguesa há muito tempo e é natural que o torcedor veja nas categorias de base e, principalmente, na Copinha, a possibilidade de que surgirão os talentos que poderão ajudar a reforçar o elenco principal sem que, para isso, seja preciso disputar com outros clubes por jogadores já prontos no mercado.

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Dá para fazer vários e vários times só com grandes nomes que saíram da formação lusitana: Djalma Santos, Zé Maria (os dois), Bruno Rodrigo, Zé Roberto, Guilherme, Henrique, Basílio, Enéas, Diogo Edu Marangon, Esquerdinha, Jair da Costa, Ivair, Servílio, Dener, Sinval, Tico, Jorginho, Bentinho, Ricardo Oliveira, Leandro Amaral, Rodrigo etc. Isso sem contar vários atletas que passaram pela base do clube, como o volante Paulinho, os zagueiros Geromel e Breno, e o meia Everton Ribeiro, para citar alguns que não chegaram a estrear profissionalmente na Lusa.

Antes de esfregar as mãos à espera de uma nova fornada ou de um jogador especial, é preciso ter calma e entender momentos e processos. O que é necessário para formar um jogador? Qual é a condição e quais as condições que o clube oferece aos aspirantes a profissionais? Não é tão simples. Ou melhor, não é nada simples.

Até outro dia, as categorias de base do clube estavam terceirizadas, entregues a empresários que usavam o nome e a camisa da Lusa como incubadora para direcionarem os mais talentosos para onde fosse mais interessante para eles, não para a Portuguesa. Em condições assim, o clube tem pouco ou nenhum poder de interferência na sequência da carreira destes garotos.

Isso deve-se, não raro, ao fato de o clube não ter condições de bancar o necessário para a formação de um atleta de alto rendimento, que é o caso do jogador de futebol. Desde 2016 a Portuguesa não tem o Certificado de Clube Formador, selo outorgado pela CBF mediante a comprovação de que o clube tem condições de garantir que seus jovens atletas tenham uma formação adequada. Sem ele, um clube pode perder qualquer jogador entre 14 e 16 anos sem que seja ressarcido por isso.

Isso já faz com que exista a grande possibilidade de, uma vez detectado antes de assinar seu primeiro contrato profissional, uma promessa seja desviada e sequer atue em nível de competição pelo clube. Quem perde com isso? A resposta é óbvia. Fazendo um rápido exercício de memória, qual foi o último grande jogador revelado pela Lusa? Ou então, quantos jogadores nos elencos das principais equipes do futebol brasileiro foram revelados no areião do Canindé, que nem existe mais?

Com as finanças minguando e não tendo nem para o profissional, que é o carro chefe do clube como um tudo, o que sobra na base é uma estrutura precária, seja ela física ou nos outros aspectos inerentes à formação do atleta, e nem é preciso dizer que o surgimento de um jogador acima da média não se dá da noite para o dia. É um processo longo, de altos e baixos, de paciência e que envolve inúmeros fatores, técnicos, estruturais, educacionais e culturais.

Quando um atleta está inserido no clube desde a categoria mais baixa, seja o Sub-11, que deve ter caráter recreativo, ou o Sub-15, no qual começa a cultura de competição, as chances de chegar mais bem preparado ao time principal e em condições de se estabelecer como atleta profissional são maiores. Mesmo que chegue ao clube no decorrer deste percurso, ele precisa de um ambiente pronto e bem alicerçado para que se encaixe, coisa que quem sequer tinha autonomia sobre as categorias de base há pouco tempo não pode oferecer.

Portanto, não há nada de errado em torcer para que surja um novo Dener no time que jogará a Copinha. O que é preciso entender é que, caso a campanha não seja satisfatória, não será necessariamente um fracasso ou sinal de terra arrasada, mas sim um passo a mais dado na recuperação da própria Portuguesa. E essa é uma recuperação em que critério, trabalho e paciência valem ouro, assim como é necessário para a revelação de um craque.

* Marcos Teixeira, 43, é jornalista, lusitano e colunista do site Ludopédio.org

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