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Nova 3ª camisa acerta ao conectar a Lusa com Portugal

Uniforme produzido pela JOMA aposta na identidade lusitana, fortalece o branding e mira diretamente um público apaixonado por Portugal

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Foto: Tadeu Mafra/Portuguesa

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A nova terceira camisa da Portuguesa para a temporada 2026, produzida em parceria com a JOMA, talvez seja uma das ações mais estratégicas da SAF no aspecto mercadológico desde o início do projeto de reconstrução do clube. Inspirada visualmente na Seleção de Portugal, o manto não vende apenas um uniforme.

Ela vende identidade, pertencimento e memória afetiva. E isso, no futebol moderno, vale muito. A campanha apresentada pela Lusa trouxe um conceito extremamente forte ao usar a frase: “Desde 1920, já sabemos por quem torcer.”

A mensagem conecta diretamente a história da equipe verde encarnada com a relação cultural e emocional que boa parte da torcida possui o país ibérico. Não é apenas uma referência estética, mas sim uma ativação construída em cima da essência do clube.

Um movimento inteligente em ano de Copa

Do ponto de vista de marketing, o timing da camisa é um dos maiores acertos da ação. Em ano de Copa do Mundo, a tendência é que a procura por produtos ligados a seleções nacionais aumente significativamente. E a Portuguesa soube aproveitar isso ao criar uma camisa que conversa diretamente com dois públicos que muitas vezes se misturam: o torcedor da Lusa e o admirador da Seleção das Quinas.

Na prática, a SAF amplia o potencial de venda porque não fala apenas com quem acompanha o clube semanalmente, mas também com um consumidor movido por identidade cultural, nostalgia e paixão pela Seleção de Cristiano Ronaldo e cia.

É um movimento inteligente porque posiciona a camisa como algo além de um uniforme esportivo. Ela vira um produto de lifestyle, conexão cultural e orgulho de origem. Vale lembrar que, embora seja inspirada no manto atual de 2026 que será utilizada na Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá, esta nova camisa tem elementos que lembram a um uniforme utilizado por uma das maiores Seleções de Portugal no século, a de 2006, com ídolos como Figo e um Cristiano Ronaldo em início de ascenção.

Branding que reforça a essência da Portuguesa

Nos últimos anos, a Portuguesa buscou diferentes caminhos para fortalecer sua marca. E talvez poucos façam tanto sentido quanto reforçar justamente aquilo que diferencia o clube dos demais: sua ligação histórica com a comunidade portuguesa. Isso já é algo costumeiro desde os tempos da associação, no qual já foram desenvolvidos uniformes inspirados com o da Seleção das Quinas.

Enquanto muitos clubes tentam ampliar alcance criando narrativas genéricas, a Lusa faz o caminho contrário — reforça sua autenticidade, que gera valor de marca. A nova camisa consegue transformar isso em produto de consumo ao unir:

Tradição;
Apelo emocional;
Referência internacional;
Estética moderna.

Isso fortalece o branding porque reafirma algo essencial: a Portuguesa não precisa fugir da própria origem para ser relevante. A escolha dos modelos foi um grande acerto.

Outro ponto muito positivo da campanha foi a maneira como a apresentação foi construída. Ao utilizar jogadores do elenco e também sócios-torcedores sorteados pelo clube como modelos oficiais da camisa, a Portuguesa aproximou a campanha da própria torcida, o que gera identificação imediata.

O torcedor não vê apenas atletas profissionais usando o uniforme — ele vê pessoas comuns, apaixonadas pelo clube, ocupando espaço central na divulgação. Em linguagem simples: a campanha fez o torcedor se sentir parte do lançamento.

E isso aumenta engajamento, compartilhamento nas redes sociais e sentimento de pertencimento, elementos fundamentais para campanhas esportivas modernas.

Os pontos positivos da ação

A campanha teve diversos méritos importantes: Fortalecimento da identidade lusitana, a camisa reforça um dos maiores ativos históricos da marca Portuguesa, além do excelente timing de mercado

O ano de Copa potencializa interesse por produtos ligados a Portugal, com apelo além do futebol. Além disso, a peça pode atrair consumidores ligados à cultura portuguesa e ao lifestyle esportivo, com uma boa execução visual e narrativa.

O conceito da campanha conversa diretamente com a história do clube, inclusive com a participação da torcida na divulgação. A utilização de sócios-torcedores aproxima o lançamento do público real da Lusa.

Os pontos “negativos” e os riscos da estratégia

Apesar dos acertos, existem também alguns pontos que merecem debate e que muitas vezes são citados por alguns torcedores quando o terceiro uniforme homenageia momentos históricos de Portugal.

O principal deles é que a campanha reforça fortemente a ligação com Portugal em um momento onde a SAF também busca ampliar o alcance da marca para novos públicos e novas gerações.

Embora essa identidade seja um ativo histórico, existe sempre o risco de limitar a percepção do clube apenas à colônia portuguesa, algo que por muitos anos gerou discussões internas sobre expansão de torcida. Na minha visão, este risco vale a pena, haja visto que o consumidor lusitano é muito ativo e a marca Lusa tem uma grande aceitação até por amantes do futebol de outras agremiações. Inclusive, Portugal tem tido um grande destaque no Brasil, muito por conta de suas principais estrelas.

Outro ponto é que campanhas muito baseadas em emoção e identidade cultural precisam ser acompanhadas de boa distribuição e acessibilidade comercial. Caso contrário, o engajamento digital não necessariamente se converte em vendas. Além disso, a comparação visual inevitável com a Seleção Portuguesa pode dividir opiniões entre torcedores que preferem uniformes mais ligados à tradição estética própria da Lusa.

A partir de tudo isso…

No saldo geral, a nova terceira camisa da Portuguesa representa um acerto importante da SAF no campo do marketing esportivo. A ação soube unir história, identidade, oportunidade de mercado e conexão emocional em um produto que dialoga diretamente com o principal público-alvo do clube.

Mais do que lançar um uniforme, a Lusa lançou um conceito: o de que sua origem portuguesa não é um peso do passado, mas um diferencial competitivo de marca.

E em um futebol onde clubes disputam atenção, engajamento e relevância cultural, transformar identidade em produto pode ser uma das estratégias mais valiosas para fortalecer a Portuguesa dentro e fora de campo. E você, o que achou da nova camisa? Vamos enriquecer mais este debate nos comentários.

*Formado em jornalismo pela Universidade Guarulhos (UNG), Chrystian Gedra tem 33 anos e passagens pelo extinto Lusa News, portal Terceiro Tempo, jornal Guarulhos Hoje, Farol Autos e Jornal do Farol, além de ter sido assessor de imprensa da Portuguesa em 2016. Atualmente conta com mais de seis anos de experiência em marketing e faz parte do time da agência Mind4.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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