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Opinião: É hora de fazer as pazes com a Lusa e olhar para frente

Todo mundo conhece um lusitano que se afastou do Canindé nos últimos tempos; chegou o momento para a reaproximação

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Foto: Ronaldo Barreto/NETLUSA

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Quem costuma andar por aí vestindo a camisa da Lusa provavelmente já recebeu variadas abordagens na rua. Na maioria das vezes, um “gosto muito da Lusinha!”, “como anda a nossa Lusa?” ou algum comentário demonstrando simpatia, mas desconhecimento básico sobre a situação do time. Às vezes, também vem alguma provocação. Lembro de uma vez em 2017, logo depois de cairmos na Série D, que um rapaz olhou pra mim e gritou: “Segundona!”. Mal sabia ele…

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Vez ou outra, porém, a gente esbarra com algum torcedor ‘de fato’. E, muitas vezes, vem um discurso de ressentimento: “Já fui bastante ao Canindé, mas não piso lá desde não sei quando”, “Enquanto fulano de tal continuar no clube, eu não volto mais”. “Já sofri muito, aquilo lá não tem mais jeito”, “Tem que demolir tudo e recomeçar do zero, aí penso em voltar”, e por aí vai… Você provavelmente conhece alguém assim.

Claro que cada um torce da maneira como quiser, e pode se aproximar ou afastar dependendo da situação do time. Mas saiba, torcedor, que você faz falta. E é uma boa hora para fazer as pazes com a Portuguesa.

Uma das coisas que mais nos diferencia de tantos outros clubes por aí, além de nossas conquistas e tradição, é a nossa torcida. Às vezes a gente reclama que vão “os mesmos 1.500 de sempre”, mas não percebe o quanto que esse é um número expressivo, ainda mais depois de tantos anos de sofrimento e rebaixamentos.

Proporcionalmente, talvez sejamos até uma das torcidas mais presentes do estado. No mesmo fim de semana do jogo contra a Santista, em que cerca de 2.500 torcedores foram ao Canindé, na A1, o São Paulo levou 21 mil ao Morumbi e o Santos levou 10 mil à Vila Belmiro. Mas a torcida do São Paulo não é só oito vezes maior que a nossa, e a do Santos não deve ter apenas quatro vezes o nosso tamanho, o que valoriza nossa presença.

A Portuguesa terá o jogo de volta contra o Primavera no Canindé na próxima terça-feira, 29, às 19h. A volta da Lusa às divisões de destaque depende muito do time em campo, mas também passa pelo nosso apoio. Por isso, sugiro: se puder, vá ao Canindé! As frustrações do passado continuarão sempre lá, mas o futuro está sendo escrito agora.

O mata-mata da A2 é a nossa chance de voltar à primeira do Paulistão. A nossa chance de jogar novamente os clássicos (os pra valer, não contra os times de garotos de Santos, Corinthians ou São Paulo que enfrentamos na Copa Paulista). A nossa chance de facilitar o caminho para o Brasileirão, com as vagas direta para a Série D. A nossa chance de ter mais holofotes, de trazer melhores jogadores. É a nossa chance de fazer a Lusa “voltar a ser o que era”.

Sei que ainda estamos em pandemia, que o horário é ingrato, que é dia de semana, que foi um sufoco para entrar no estádio na última partida. Mas é a nossa chance! Sem passar pelo Primavera, não tem semifinal, e sem a semi, não tem acesso.

O tempo é cruel e passa mais lentamente para quem está por baixo na pirâmide do futebol. Se a gente subir, podemos jogar a Série A1 daqui a nove meses. Do contrário, na melhor das hipóteses, só em 2024. Como já disse, é a nossa chance. Rumo ao tri!

* André Carlos Zorzi é jornalista, autor de “Para Nós És Sempre O Time Campeão – A Portuguesa de 1996” e coautor de “Lusa: 100 Anos de Amor e Luta”.

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