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Chapa ‘Lusa Grande’ reage a acusações e cobra transparência da gestão da Portuguesa

Grupo afirmou que repudia qualquer irregularidade eleitoral, criticou as falhas administrativas e questionou a postura da chapa adversária

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Foto: Rebeca Reis/Ag. Paulistão

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A chapa ‘Lusa Grande’, da oposição, divulgou, no inicio da noite deste sábado (15), um posicionamento oficial em resposta às acusações e questionamentos que circularam nos últimos dias nos bastidores políticos da Portuguesa, que resultou em um pedido de impugnação da chapa. O grupo afirma repudiar qualquer possibilidade de fraude eleitoral e diz que apoia a apuração rigorosa dos fatos, responsabilizando quem tiver contribuído para eventuais falhas.

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No texto, a chapa sustenta que não teria tomado qualquer atitude que a beneficiasse indevidamente e critica a atual gestão por suposto “amadorismo administrativo”, citando o envio da lista oficial de sócios aptos a votar com nomes que hoje são contestados.

A ‘Lusa Grande’ também contesta a postura da chapa ‘Lealdade’, da situação, afirmando que o grupo adversário estaria alinhado a “velhas estruturas de poder”, além de supostamente contar com dirigentes de órgãos oficiais em grupos privados promovendo ataques a opositores. O comunicado cita ainda episódios passados, como a eleição da mesa do Conselho Deliberativo em 2021, quando quatro conselheiros falecidos teriam constado como votantes.

Outro ponto destacado é a crítica à condução da SAF e ao silêncio da chapa rival diante de prejuízos que teriam sido apontados pela administradora judicial da Recuperação Judicial. O grupo cobra detalhes sobre obrigações, possíveis conflitos de interesse e denúncias relacionadas ao Grupo Águia, afirmando que a comunidade lusitana tem o direito de receber esclarecimentos completos.

A ‘Lusa Grande’ reforça que recorrerá a todas as instâncias para garantir sua participação na eleição do Conselho Deliberativo e acusa a anulação de sua candidatura de representar risco à democracia interna do clube. O grupo termina defendendo a necessidade de eleições “livres, limpas e transparentes”.

Confira, na íntegra, a nota oficial da chapa ‘Lusa Grande’:

POSICIONAMENTO OFICIAL – CHAPA LUSA GRANDE
ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE DESPORTOS

Torcedores, conselheiros e associados,

A Chapa Lusa Grande vem a público para esclarecer, com total clareza, os pontos levantados nos últimos dias sobre nosso grupo e reiterar nosso respeito ao torcedor, às regras do clube e ao voto como caminho de decisão.

1 – Repudiamos, de forma absoluta, qualquer possibilidade de fraude eleitoral. Os pontos materiais levantados estão sendo apurados com rigor, e quem tiver dado causa, conduzido ou contribuído para as falhas será responsabilizado. As medidas internas de investigação já estão em andamento.

2 – Jamais tomaríamos qualquer atitude que nos beneficiasse indevidamente ou que manchasse o nome da Associação Portuguesa de Desportos. Nossa trajetória e nossos princípios não permitem atalhos.

3 – Causa estranheza que o Departamento Financeiro tenha enviado a listagem oficial de sócios aptos ao voto com os nomes que hoje são questionados. Se houvesse má-fé desta chapa, seria de se esperar que mais casos aparecessem. O episódio expõe o amadorismo administrativo da atual gestão.

4 – Agimos com boa-fé ao decidir não incluir outros cinco nomes que também estavam prontos para concorrer. Preferimos preservar a integridade do processo.

5 – Também surpreende que um veículo de comunicação tenha insinuado irregularidades dois dias antes do pedido formal de impugnação. É legítimo questionar a origem e o alinhamento dessas informações.

6 – Vale recordar que, na eleição da mesa do Conselho realizada em 14/12/2021, quatro conselheiros falecidos constaram como votantes. Houve pedido de impugnação, ele foi rejeitado e a eleição seguiu com a simples retirada desses votos, criando um precedente grave. Onde estavam os conselheiros da Chapa Lealdade naquele momento, cobrando a impugnação do pleito?

7 – A Chapa Lealdade afirma querer “tirar a Lusa desta gente”, mas busca apoio em velhas estruturas de poder e inclui em sua nominata dois ex-presidentes que renunciaram, deixando o clube em situação crítica. O discurso não combina com a prática.

8 – No grupo de WhatsApp da Chapa Lealdade não há plano de gestão. O que se vê são ataques, caricaturas e áudios depreciativos. Os registros recebidos serão encaminhados às autoridades competentes para a apuração de eventuais danos morais coletivos.

9 – Não houve qualquer posicionamento da Chapa Lealdade sobre a décima análise da administradora judicial, que aponta mais de quatro milhões de reais de prejuízo com a SAF em apenas nove meses de gestão. Tratar isso como normal é ignorar a gravidade do momento. É igualmente alarmante a falta de indignação diante do fato de o presidente da Diretoria ser remunerado pela SAF, contribuindo para o aumento do prejuízo operacional. Quem deve fiscalizar não pode receber da parte fiscalizada. Isso configura conflito de interesse evidente.

10 – Também causa espanto o silêncio diante da denúncia apresentada ao COF e registrada em ata, segundo a qual o presidente da Diretoria teria admitido o recebimento de 5% em operações ligadas ao Grupo Águia. Se há ata aprovada no COF, a comunidade tem o direito de saber o que foi apurado, quais providências foram tomadas e qual o posicionamento dos conselheiros diante desse possível conflito de interesse.

A Chapa Lealdade, que mantém dirigentes de órgãos oficiais em grupos atacando opositores, parece alheia ao momento crítico da Recuperação Judicial, cujo prazo decisório se encerra em 30/11. Relatórios da administradora judicial apontam um cenário sensível, com risco real de falência. Também não houve iniciativa para cobrar da REEVE e da REAG esclarecimentos sobre denúncias ligadas ao crime organizado ou sobre eventual entrada desses recursos no clube. Informações amplamente divulgadas indicam que a REEVE teria deixado o projeto, fato possivelmente omitido por conveniência eleitoral.

Da mesma forma, não se viu a diligência de consultar a Prefeitura para verificar a existência de processos, estudos ou iniciativas oficiais sobre os projetos anunciados. Fizemos essa checagem e não identificamos tramitação formal. Quem afirmar o contrário precisa apresentar documentos.

Reafirmamos que recorreremos, com base no devido processo e em nosso direito, a todas as instâncias necessárias para garantir nossa participação na eleição do Conselho Deliberativo. Convidamos a Chapa Lealdade a disputar nas urnas de forma limpa e transparente, colocando um voto para cada um dos 71 integrantes de sua nominata. A Portuguesa precisa de paz, união e responsabilidade institucional, não de ódio, polarização e exclusão. Somos torcedores. Queremos um clube forte. E só avançaremos pela democracia.

A anulação da candidatura da chapa de oposição mostra o risco de permanecermos presos às mesmas decisões que conduziram o clube ao caos. Se não há eleição, não há democracia.

É preciso esclarecer, com transparência e documentos:

  • Onde estão as obras do estádio e do empreendimento imobiliário?
  • Onde está o valor da venda do atleta Renan Peixoto?
  • Onde está a prestação de contas completa?
  • Por que a dívida da Portuguesa aumentou mais de R$4 milhões de reais sob a gestão
    da SAF?
  • Qual a explicação para os R$ 30 milhões em debêntures registrados na Junta
    Comercial em 14/10/2025 e qual o papel da XP?
  • Quanto foi efetivamente aportado pela SAF no clube?
  • Qual a apuração e quais as providências sobre a denúncia registrada em ata do COF
    de recebimento de 5% em operações ligadas ao Grupo Águia?

Responder a essas perguntas exige que o Conselho Deliberativo seja escolhido por eleição livre, limpa e transparente, como manda o Estatuto. Ao impedir a disputa eleitoral, fica evidente a tentativa de controle absoluto da instituição. A história cobrará os responsáveis por permitir que recursos apontados na imprensa como ligados ao crime organizado tenham entrado na estrutura financeira da Portuguesa. A falta de fiscalização revela abandono do dever estatutário. Caberá a cada um conviver com as consequências diante da coletividade lusitana.

Nossa chapa não nasceu apenas para fazer oposição. Nasceu para fiscalizar com rigor os atos da Diretoria e recolocar a Portuguesa no rumo certo. Essa missão está sendo travada por uma medida que afronta a legislação eleitoral. Seguiremos pelo caminho correto: voto, verdade e transparência. Porque o que nos move é a Portuguesa.

Chapa Lusa Grande

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