Receba as principais notícias da Portuguesa no seu WhatsApp!
O presidente da SAF da Portuguesa, Alex Bourgeois, falou pela primeira vez sobre o imbróglio envolvendos os investidores, a Assembleia Geral e o Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) da Lusa. Em entrevista ao colunista Julio Gomes, do UOL, o dirigente rubro-verde criticou os presidentes dos dois poderes e disse que o clube corre sério risco de declarar falência caso os problemas não sejam resolvidos.
+ Presidente da SAF condiciona permanência da Lusa no Pacaembu à presença da torcida
“Os senhores Marcos Lico (presidente da Assembleia Geral) e José Gonçalves (presidente do COF) estão fazendo de tudo para bloquear o processo. Nós não podemos continuar colocando dinheiro sem ter a posse, e a federação paulista não nos permite registrar a SAF sem que isso seja resolvido. Se não for resolvido, vamos pular fora. E se a gente sair, como a associação está em recuperação judicial, a consequência será a falência da Portuguesa”, avisou.
Segundo o jornalista, o COF deseja que a Portuguesa fique com 1% dos ganhos da futura arena, em vez desse valor ser destinado ao futebol (SAF). Além disso, o conselho não concorda que a participação do clube na SAF, atualmente de 20%, possa ser reduzida até o limite de 10% no futuro, dependendo dos resultados financeiros da operação. Outra exigência é que a SAF assuma a responsabilidade por eventuais novas dívidas do clube, além dos R$ 550 milhões já previstos.
“Como é possível que o presidente do Conselho Fiscal, que aprova os balanços, não saiba qual a dívida do clube e queira garantias para dívidas que possam aparecer? A recuperação judicial já está em curso, o valor é de 548 milhões e alguma coisa. Os credores já foram notificados, nós já vamos iniciar as negociações. Como a Portuguesa vai fazer para pagar isso?”, questionou Borgeois.
O COF tem um papel exclusivamente consultivo, sem poder de decisão, o que significa que suas recomendações podem ser consideradas ou completamente ignoradas. Para avaliar a proposta da SAF da Portuguesa, o conselho, há alguns meses, contratou o escritório de Sergio Rodrigues, responsável pela estruturação da SAF do Cruzeiro. Esse parecer resultou em 14 ressalvas apontadas pelo comitê. Algumas delas foram discutidas na reunião do Conselho Deliberativo, em novembro, que acabou aprovando a criação da SAF. Mais tarde, a diretoria da Portuguesa apresentou um documento detalhando soluções para seis dessas questões mais complexas, alegando que as demais já haviam sido aceitas ou devidamente esclarecidas pelos investidores.
Apesar disso, surgiu uma divergência sobre a interpretação dessas ressalvas. Enquanto alguns entendem que elas eram requisitos obrigatórios para a aprovação da SAF, os investidores e o departamento jurídico do clube discordam. Para eles, as ressalvas foram analisadas, respondidas (com algumas sendo atendidas e outras não), e as aprovações concedidas pelo Conselho e pela Assembleia não estavam condicionadas a uma validação final do COF.
OUTRO LADO
O presidente do COF, José Gonçalves Ribeiro, rebateu as críticas e justificou as exigências do conselho. “As ressalvas não foram atendidas. O Conselho Deliberativo aprovou o parecer do COF, e teriam de fazer alteração das 14 sugestões. O contrato [com a SAF] não deveria ter sido assinado. Eles querem imputar para o COF uma responsabilização que não é do COF. O Conselho Deliberativo tinha o poder de aprovar sem essas alterações que nós pedimos, mas não o fez. É muito fácil [para os investidores] dizer agora que ‘alteraram o que foi possível'”, afirmou à coluna.
Gonçalves também declarou que a diretoria deveria ter reapresentado a proposta conforme as exigências feitas anteriormente. “O COF deu o parecer, o Conselho deliberou e Assembleia decidiu. Caberia à diretoria apresentar nova solicitação aos órgãos, o que ela não fez. O COF não tem o que validar agora, porque [as ressalvas] não foram objetos de discussão e não foram atendidas na integridade. Nós estamos abertos. Ninguém quer prejudicar a Portuguesa”, concluiu.
QUAL A SOLUÇÃO?
A diretoria da Portuguesa enxerga duas soluções simples para resolver o impasse. A primeira seria o COF aprovar o contrato da SAF, mesmo que algumas de suas ressalvas não sejam completamente atendidas, permitindo assim a homologação da Assembleia. A segunda alternativa envolveria o presidente da Assembleia modificando observação do documento, que atualmente exige a aprovação do COF para validar a votação. No entanto, uma tentativa de esclarecer a situação no mês passado resultou em uma reunião tumultuada, com desentendimentos e trocas de insultos entre Antonio Carlos Castanheira, presidente da Associação, e dirigentes opositores.
Já Marcos Lico sugere outras duas possíveis soluções. A primeira seria o presidente Castanheira convocar o Conselho Deliberativo para uma nova reunião, com o objetivo de aprovar a SAF sem considerar as exigências do COF. Outra opção seria acionar a própria Assembleia para realizar uma nova votação sobre o tema. Essas duas alternativas, no entanto, demandariam um tempo maior.
O impasse entre as partes segue sem solução, colocando em risco a viabilidade da SAF e o futuro do clube, que ainda luta para superar sua grave crise financeira. Paralelo a isso, a Lusa se prepara para a Série D, que tem início na segunda semana de abril. A estreia da Portuguesa será contra o Boavista-RJ, fora de casa. A data e o horário da partida ainda serão divulgados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Leia também:
- Notas da torcida: avalie os jogadores da Lusa na vitória sobre o América-RJ
- Confira as estatísticas de Portuguesa 4 x 1 América-RJ
- Bruno Bertinato valoriza classificação e defesa de pênalti após goleada da Lusa
- Cadorini celebra gols e destaca confiança após goleada da Portuguesa na Série D
- Fesan detalha escolhas no time titular e exalta reação da Portuguesa no Canindé
Faça parte do Clube NETLUSA e apoie o jornalismo lusitano independente.







