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Após um ano de trabalho da SAF, a perspectiva da torcida rubro-verde é a mesma da época de associação. Os velhos mantras voltam à tona: contar com a sorte, torcer por sucessivos milagres às quartas e domingos e rezar para tudo quanto é santo, entidades, deuses e divindades.
A torcida, tão calejada de promessas nunca realizadas e contratações quase sempre sem sentido, sente de longe quando mais um elenco esquecível (que se torna inesquecível pelos piores motivos) está sendo construído.
Desde os primeiros anúncios, as dúvidas giravam em torno de um único ponto: quando chegarão os jogadores para serem titulares? A cada permanência anunciada e a cada novo reforço anunciado, a certeza da incerteza cresce no torcedor. É nítido que falta ao elenco pelo menos dois jogadores acima da média. Não precisa ser muita coisa. Não queremos Gabigol, Depay ou Vitor Roque; basta trazer alguém que repita as atuações de Jajá e Renan Peixoto.
Voltando no tempo, no começo do Paulistão do ano passado, a SAF alegou ter tido apenas 20 dias de preparação. Isso é verdade: foi pouco tempo para conseguirem errar mais. Quanto mais tempo a SAF tem, mais entrevistas desastrosas o CEO Alex Bourgeois concede e mais contratações absurdas são realizadas: Lohan, Igor Torres, Carlos Eduardo, Gabriel Pires…
Diante de tantos organogramas, nomes de departamentos bonitos e groselhas vomitadas dizendo que agora o futebol da Lusa seria profissional, paira no ar qual a real estrutura do futebol da SAF. Quem dá a palavra final sobre os reforços?
O scout tão comentado pela SAF, como uma área proeminente na estrutura, a cada dia que passa dá a sensação de ser um mero departamento de dados, que estrutura as informações em um dashboard e entrega na mão de pessoas incompetentes. As figuras de Marco Antonio e Tadeu são apenas meros fantoches das ideias bizarras do CEO?
Marco Antonio voltou ao clube ano passado. O seu papel nunca ficou muito claro. Parecia mais uma babaquice o papo vendido pela SAF, de dar mentalidade vencedora a um grupo que não resistiu ao primeiro mata-mata. Já o VP de futebol, Tadeu, foi uma das primeiras figuras anunciadas na estrutura da SAF. Com um histórico de trabalho no mercado de transferências, veio apenas ser um negociador ou tem preponderância nas decisões da SAF?
Apesar das dúvidas lançadas sobre scout, Marco Antonio e Tadeu, particularmente, por tudo que vimos, lemos e ouvimos durante este primeiro ano da SAF, fica claro que todas as decisões passam pelo aval do CEO falastrão.
Desde a primeira entrevista como CEO da SAF, Alex Bourgeois nunca escondeu que seria uma máquina de promessas vazias, ou melhor, promessas que não se sustentariam, com doses carregadas de egocentrismo e arrogância. Comportamento típico de uma pessoa incompetente que se acha genial.
Por falar em incompetência, quando olhamos o currículo do nosso CEO, a trajetória é marcada por fracassos. Quase sempre “culpados” pelas crises políticas dos clubes, mas nunca por uma autocrítica de entender que o futebol é muito mais do que gostar e ter dinheiro para investir. Amar o esporte e ter dinheiro para investir não fazem de ninguém um profissional bem-sucedido.
Quase todas as ideias, sem exceção, envelheceram mal antes de completarem um ano: transformar o Pacaembu em nossa nova casa, um patrocinador master que aumentaria consideravelmente a receita, futebol heavy metal e scout ser a base das contratações. Basta olhar o elenco atual para ter uma dimensão de que falta dinheiro e sobra incompetência na grande maioria das contratações.
Inadmissível um clube profissional, que sustenta o discurso de modernidade, apostar em soluções que mais parecem gambiarras do que prospecção. Um lateral direito para ser a solução dos problemas de ataque? Trazer um volante em declínio físico e técnico para ser o camisa 10? Trazer um centroavante que estava na reserva de um time da terceira divisão da Espanha? Casos que, na época de associação, eram normais e criticados como devem ser.
A principal contratação que a SAF deveria fazer para 2026 está fora de campo. O CEO falastrão e todos os investidores desse projeto deveriam incorporar nas suas rotinas um sentimento chamado humildade. Humildade de reconhecer que fracassaram em 70% das contratações. Humildade em reconhecer que o CEO Alex Bourgeois não tem a menor condição de ser o decisor das contratações do departamento de futebol.
Enquanto a humildade não bate à porta do escritório no Itaim Bibi, a realidade já se instalou no CT no Cangaíba: um elenco péssimo e limitado agora está pressionado por resultados imediatos. O que já é naturalmente ruim tende a se tornar pior pela pressão. Pressão das arquibancadas, que no sábado estarão impacientes já no primeiro erro de passe. Pressão da própria diretoria, convicta de que são geniais. Pressão dos próprios atletas, que desejam se provar e calar este escriba.
Cabe a nós, meros torcedores, torcermos por algum milagre. Afinal, sendo associação ou SAF, apenas sobrevivemos e aguentamos à espera da sorte cruzar o nosso caminho.
Sábado, pela nossa camisa, pela nossa história e pela nossa sobrevivência, mais uma vez precisamos ganhar.
* Tiago Cabral, 33 anos, privilegiado por ter visto a última era de ouro da Portuguesa. Súdito de Capitão, cover fracassado de Clemer e o maior anticandinho do Pari. Corneteiro profissional com análises totalmente ácidas quando se trata da Lusa.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA
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