Foto: Divulgação

Corria o ano de 1956 quando a Portuguesa adquiriu, do São Paulo, o terreno do Canindé. Para que pudesse abrigar os jogos da equipe de futebol, foi construída uma arquibancada de madeira e um campo oficial cercado por alambrados. Como ficava na várzea do Rio Tietê, o local ganhou o simpático apelido de Ilha da Madeira.

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Antes do Tricolor, porém, o terreno pertenceu a um clube da colônia alemã, o Deutsch Sportive. Por causa da perseguição promovida contra os clubes ligados aos países do chamado Eixo (Alemanha, Itália e Japão), na Segunda Guerra Mundial, os germânicos resolveram vender o terreno antes do seu iminente confisco. 

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O jogo inaugural, realizado no dia 11 de janeiro de 1956, envolveu a Portuguesa e um combinado dos times do Palmeiras e do São Paulo. E a Lusa começou bem, vencendo por 3 a 2, tendo o primeiro gol do jogo – e, portanto, do estádio – sido marcado pelo sãopaulino Nelsinho. 

Com o passar do tempo e a abnegação dos grandes homens que fizeram a história da Portuguesa, as bancadas de madeira foram dando lugar à estrutura de concreto que existe hoje. Em 1972, na gestão do saudoso presidente Oswaldo Teixeira Duarte, a Lusa realizou algumas partidas para marcar a inauguração do primeiro anel da arquibancada, então com capacidade para 10 mil torcedores. 

O convidado para a primeira partida foi o Benfica, de Portugal. Naquela tarde, devido à chuva torrencial que desabou sobre a capital paulista, o jogo foi interrompido aos 33 minutos da etapa complementar, quando o placar anotava 3 a 1 a favor dos Encarnados. Marinho Peres, de pênalti, marcou o primeiro tento da Lusa na nova casa, à época com o nome de estádio Independência. Coube a Vitor Batista, porém, a honraria de anotar o primeiro tento. da nova casa rubro-verde. 

Confira a ficha técnica do primeiro jogo do Estádio do Canindé: 

Portuguesa 1 x 3 Sport Lisboa Benfica 

Data: 9 de janeiro de 1972 

Árbitro: Oscar Scolfaro 

Gols: PORTUGUESA: Marinho Peres (de pênalti, aos 10 minutos do segundo tempo); BENFICA: Vitor Batista (aos 17 minutos), Jordão (aos 22 minutos do primeiro tempo), e Simões (de pênalti, aos 12 minutos do segundo tempo) 

Portuguesa: Aguilera, Deodoro, Marinho Peres, Calegari e Fogueira; Lorico e Dirceu (Luís Américo); Ratinho (Xaxá), Cabinho, Basílio e Piau. Técnico: Rubens Minelli;

Benfica: José Henrique, Da Silva, Messias, Rui Rodrigues e Adolfo; Toni e Vitor; Nenê (Artur), Vítor Batista, Jordão e Simões. Técnico: Jimmy Hagan

O craque Eusébio viajou com a comitiva benfiquista, mas, lesionado, não entrou em campo. O mesmo valeu para Carlos Alberto Torres, emprestado pelo Santos para atuar no jogo festivo, mas sua participação limitou-se a trocar as flâmulas com Simões, capitão do Benfica, e a posar com o time na foto oficial da partida porque também estava machucado.

Nos outros jogos realizados em torno do evento, chama a atenção a partida realizada contra o Željezničar, da antiga Iugoslávia (atual Bósnia e Herzegovina). Naquela partida, a Lusa contou com o reforço do craque Roberto Rivellino, emprestado pelo Corinthians apenas para aquela ocasião, fato comum na época. O placar foi de 2 a 0 para a Portuguesa, e o Reizinho do Parque marcou, de pé direito, um dos gols da Lusa. 

Outro jogo marcante entre os inaugurais da casa portuguesa foi disputado contra a Seleção do Zaire. Djalma Santos, com 42 anos, fez sua última partida defendendo as cores da Lusa. Ele atuou por 30 minutos e foi substituído por Cardoso para ser aplaudido de pé pela torcida e cumprimentado por todos os jogadores que estavam em campo.

No ano seguinte se iniciaram as obras de construção do anel superior, que ainda hoje abriga as cabines de imprensa, as tribunas e camarotes e as cadeiras numeradas cobertas. 

Em 1981 foi realizado um torneio em comemoração à inauguração dos refletores. Era um quadrangular com a participação de Corinthians, Fluminense e Sporting (POR). A Lusa venceu o Fluminense nos pênaltis, por 4 a3, após empate por um gol no tempo normal. Do outro lado, os Leões bateram o Corinthians por 1 a 0. Na decisão, vitória da Lusa por 2 a 0, gols de Caio e Beca. 

Três anos depois, o presidente Oswaldo Teixeira Duarte foi imortalizado com a maior homenagem que poderia receber: a casa portuguesa passou a se chamar oficialmente Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte. 

O maior público da história do Canindé foi observado no dia 10 de outubro de 1982, quando 25.662 pessoas (23.858 pagantes) assistiram ao clássico Portuguesa 1 x 3 Corinthians. Em se tratando de público pagante, porém, nenhuma partida supera as quartas-de-final do Brasileirão de 1998. 25.491 pessoas pagaram para ver a vitória da Lusa sobre o Coritiba, por 3 a 1, no dia 15 de novembro.

Hoje a casa portuguesa completa 50 anos. Meio século de um sonho que se tornou realidade em 9 de janeiro de 1972, chamado de Estádio Independência.
Independência, mas poderia se chamar Orgulho, Amor ou Fé, que são os sentimentos que nos movem, que nos guiam, que nos sustentam.

Em tempos de arenas modernas, de elitização nos estádios, de obras nababescas sem alma e pasteurizadas sob o padrão FIFA, o lugar onde nos sentimos à vontade é o humilde e nosso Canindé. É o rio que corta a nossa aldeia. É onde nós nos encontramos com os nossos, é onde temos a sensação de pertencimento. É o nosso lugar no mundo. É o nosso lar.

* Marcos Teixeira, 43, é jornalista, lusitano e colunista do site Ludopédio.org

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2 comentários

  1. Muito obrigado! Muito emocionante essa pequena história do nosso Canindé.
    Ela mostra que quando nos unimos a Portuguesa torna-se grande. Compramos o terreno e construímos o estádio que é o melhor localizado em nossa capital.
    A prefeitura ajudou, cedendo o terreno vizinho? Sim e agradecemos mas foi só. Nem mais nem uma ajuda crescemos por nós mesmos.

  2. O melhor estádio pra assistir futebol, seja dentro ou seja fora
    Merecia que os primeiros jogos das decisões do Paulista de 85 e principalmente do Brasileirao tivessem acontecido lá
    O Canindé é e sempre será ” Uma casa portuguesa com certeza”

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