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O atacante Nilson Borges morreu na última quarta-feira (03/02), em Curitiba, aos 79 anos. Nilson era o ponta-esquerda de um timaço da Lusa, que sagrou-se vice-campeão paulista em 1960, atrás apenas do Santos de Pelé. Dono de um chute poderoso, Nilson também foi o principal destaque da histórica goleada que a Portuguesa aplicou no Corinthians, por 7 a 0, no dia 15 de novembro de 1961, Pacaembu.
Formado em sua maioria por jovens pratas da casa da escolinha do Canindé, dirigida por Nena e Noronha, o time da Portuguesa em 1960 era composto por Félix; Nelson, Ditão, Vilela e Juths; Odorico e Ocimar; Jair da Costa, Servílio, Silvio e Nilson.
Nesse time, apenas Juths, Odorico e Ocimar tinham mais de 25 anos, oriundos de outros clubes. Os demais eram da categoria de base, com idade entre 20 e 23 anos. Esse esquadrão conquistou vitórias expressivas no Paulista de 1960, como os 3 a 0 no Corinthians, no Parque São Jorge, os 4 a 1, no Palmeiras, os 4 a 3 no Santos, na Vila Belmiro, e os 4 a 3 no São Paulo, quando impôs a primeira derrota do tricolor em seu novo estádio do Morumbi.
Na penúltima rodada, Lusa precisava vencer o Noroeste, em Bauru, para forçar um jogo extra pela disputa do título contra o Santos. Em jogo totalmente atípico, a Lusa perdeu por 5 a 2. Um gesto de heroísmo, porém, amenizou a derrota. Na viagem de volta, no carro do diretor Jorge Maggi, estavam Félix, Nilson e seu pai, além do pai do atacante Silvio. Já era madrugada quando o grupo ia atravessar a ponte do rio Sorocaba, bloqueada por uma cancela. Um vigia surgiu e pediu socorro. Uma Kombi com uma família havia caído no rio. Maggi iluminou a área com uma lanterna.
Um homem, segurava uma criança de cinco anos, com a água na altura do peito. De cuecas, Felix e Nilson entraram no rio, seguidos pelo pai de Nilson. Félix resgatou a criança, mas começou a ser arrastado pela correnteza. Nilson o segurou. Todos foram resgatados. O homem, a criança e duas mulheres, uma delas grávida.
Que outro time proporcionaria uma manchete assim? “Lusa perde o título, mas jogadores salvam quatro vidas”.
No Campeonato Paulista de 1961, Nilson foi um dos protagonistas da antológica goleada por 7 a 0 sobre o Corinthians, em 15 de novembro de 1961. Ele marcou dois gols, o quinto e o sexto da vitória, mas o segundo gol impressionou o público. De posse da bola no campo de ataque, alguns metros depois do círculo central, Nilson desferiu um petardo no ângulo direito que superou o goleiro Aldo, no gol dos portões monumentais do Pacaembu. “A bola bateu no ferro da rede. Foi a minha partida inesquecível na Portuguesa, disse Nilson, em depoimento dado em agosto do ano passado ao livro “Lusa: 100 anos de amor e luta”. Foi ele também quem relatou o resgate da família que havia caído no rio.
Nilson atuou pela Portuguesa de 1959 a 1966, com 197 partidas e 39 gols marcados. Transferiu-se para o Corinthians. De 1968 a 1974, defendeu o Athletico Paranaense, com passagem pelo Coritiba. Nilson virou funcionário do Athletico até os seus últimos dias. Ele completaria 80 anos no próximo dia 16 de fevereiro. Na quarta-feira passada, no jogo contra o Internacional, o Athletico Parananese o homenageou, estampando seu nome nas camisas, abaixo dos números.
Texto enviado por Luiz Carlos Duarte
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