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Como trabalhar o marketing para fazer o Canindé pulsar mais forte no mata-mata?

Marketing da Lusa precisa usar os dados do sócio-torcedor e a força das redes sociais para lotar o estádio rumo ao acesso para a Série C

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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Em nossas últimas lives no NETLUSA, um dos assuntos que mais movimentou o chat foi a estratégia de marketing da Portuguesa para atrair o torcedor neste mata-mata da Série D do Campeonato Brasileiro.

Se no Paulistão a gente elogiava os posts e o incentivo para a compra de ingressos — principalmente na fase decisiva, com carga gratuita e o Canindé dividido —, na nossa “Copa do Mundo” o clima é de cobrança. Tem faltado um planejamento ainda mais incisivo para colocar o público dentro do nosso estádio nesta fase importante.

O jogo de volta contra o Sampaio Corrêa-RJ, que garantiu nossa classificação com uma vitória por 1 a 0, é o maior exemplo disso. O clube disponibilizou cinco mil ingressos gratuitos. No entanto, o boletim financeiro registrou apenas 4.087 torcedores no Canindé. Além disso, apenas posts tímidos falando sobre a carga de ingressos gratuitos adquiridos e outros posts com trends virais, mas sem relação direta com a partida.

Para quem está acostumado com públicos menores, pode parecer muito. Mas a verdade é que o número não passou da média da primeira fase e ficou bem abaixo do que uma camisa pesada como a da Rubro-Verde precisa na luta pelo acesso à Série C.

A gente entende o lado do torcedor lusitano. São décadas de descaso da política interna e resultados ruins em campo que machucam. Isso realmente pode dificultar no processo de voltar a encher o estádio a curto prazo. Mas sabemos que um marketing focado e regionalizado tem o poder de virar esse jogo e resgatar o orgulho de ser Rubro-Verde.

Pontos positivos: O acerto com os dados e o matchday no Canindé

Antes que acreditem que esta coluna é uma pura corneta, o departamento de marketing da Lusa merece aplausos por iniciativas que começaram ainda em 2025. A principal delas é a carga de ingressos gratuitos via plano Free do Sócio-Torcedor, que se repetirá no jogo do próximo final de semana.

Pode parecer que o clube perde dinheiro na bilheteria, mas ele ganha algo valioso no mercado atual: dados. Com o cadastro, a Portuguesa descobre quem é o seu público que frequenta o Canindé e dados importantes como localização, faixa etária, comportamento de consumo, potencial financeiro, entre outros dados.

Com isso em mãos, dá para traçar um plano estruturado para que a experiência no Canindé seja inesquecível, independentemente do resultado em campo.

Outro acerto gigante são os matchdays horas antes da partida. O ambiente com barracas de comida (com patrocinadores do clube), música ao vivo e ativações resgata a essência mais antiga da torcida da Portuguesa: chegar cedo para resenhar com amigos e familiares. Isso gera receita e entretenimento de qualidade antes de a bola rolar. É uma estratégia de SEO local e fidelização que não pode morrer, principalmente quando as obras modernização do Canindé começarem e a Lusa precisar jogar em outra casa por um tempo.

Por fim, a parceria com influenciadores de fora da bolha rubro-verde ajuda a rejuvenescer a arquibancada, atraindo jovens que não viram a Lusa no topo, mas têm curiosidade de conhecer a tradição do clube.

O que precisa melhorar: Planejamento e engajamento digital

Agora, vamos ao que falta para o marketing digital da Lusa realmente engajar. O ponto de partida é transformar os dados colhidos em conteúdo estratégico. Hoje, o formato que domina as redes sociais são os vídeos curtos (Reels e TikTok). Sabendo disso, por que não explorar mais esse nicho? A Portuguesa poderia produzir conteúdos práticos e dinâmicos. Entre eles, citarei alguns exemplos abaixo:

  • Tutoriais rápidos de como fazer o check-in no Sócio-Torcedor Free;
  • Convocação em vídeo com jogadores do elenco, ídolos, comissão técnica e torcedores ilustres;
  • Collabs e hashtags exclusivas no TikTok, Instagram, Threads e X (antigo Twitter) para gerar um senso de comunidade e contagem regressiva para o jogo.

Além disso, a parceria com grandes nomes precisa ir além dos Stories de 24 horas no Instagram. Recentemente, a Lusa fechou com a Mansão Maromba e o influenciador Toguro, referências nacionais no mundo fitness e com forte base em São Paulo. Imagina o impacto de um post em formato Collab no feed, com o Toguro convocando a galera para colar no Canindé e aproveitar o ingresso gratuito? O alcance orgânico explodiria. Isso apenas um exemplo.

O marketing interno e a motivação a mais no mata-mata

Não é só de público externo que se faz uma campanha de acesso. O endomarketing (ações para os próprios jogadores, comissão técnica e funcionários) é comprovadamente eficaz — empresas que investem nisso veem a produtividade subir em até 70%, de acordo com diversas pesquisas feitas sobre o assunto.

Por que não trazer isso para o futebol da Lusa? Vídeos motivacionais surpresa com os familiares dos atletas, mensagens gravadas por torcedores comuns entregues no vestiário… Isso cria laços reais e fortalece o discurso de união entre time, diretoria e torcida que a gestão da SAF da Portuguesa tanto defende. Vale frisar que, na conquista da Copa Paulista em 2020, em plena pandemia e estádios fechados, ações semelhantes a essa foram adotadas pelo marketing e deu frutos que atingiram desportivamente de forma positiva.

Muitas dessas ideias não exigem rios de dinheiro. Um celular com boa câmera e um aplicativo gratuito de edição já resolvem. O que falta é ritmo, constância e o clima de decisão nas redes. O marketing é como semear em um campo: o trabalho diário e estratégico de hoje é o que vai garantir um Canindé lotado e os frutos financeiros e esportivos de amanhã.

E para você, torcedor? Concorda com isso, acha que precisaria de mais para lotarmos a nossa casa no jogo de volta diante do Marcílio Dias-SC? Deixe nos comentários e vamos enriquecer este debate.

* Formado em jornalismo pela Universidade Guarulhos (UNG), Chrystian Gedra tem 33 anos e passagens pelo extinto Lusa News, portal Terceiro Tempo, jornal Guarulhos Hoje, Farol Autos e Jornal do Farol, além de ter sido assessor de imprensa da Portuguesa em 2016. Atualmente conta com mais de seis anos de experiência em marketing e faz parte do time da agência Mind4.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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