Início Colunas Coluna do Chrystian Gedra A pirataria e a valorização da marca Portuguesa

A pirataria e a valorização da marca Portuguesa

Apreensão de uniformes falsificados expõe um problema grave da pirataria, mas também evidencia o crescimento da marca Portuguesa

4
Foto: Divulgação

Receba as principais notícias da Portuguesa no seu WhatsApp!

Ícone WhatsApp Seguir

A recente apreensão de mais de 120 mil camisas piratas pela Receita Federal no Porto de Santos trouxe um detalhe que chamou a atenção do torcedor da Portuguesa: entre os produtos falsificados, havia também uniformes da Lusa.

E embora a pirataria seja um problema sério, que prejudica clubes, fornecedores e toda a cadeia esportiva, o episódio também revela algo importante do ponto de vista mercadológico: a marca Portuguesa voltou a despertar interesse de consumo.

Isso porque existe uma lógica simples no mercado informal, o que parece ser inacreditável: produto sem procura não vira alvo de falsificação.

A pirataria acompanha aquilo que tem demanda

Nenhuma fábrica clandestina investe em algo sem potencial de venda. Por isso, o retorno das camisas piratas da Lusa ao mercado nos últimos anos acaba funcionando também como um indicador indireto de valorização da marca.

Isso já havia acontecido em 2022, após o título da Série A2 do Paulista. Naquele momento, o aumento da procura por produtos da Lusa gerou crescimento na circulação de uniformes falsificados.

Em 2024, o cenário se repetiu durante a campanha da equipe no Campeonato Paulista de Futebol 2024, especialmente no mata-mata contra o Santos. Além da assinatura com a SAF.

Agora, em 2026, o tema reaparece em um contexto ainda mais amplo de fortalecimento institucional e crescimento da presença da Portuguesa no mercado esportivo. Inclusive, com a nova vaga para o mata-mata do estadual, onde foi eliminada pelo Corinthians nos pênaltis, e agora luta pelo acesso para a Série C do Brasileiro.

A marca Portuguesa voltou a circular

Nos últimos anos, a Portuguesa conseguiu voltar ao debate esportivo nacional, inclusive depois que se tornou SAF. Isso aconteceu por diferentes fatores:

melhora da presença digital;
fortalecimento do branding;
aumento de cobertura na mídia;
crescimento das redes sociais;
campanhas de marketing mais modernas;
e maior exposição esportiva.

Em linguagem simples: a Portuguesa voltou a aparecer, ser comentada e despertar interesse. E isso naturalmente aumenta o desejo por produtos ligados ao clube.

A parceria com a JOMA elevou a percepção do produto

Outro ponto importante foi a parceria com a JOMA, fechada ainda na época da Associação e que foi um dos principais pontos positivos na gestão Antonio Carlos Castanheira e seu departamento de marketing, que teve como vice na ocasião Armando Ferreira.

A chegada de uma fornecedora internacional ajudou a elevar a percepção de qualidade dos uniformes da Portuguesa, trazendo elementos importantes, tais como:

designs mais modernos;
campanhas mais bem trabalhadas;
fortalecimento da identidade visual;
e maior desejo de consumo.

No marketing esportivo, isso é fundamental, porque o uniforme deixou de ser apenas roupa de jogo. Hoje ele reforçou ainda mais pontos como:

peça de moda;
item de coleção;
símbolo cultural;
produto de lifestyle.

E a Lusa conseguiu avançar justamente nesse ponto.

A recente terceira camisa inspirada na Seleção Portuguesa de Futebol é um exemplo claro disso e que já comentamos anteriormente: um produto pensado não apenas para arquibancada, mas também para conexão emocional e identidade cultural.

O crescimento da marca gera oportunidades — e problemas

O aumento das falsificações obviamente não deve ser comemorado. A pirataria prejudica diretamente:

o clube;
a fornecedora;
os lojistas oficiais;
e o próprio investimento no futebol.

Cada camisa pirata vendida representa dinheiro que deixa de entrar na cadeia oficial da Portuguesa. Claro que é compreensivo o questionamento diante dos valores de uma camisa original de uma pirata, mas esse é um problema que não apenas a Portuguesa, mas todo o time de futebol no mundo tem passado.

Segundo o levantamento do FNCP, a pirataria produziu um prejuízo de meio trilhão de reais para a economia brasileira em 2024. Por isso, é importante reforçar: comprar produtos oficiais é investir diretamente no clube.

Mas, ao mesmo tempo, ignorar o que esse fenômeno representa seria fechar os olhos para uma realidade de mercado. A pirataria costuma seguir marcas fortes, produtos desejados e momentos de alta exposição.

E talvez o ponto mais simbólico seja justamente esse: durante muitos anos, a Portuguesa praticamente desapareceu do radar comercial do futebol brasileiro.

Hoje, voltou a existir demanda.

A relação entre campo, marketing e consumo

O crescimento da procura por camisas da Lusa também mostra como resultado esportivo e marketing caminham juntos. O título da A2 em 2022 e o retorno para a elite estadual reacendeu autoestima.

O mata-mata do Paulistão em 2024 aumentou visibilidade nacional. A chegada da SAF trouxe nova narrativa institucional. E campanhas recentes fortaleceram o posicionamento da marca, principalmente o estadual deste ano.

Tudo isso cria um efeito em cadeia: mais relevância → mais engajamento → mais desejo de consumo.

No futebol moderno, isso é fundamental para sustentabilidade financeira.

Grave problema, mas retomada da valorização da marca Lusa

A apreensão das camisas piratas da Portuguesa expõe um problema grave, mas também ajuda a revelar uma transformação importante: a marca Lusa voltou a ter valor comercial no mercado esportivo.

A combinação entre retomada esportiva, fortalecimento institucional, crescimento digital e melhora na apresentação dos produtos recolocou a Portuguesa em circulação no imaginário do torcedor.

E talvez esse seja o principal sinal. Porque, goste ou não, a pirataria costuma seguir aquilo que voltou a ser desejado.

Agora, o desafio da SAF é transformar esse aumento de interesse em crescimento sustentável do consumo oficial, fortalecendo ainda mais a marca e criando mecanismos para que o torcedor escolha apoiar diretamente o clube através dos produtos licenciados.

*Formado em jornalismo pela Universidade Guarulhos (UNG), Chrystian Gedra tem 33 anos e passagens pelo extinto Lusa News, portal Terceiro Tempo, jornal Guarulhos Hoje, Farol Autos e Jornal do Farol, além de ter sido assessor de imprensa da Portuguesa em 2016. Atualmente conta com mais de seis anos de experiência em marketing e faz parte do time da agência Mind4.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

Faça parte do Clube NETLUSA e navegue no site com menos anúncios. Além disso, você apoia o jornalismo lusitano independente.

guest
4 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado