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Longe dos holofotes, distante alguns milhares de quilômetros dos Estados Unidos, onde se disputa o Mundial de Clubes da Fifa, a Portuguesa vive seu dia a dia, de olho na sua própria Copa do Mundo, a Série D do Campeonato Brasileiro. E em meio a vitórias e derrotas, o que lhe confere atualmente o posto de líder do grupo A-6 da D, há um outro “campeonato” paralelo o qual uma vitória rubro-verde vai significar colocá-la de vez na rota dos grandes clubes do País. Qual seja: a Recuperação Judicial.
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É um “campeonato de pontos corridos”, onde a Lusa, algumas vezes, saiu perdendo dentro e fora de casa, ou seja, em todas as instâncias. Mas depois que virou Sociedade Anônima do Futebol (SAF), a proa da nau rubro-verde se ajustou. E os ventos começaram a soprar de maneira mais coordenada e intensa.
O resultado é que se ainda não dá para gritar “terra à vista”, já dá para enxergar um farol lá no fim do oceano. Porque a aprovação do plano de Recuperação Judicial junto a credores realizada em assembleia no fim de maio de 2025, trouxe esperança ao sentimento de “navegar é preciso”.
Falta ainda, claro, o sinal verde do poder judiciário, mas já há quem respire aliviado com as boas novas desse improvável além-mar. Afinal, com dívidas estimadas ao redor de R$ 550 milhões e com receita diminuta, imaginar que ela seria resgatada num passe de mágica nunca foi razoável. Nunca.
Mas por que retomo essa conversa nesse momento? Porque será a Recuperação Judicial rubricada pela Justiça Brasileira que dará “novos mares” à Portuguesa. O périplo a qual está submetida na Série D nacional será apenas um pedágio desportivo necessário para que ela volte a assumir condição competitiva, como a sua história atesta através de décadas.
O renascimento da Lusa não se dará com a ascensão à Série C nacional. O renascimento da Lusa se dará com a homologação da Recuperação Judicial, porque será ela o vetor de crescimento do clube.
Subir para a Série C é obrigação, mas de nada adiantará se a Lusa não estiver sadia financeiramente. Trocando em miúdos, com dívida pela frente, claro, mas com sólido cronograma de pagamentos.
Sem isso, hasta la vista Série A. Porque ela pode até subir de divisão, mas viverá na corda bamba. Sem consistência financeira para honrar compromissos e contratar grandes jogadores, que tanto povoam o imaginário do torcedor rubro-verde. Ou seja, sem competitividade alguma.
Tudo bem, tudo bem, que ninguém comemora balanço financeiro positivo – mas deveria. Porque quando se está no vermelho, todo mundo o utiliza para criticar a gestão da vez, não é mesmo?
Portanto, ter uma boa gestão fez, faz e continuará fazendo toda diferença. Ou algum torcedor acha que a Sociedade Esportiva Palmeiras teria sido superior ao Futebol Clube do Porto na partida desse domingo, nos Estados Unidos, se não tivesse caixa para ter investido mais ou menos US$ 90 milhões no início de 2025? Hein?
Ou que o Flamengo estaria desse jeito, acaso não tivesse equacionado seu histórico endividamento? Ou, mais longe, o Botafogo não teria achado um caminho, se não tivesse feito a dura opção de também profissionalizar a sua gestão? Pois é…
Portanto, ter a casa em ordem significa mais ou menos nos dias de hoje como contratar o Cristiano Ronaldo para vestir por 1 mês a camisa do teu time em um mundial de clubes da Fifa. Sem isso, as boas campanhas em quaisquer certames são apenas vitórias de Pirro.
* Maurício Capela é jornalista há 28 anos. Comentarista, já trabalhou em diversos veículos, como RedeTV!, 105 FM, Tropical FM, Veja, Valor, Gazeta Mercantil.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA
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