Início Colunas Coluna do Edgar Lopes Embalada por canção dos anos 80, Portuguesa vence e vai às oitavas

Embalada por canção dos anos 80, Portuguesa vence e vai às oitavas

Equipe enfrentou Marcílio Dias no último sábado (11) e credenciou-se à próxima fase com o placar de 2 a 0

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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No último sábado (11), minutos antes da Portuguesa entrar em campo, a equipe de som do Canindé botou para tocar a canção “Eye of the Tiger”, da banda norte-americana Survivor. Me espantei. Chrystian Gedra, não. “Eles colocaram no último jogo”, me informou aos risos. 

Para quem não conhece: é uma das canções de rock mais icônicas da história, lançada em 1982. A música foi composta especialmente a pedido de Sylvester Stallone para servir como tema do filme Rocky III. A expressão traduz-se como “Olho do Tigre”, uma metáfora para foco absoluto, determinação, garra e instinto de sobrevivência.

Hoje, não raro, toca de academias (não essencialmente de lutas) a estádios, passando por vários eventos que envolvam esportes e superação. O boxe? O boxe foi só a inspiração. 

Mas quem teve a ousadia de meter isso nos alto faltantes do Canindé garantiu que os comandados de Ademir Fesan ouviriam do vestiário? Se ouvem param por pouco mais de quatro minutos para entrar na energia da música e esquecem-se de rezar ou de ouvir o que o comandante tem a dizer?

As respostas, a título de curiosidade ou não, só eles mesmos podem dizer. O que nós, torcedores, podemos afirmar é: do outro lado, leia-se Marcílio Dias, não se manifestaram em campo qualquer uma das palavras que definam a canção de Rocky Balboa.

A Portuguesa venceu por 2 a 0 e, de novo, poderia ser mais. Não se trata aqui de reclamar, mas de constatar que o adversário não oferecia riscos e que, portanto, poderia, sim, fazer três ou quatro gols, por exemplo. 

Os recuos ao goleiro Bruno Bertinato faziam gelar a espinha dos quase 5.000 torcedores. Não foram duas ou três vezes, mas várias ao longo do primeiro tempo. Verdade seja dita, tirando essas ocasiões o arqueiro luso pegaria um bronzeado nos primeiros 45 minutos e sentiria frio na segunda parte.

Duas coisas chamaram a atenção da torcida: O ímpeto e as jogadas de Igor Torres, ligado o jogo inteiro e distribuindo passes (dois deles ótimos ainda na etapa inicial); e as mexidas de Fesan no segundo tempo. Por que Guilherme Santos no lugar de Lucas Hipólito?

Apesar dos pesares, a Portuguesa, sua torcida e a SAF, claro, podem se dar por satisfeitas, o resultado foi feito e o calendário segue aberto. 

QUESTÕES

Porém, é imprescindível fazer duas indagações. A primeira delas externada nas arquibancadas e nas redes sociais. Por que mesmo com ingressos de graça a torcida da Portuguesa não se faz presente nos jogos

E a segunda, minha, ao comandante: Se jogarmos com um adversário que faz marcação alta (horrível essa expressão, mas vá lá), que faça a transição pelos lados em velocidade ou ainda que tenha um sistema defensivo mais sólido, a Portuguesa tem chances ou esquemas de jogo para esses desafios? A equipe está preparada para adversários mais difíceis onde será exigido coesão e inteligência tática?

Espero que a resposta seja positiva e que de alguma maneira os jogadores ouçam a canção e percebam nela o mesmo sentimento de quem está no estádio incentivando-os.

Risin’ up, straight to the top

Had the guts, got the glory

Went the distance, now I’m not gonna stop

* Edgar Lopes, jornalista há mais de 25 anos, orgulhoso de ter gritado gols – muitos gols – de Dener, Tico, Bentinho e Cia. Vive entre o amor dos anos 90, a tristeza de 2002 e o ódio de 2013. ¿Te das cuenta, Benjamín? El tipo puede cambiar de todo: de cara, de casa, de familia… de novia, de religión, de Dios… pero hay una cosa que no puede cambiar, Benjamín… no puede cambiar… de pasión. — Pablo Sandoval, em “O Segredo dos Seus Olhos”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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