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No último sábado (25), a vitória por 1 a 0 sobre o Uberlândia no Canindé serviu apenas para carimbar a nossa dolorosa eliminação da Série D do Campeonato Brasileiro. O placar mínimo não apagou o estrago feito no jogo de ida (2 a 0) e escancarou o que todo torcedor já desconfiava: o planejamento da Portuguesa para 2026 foi um retalho de improvisos e falsas promessas.
Diz o famoso ditado popular que “o que começa errado, termina errado”. Mas no futebol, onde a paixão de milhões é tratada com desdém por quem deveria geri-la com responsabilidade, a máxima precisa ser atualizada: o que começa mal pode — e vai — terminar pior.
Quando a SAF desembarcou no Canindé no final de 2024, prometeu-se o início de uma era de profissionalismo, modernização e gestão técnica. No entanto, o que se viu ao longo deste ano foi uma sucessão de vexames. Vieram as desclassificações no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil.
Mesmo assim, a diretoria fez questão de realizar evento para ostentar “números positivos”, tentando vender uma ilusão administrativa enquanto o campo sangrava. A conta dessa desconexão entre o discurso e a realidade finalmente chegou, deixando a Lusa sem calendário nacional e de braços cruzados pelo resto do ano.
Para quem se perguntava como um clube da grandeza da Portuguesa conseguiu se desorganizar tanto a ponto de fracassar na Série D, as respostas começaram a emergir nesta semana. As reportagens do NETLUSA jogaram luz sobre o porquê de o futebol do clube ter chegado a este patamar: o amadorismo virou a regra do jogo.
Descobrimos que o vice-presidente executivo de futebol, responsável direto por montar o elenco e chefiar o departamento, nunca havia trabalhado em um clube de futebol na vida. Sua experiência anterior era voltada ao agenciamento de atletas — uma nítida inversão de papéis e conflito de conceitos. O resultado nos bastidores não poderia ser diferente: um ambiente desgastado, centralizador e desconectado da realidade do vestiário. Uma gestão que preferiu economizar na logística de viagem em momento decisivo e vetar reforços pedidos pela comissão técnica, sob a cega convicção de que o elenco era “muito superior” ao nível da competição.
E se no futebol a bola não rola por acaso, no extracampo a comunicação e os negócios da Lusa seguiram a mesma receita. O responsável pelo marketing e pela marca do clube — área crucial para reconectar a torcida e atrair investimentos — construiu sua carreira gerindo restaurantes e hamburguerias. Sem qualquer bagagem anterior no meio esportivo, o setor se notabilizou por um silêncio inexplicável nas redes sociais em plena semana decisiva de mata-mata e por uma postura apática após a eliminação.
Não se trata de desmerecer trajetórias profissionais em outros setores, mas sim de questionar a absoluta falta de critérios técnicos para gerir uma instituição centenária.
As consequências dessa gestão desastrosa não param na decepção das arquibancadas. A eliminação da Série D empurra a Portuguesa para um deserto de calendário que se arrastará por longos meses, sem jogos oficiais, sem bilheteria e sem visibilidade de mídia.
A ironia tragicômica é que a tal ‘eficiência corporativa’ prometida pela SAF resultou na pior equação possível para o clube: folha salarial a pagar sem ter competição para disputar. A incompetência da montagem do elenco não custou apenas uma vaga; comprometeu a sustentabilidade financeira e o planejamento de toda a próxima temporada
Como exigir resultados de elite se os cargos mais estratégicos do clube estão entregues a aprendizes no futebol? Trocou-se o modelo associativo tradicional por uma SAF para que a gestão fosse profissional, mas o que entregaram foi um balcão de testes de tentativa e erro.
O torcedor rubro-verde cansou de ser tratado como mero espectador de powerpoints ornamentados com números bonitos. O sentimento de indignação que corre pelas arquibancadas do Canindé não é apenas pelo gol que faltou no sábado. É pela incerteza do amanhã, gerada por quem prometeu um salto de patamar e entregou mais do mesmo — ou pior.
A SAF precisa entender urgente: a Portuguesa não é laboratório de testes e nem restaurante para aceitar qualquer receita. Se a mentalidade e os nomes à frente do clube não mudarem drasticamente, o ano de 2027 continuará sendo escrito sob a mesma tinta da incompetência. O torcedor exige respeito, transparência e, acima de tudo, profissionais do ramo à frente do destino da Lusa.
* Edgar Lopes, jornalista há mais de 25 anos, orgulhoso de ter gritado gols – muitos gols – de Dener, Tico, Bentinho e Cia. Vive entre o amor dos anos 90, a tristeza de 2002 e o ódio de 2013. ¿Te das cuenta, Benjamín? El tipo puede cambiar de todo: de cara, de casa, de familia… de novia, de religión, de Dios… pero hay una cosa que no puede cambiar, Benjamín… no puede cambiar… de pasión. — Pablo Sandoval, em “O Segredo dos Seus Olhos”.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA
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