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Portugal tem motivos para reclamar na primeira derrota em jogos oficiais sob o comando de Roberto Martinez e que impede o registro limpo na primeira fase. Pode reclamar do pênalti não marcado sobre Cristiano Ronaldo quando o placar ainda apontava o 1-0 ofertado por um infeliz e deslocado António Silva; poderá reclamar do suíço que estava a dormir na cabine do VAR, enquanto o outro suíço estava a cochilar no relvado, a ponto de não ver o puxão que testou a elasticidade da belíssima camisola azulejada do capitão; poderá reclamar da monstruosa atuação de Mamardashvili, que já havia feito pela vida contra os turcos. Mas o maior motivo de reclamação deve ser endereçado às escolhas de Martinez, da abordagem ao jogo ao onze que escolheu. Ao cabo, os maiores responsáveis pela derrota terão sido o próprio selecionado e seu selecionador.
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Martinez, que escolheu dar minutos a uns e descansar outros, voltou ao sistema com o trio de centrais, formado por Danilo, ao centro, ladeado pelos jovens António Silva e Gonçalo Inácio. Nas alas, Diogo Dalot e um estranho Pedro Neto dariam largura para que a dupla de Joões – Palhinha e Neto – tivesse algum espaço para avançar com a bola e levá-la a Francisco Conceição, enquanto Cristiano Ronaldo e João Félix teriam liberdade para trocar de lugar e criar alguma dificuldade para o sistema defensivo de Willy Sagnol.
Com menos de dois minutos, toda a gente se colocou no campo de ataque e António Silva carregou, carregou, carregou. Era um tanto cedo para essa desorganização. Mais fora de hora ainda para o passe errado, com desleixo, de quem esteve intimamente ligado também ao segundo tento, e que apanhou tudo fora do lugar e acabou com Kvaratskhelia a comemorar seu primeiro golo na prova do jeito que mais lhes apetecia: o roubo da bola em zona proibida, a descida em velocidade e a bola no pé do seu melhor jogador.
Fora de lugar. Se as escolhas da estreia foram justificadas pela expectativa de uma Chéquia que mudou a si própria para enganar Portugal – e conseguiu -, a falta de rotina numa defesa a três do jovem benfiquista novamente foi flagrante. Da mesma forma, Pedro Neto não tem as valências defensivas de Nuno Mendes e sua presença na ala era, é e será algo injustificável.
Também não se explica, a não ser pela possibilidade de deixar o capitão levar o pão à sopa e afastar a ansiedade que costumeiramente atrapalha e contamina toda a gente, a presença de Cristiano Ronaldo no time que começou o jogo, mesmo que Diogo Jota e Gonçalo Ramos tenham feito somente um treino.
Mesmo assim, Portugal ainda fez por onde merecer melhor sorte, sobretudo porque João Félix e Francisco Conceição estiveram à altura da missão, que talvez seria mais bem conseguida com Vítinha, melhor português da Euro, pudesse encher as medidas do campo como o fez nos outros dois jogos.
Haverá a reclamação pela grande penalidade sonegada pela arbitragem, e com o auxílio da vídeo arbitragem é ainda mais inaceitável que o lance tenha passado sem maiores consequências. Mas há que ser perguntar: i) por que escalar Pedro Neto em vez de João Cancelo?) por que diabos Dalot, se Nelson Semedo está em melhor forma? iii) por que João Palhinha, se era para sair ao intervalo para evitar um segundo cartão amarelo e a suspensão nos oitavos? e iv) por que voltar ao sistema em que toda a gente fica desconfortável e que nunca resultou?
Pelas características de quem estava em campo, faltou paciência e critério para furar o bloqueio com cinco ou até seis defensores. Como na estreia, havia gente para conduzir, não para passar a bola ou buscar um passe a rasgar entre os contrários. A essa altura, ao cabo da fase em que ainda era permitido perder sem maiores consequências diretas no apuramento, é preocupante tornar a ver os mesmos problemas da estreia.
Enquanto Portugal usou o jogo para poupar e dar a chance de Cristiano Ronaldo marcar um gol – o fantasma do dono do time que se coloca acima dos interesses do grupo sempre aparece quando as coisas não correm a contento -, a Geórgia ousou sonhar e, com seus dois craques a decidir, fez história e se classificou logo na sua primeira fase final de uma grande competição. Aqui, o sonho foi capaz de abrandar as terríveis falhas defensivas que fizeram do seu goleiro o melhor da posição na primeira fase.
Com a derrota, calhou-nos a Eslovênia, mesmo adversário de um dos amigáveis depois da fazer de classificação. Na ocasião, Roberto Martinez convocou mais de 30 jogadores e os distribuiu em em três turmas, resultando numa equipe alternativa na primeira derrota de Portugal sob sua direção. Dali, tirou notas sobre como não jogar.
Que o desaire frente aos georgianos tenha servido para isso.
* Marcos Teixeira, 45, é jornalista, lusitano e colunista do site Ludopédio.org
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA
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