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A vitória da Portuguesa por 1 a 0 sobre o Água Santa, neste sábado (25), na Arena Inamar, teve um episódio de tensão registrado na súmula pelo árbitro Murilo Ugolini Klein. Aos 49 minutos do segundo tempo, João Diogo relatou à equipe de arbitragem que teria sido chamado de “estuprador” pelo lateral direito Léo Pereira, do clube de Diadema.
Segundo o documento (confira no fim do texto), o atacante da Lusa comunicou que teria sido ofendido verbalmente pelo adversário. Diante da gravidade da alegação, o árbitro informou que acionou imediatamente o protocolo de discriminação, paralisando a partida para a realização dos procedimentos cabíveis.
Na súmula, Murilo Ugolini Klein também ressaltou que a equipe de arbitragem não presenciou diretamente a suposta ofensa. O juiz destacou que tomou conhecimento do caso apenas por meio do relato feito pelo atleta da Portuguesa.
A paralisação gerou discussão generalizada dentro de campo por pelo menos cinco minutos. Jogadores das duas equipes, incluindo atletas que estavam no banco de reservas, participaram do momento de tensão antes de a bola voltar a rolar.
O episódio ganha repercussão também pelo histórico recente envolvendo João Diogo. Em 2022, quando defendia o Botafogo-SP, o jogador foi investigado em um caso de violência sexual no Rio de Janeiro. Na ocasião, ele foi indiciado por injúria e importunação sexual. Antes do acerto com João Diogo, grande parte da torcida da Lusa se mostrou contra a chegada do jogador, incluindo a uniformizada Leões da Fabulosa.
Dentro de campo, a Portuguesa venceu o Água Santa por 1 a 0 e somou mais três pontos na Série D do Campeonato Brasileiro.
Confira, na íntegra, o relato do árbitro na súmula da partida:
Informo que, aos 49 minutos do segundo tempo de jogo, o atleta nº 99, Sr. João Diogo Jennings, da equipe Portuguesa SAF, comunicou à arbitragem que teria sido ofendido verbalmente pelo atleta nº 2, Leonardo Pereira, da equipe EC Água Santa, o qual, segundo seu relato, proferiu a expressão “estuprador” em sua direção.
Diante da gravidade da alegação, foi imediatamente acionado o protocolo de discriminação, com a devida paralisação da partida para a adoção dos procedimentos cabíveis.
Ressalto que a equipe de arbitragem não presenciou diretamente a referida ofensa, tomando conhecimento do fato por meio do relato do atleta supostamente ofendido.

Protocolo de paralisação para possíveis casos de discriminação
O protocolo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) voltado ao combate à discriminação não trata apenas de episódios de injúria racial. Apesar de o racismo ser uma das principais preocupações, a norma também contempla outras manifestações discriminatórias, como xenofobia, homofobia, machismo, capacitismo e intolerância religiosa.
A CBF segue o modelo de três fases adotado pela FIFA. O procedimento prevê, inicialmente, a interrupção da partida diante de uma denúncia ou identificação de ato discriminatório. Caso a situação persista, o jogo pode ser suspenso temporariamente, com a retirada das equipes de campo. Em uma terceira etapa, se o problema continuar, a partida pode ser encerrada de forma definitiva, com possibilidade de punições ao clube responsável, incluindo derrota e perda de pontos.
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