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Oposição divulga carta aberta sobre eleições e gestão da Portuguesa

Documento contém críticas ao processo de aprovação da SAF, à torcida organizada e até à imprensa

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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A oposição da Portuguesa divulgou nesta terça-feira (8) uma carta aberta destinada à torcida, conselheiros e sócios, na qual comunica sua decisão de não participar das próximas eleições internas marcadas para 10 de dezembro. Segundo o grupo, a escolha reflete o entendimento de que a atual situação, responsável por sustentar a gestão ao longo dos últimos seis anos, deve assumir integralmente as consequências administrativas do período. Armando Gonçalves, representante da oposição e crítico frequente, já havia concedido recentemente uma entrevista reforçando sua posição contrária ao modelo de SAF implantado, apontando falhas estruturais e falta de clareza nos atos administrativos.

O texto da carta também reforça críticas à condução do processo de constituição da SAF, apontando que a aprovação teria ocorrido de forma “apressada” e sem a realização dos debates necessários. Os conselheiros de oposição voltam a questionar o contrato firmado com a Tauá, ressaltando a saída de XP e Reeve e afirmando que isso compromete o futuro do acordo. Eles repetem dúvidas sobre valores investidos, controle financeiro, governança da base e responsabilidades da empresa, além de mencionarem o balanço reprovado na Recuperação Judicial.

Além disso, a oposição direciona questionamentos ao atual presidente e aos conselheiros da situação, afirmando que a diretoria se mantém no poder há quase uma década e que decisões recentes teriam ampliado dívidas e gerado insegurança institucional. Segundo o grupo, a ausência de candidaturas oposicionistas nas mesas diretivas abrirá espaço para que a imprensa que cobre o clube atue “com independência”, sem possibilidade de atribuir responsabilidade à oposição por eventuais impasses. O texto reforça que seguirá fiscalizando o contrato da SAF e acompanhando cobranças internas, especialmente diante do que classificam como “irregularidades” no processo de aprovação e execução.

Por fim, os conselheiros oposicionistas afirmam que “o problema da Portuguesa nunca é a situação, mas sempre a oposição”, e sustentam que diversas narrativas adotadas pela diretoria não condizem com documentos oficiais, como a suposta redução da dívida. A carta também aborda a falta de andamento das obras no Canindé, destacando que, segundo eles, não há pedidos registrados na Prefeitura de São Paulo. 

Confira a carta na íntegra:

CARTA ABERTA

À torcida, aos sócios, aos conselheiros e a todos os que verdadeiramente honram a Portuguesa de Desportos.

Nós, Conselheiros de Oposição, vimos a público, em respeito às tradições e à transparência que a Lusa merece, comunicar o que segue:

1. Sobre as eleições internas de 2025

Após deliberação responsável e coerente com o cenário atual, a bancada de oposição no Conselho Deliberativo decidiu não apresentar candidaturas para a Mesa do Conselho e nem para a Mesa Executiva na próxima eleição (10 de dezembro de 2025).

Não nos furtaremos à disputa: simplesmente entendemos que cabe à situação, que por seis anos sustentou e endossou todas as decisões da atual gestão, assumir integralmente as consequências de seus próprios atos.

Não nos furtaremos de buscar internamente ou judicialmente a transparência dos atos: a justiça é para todos, então exigiremos a relação de justificativa, por escrito, de faltas de todos os conselheiros dos últimos 6 anos. Vamos ver se todos que votaram e que só aparecem em momentos de votação, estariam aptos para tal. Esperamos estar errados. Mas duvidamos. Queremos a verdade e a imparcialidade.

Só assim vamos organizar nosso clube.

2. Sobre a continuidade da gestão

É indispensável recordar que esta mesma diretoria:

  • mantém-se no poder há seis anos, sem entregar resultados que empolguem nossa torcida
  • estar na série A1 é obrigação diante da nossa história. A Lusa é elite!
  • essa direção aprovou a SAF de forma açodada, atropelando alertas técnicos e eliminando debates essenciais para algo tão importante para a existência da Lusa
  • eles ignoraram as ressalvas do COF e assinaram um contrato flagrantemente unilateral, fazem defesas desse negócio que beiram a irresponsabilidade administrativa e aí vale destacar, a Tauá, responsável, segundo eles mesmos afirmam, por um negócio que envolve UM BILHÃO DE REAIS, tem capital social de apenas 200 reais. Isso mesmo: R$200,00. A Tauá tem somente quatro anos de fundação e se diz especializada em nessa atividade de alavancar negócios e não apresenta nenhum caso.
  • A XP e a REEVE (investigada por ligação com o crime organizado), já avisaram que estão fora do negócio. E como fazem parte do contrato assinado, como fica o futuro desse projeto. Cadê o dinheiro do investimento? A Tauá fez um FIDC de 5 milhões com uma empresa de Itu e agora lançou no mercado uma debênture (empréstimo) de outros 30 milhões de reais, tudo isso sem passar pela então intermediária do contrato, a XP
  • a Tauá alega que já investiu 45 milhões, e a Administradora Judicial apontou outros 21 milhões de prejuízo só em 2025. Ou seja, 66 milhões de movimentação financeira em menos de um ano. Já fizeram a conta? Onde querem chegar? Quem presta conta de onde foi parar esse monte de dinheiro? Será que o interesse não é mesmo diluir mais e mais nossa participação (20%), até tomarem todo nosso patrimônio?

Se você está satisfeito com o desempenho esportivo, nós que amamos a Lusa não estamos!!!

As perguntas seguem:

Com que autorização a Tauá está oferecendo terceirizar a base da Portuguesa? Com toda essa receita recebida, o que foi feito com o dinheiro? Estamos pagando salários para um time ou para pseudos profissionais da engrenagem montada pela SAF, quais são esses profissionais e seus salários? Até agora o que essa gente de fato gerou para a Lusa a não ser promessas?

Ainda em se falando de prestação de contas, não é possível apoiar uma administração que lança na RJ (Recuperação Judicial), aos olhos do juízo, um balanço REPROVADO. Isso é uma VERGONHA, é CRIME.

O balanço de 2024, não foi apresentado, isso com o exercício anterior já reprovado.

Se a situação acredita no “projeto” que defende, ela terá que se responsabilizar integralmente por todas as consequências e não poderá utilizar a oposição como escudo ou desculpa por não ter cobrado e fiscalizado o que vem acontecendo desde que a SAF chegou à Portuguesa. Uma oposição existe para apontar o que está errado, essa é a obrigação e compromisso de quem está fora do poder.

Por falar nisso quem autorizou o atual mandatário a ser o representante do clube na SAF e ser remunerado por isso? Onde está o estatuto da SAF? A SAF e o estatuto foram efetivamente aprovados pelos órgãos do clube?

3. Nosso papel daqui em diante

Estaremos presentes no plenário do Conselho Deliberativo com a firmeza que sempre nos caracterizou:

  • Fiscalizando, denunciando, cobrando e garantindo que cada cláusula do contrato da SAF seja cumprida. Aliás contrato este que não passou pelos órgãos da Portuguesa e está sim comprometido, pois duas partes que assinaram o contrato já deixaram claro que não estão mais no negócio.

Não será por ausência da oposição que irregularidades prevalecerão.

4. Sobre a imprensa que cobre o clube

Com a oposição afastada das mesas diretivas, a imprensa que cobre o clube, terá finalmente o caminho livre para demonstrar se é capaz de fiscalizar com independência ou se continuará atuando como mera expositora da situação e suas ações.

Agora, não há mais desculpas: toda cobrança legítima deverá ser direcionada a quem governa.

5. Aos novos presidentes do Conselho e da Diretoria

Desejamos que o continuísmo escolhido pela situação não reproduza o caos administrativo dos últimos seis anos: aumento da dívida em mais de 200 milhões, pedaladas de taxas de juros, mútuos mal explicados, um verdadeiro balcão de negócios.

Onde está a apuração COMPROVADA que o atual mandatário receberia 5% da SAF do grupo Águia? Porque engavetaram? Estranho né? Será que há mais pessoas envolvidas?

Nosso presidente atual ainda em mandato no clube oferecendo consultoria a clube de Campinas pela bagatela de um milhão de reais.

Nosso mandatário que junto com os gestores da SAF atual, estão oferendo a mesma a vários locais: Santo André, São Caetano, Tupã e Jaguariúna. Viraram corretores de SAF? Vocês conselheiros da situação, apoiam isso? Pelo visto sim.

Por isso, é impossível ignorar que os eleitos são os mesmos que sustentaram e legitimaram todas as decisões do atual presidente.

Se nada mudar, a responsabilidade será de vocês — e apenas de vocês.

6. À Torcida Leões da Fabulosa

Sempre estivemos ao lado do clube, mesmo quando discordamos dos rumos impostos. Ser oposição não é ser inimigo: é defender princípios, transparência e responsabilidade.

A torcida que pressionou, apoiou e, por vezes, ultrapassou limites, agora tem a obrigação moral de cobrar a gestão que por vezes defendeu.

Afinal: qual avanço real o clube teve nos últimos seis anos, exceto o aumento das dívidas?

7. Manutenção de poder

Não somos nós da Oposição que estamos à frente do clube por quase 9 anos. Muitos dessa chapa de “situação” se perpetuam no poder há muitos anos. O atual Presidente figura nas Diretorias desde a gestão de Manuel da Lupa nos anos 2000. O atual Presidente do Conselho foi eleito por “essa gente” que a Torcida tanto canta na arquibancada. Essa gente, aliás, são os principais apoiadores da atual Diretoria. O principal apoiador é o Sr. Amilcar Casado (vamos rememorar, foi o mesmo que ganhou CARGO na Federação quando do caso Castrili e lá ficou por muitos anos), sr. Eduardo Gonçalves, mais conhecido como Brás, figurinha carimbada das últimas gestões, inclusive a que aterrou as piscinas.

E para terminar, duas pessoas desta chapa tem apelidos pejorativos de comissionamento no clube, um já bem antigo e outro, sr. Avelino, puxa saco do atual Presidente que, por muitos e muitos anos, estando do lado contrário, achincalhava em reuniões, do ex grupo político, chamando-os de ladrões e outros atributos. Refrescando a memória, esse senhor Avelino, candidato ao COF, apresentou em 2014 a empresa CAPES, que deu um cheque de 500 mil reais sem fundos ao clube.

8. Conclusão

Reafirmamos, de forma clara e contundente: “O problema da Portuguesa é sempre a oposição, nunca a situação”

Mentem quando dizem que foi efetuada a RJ e que a dívida caiu de 600 milhões para 170 milhões, mentira. Que apresentem um documento sobre isso. A Tauá, que se diz uma empresa especializada nesse tipo de negócio, hoje fala, que não iniciou as obras de NOSSO ESTÁDIO, por conta de dificuldades com a documentação. Beira a falta de vergonha na cara, pois como especialistas não fizeram o básico, que era checar a real possibilidade de aprovar um projeto na Prefeitura de São Paulo, para fazer uma grande obra no estádio. Checamos e não há nenhum pedido para absolutamente nenhum tipo de obra em NOSSO ESTÁDIO. Fizemos papel de palhaços, pois houve até jogo de despedida para início das obras. E nada.

Pois bem: agora não haverá oposição no comando. Que não se procure mais culpados. A nós, cabe seguir firmes na vigilância e no compromisso com a instituição.

No nosso clube, o errado se NORMALIZOU, a pequenez também.

Abaixamos a cabeça e aceitamos qualquer narrativa. O tempo e a história dirão quem tem a verdade.

Com respeito à torcida e à história do clube, desejamos êxito ao próximo mandato — conduzido, mais uma vez, pelos mesmos que estão aí há tantos anos.

Conselheiros contra o continuísmo!

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