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Silêncio ou mobilização? O jogo fora de campo que a Lusa não pode perder

Na semana mais importante do clube, a ausência de uma campanha para mobilizar a torcida pode desperdiçar um dos maiores ativos da SAF: o engajamento do torcedor

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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A Portuguesa vive, neste sábado (25), talvez o momento mais decisivo de sua reconstrução até aqui. A partida de volta diante do Uberlândia-MG vale muito mais do que uma classificação para as quartas de final da Série D do Campeonato Brasileiro. Vale a continuidade de um projeto, a manutenção de uma narrativa positiva construída desde a chegada da SAF e, principalmente, a oportunidade de aproximar ainda mais a torcida do clube.

Por isso, chama a atenção a estratégia adotada pela SAF durante a semana que antecede o confronto. O departamento de marketing optou por reduzir sua comunicação nas redes sociais e não desenvolver uma campanha específica de mobilização para levar o maior público possível ao Canindé, ou nenhuma outra comunicação direta sobre o jogo. A justificativa seria preservar o elenco e criar um ambiente de maior concentração após a derrota por 2 a 0 no jogo de ida.

A intenção é compreensível. Mas, sob a ótica do marketing esportivo, talvez seja justamente o caminho oposto daquele que a situação exige. Para não fazer uma análise superficial, esta coluna vai apresentar o porque este pode não ser o melhor caminho. Além disso, a importância de aumentar ainda mais a esperança na virada.

O maior patrimônio da Portuguesa é sua torcida

Todo clube possui ativos valiosos. Enquanto alguns têm grandes receitas de televisão, outros contam com elencos milionários ou grandes patrocinadores. Entretanto, a Lusa possui um ativo que nenhuma SAF pode comprar: uma torcida extremamente apaixonada e historicamente resiliente.

Nos últimos anos, a própria gestão trabalhou para reconstruir essa conexão. As campanhas institucionais, o crescimento do programa de sócio-torcedor, as ações de experiência e o fortalecimento da marca aproximaram novamente clube e arquibancada.

Em momentos como este, esse patrimônio precisa ser acionado. Porque o marketing não serve apenas para vender camisas ou divulgar patrocinadores. Ele existe, principalmente, para mobilizar pessoas diante da sua paixão.

O silêncio comunica

Existe uma máxima na comunicação corporativa que também vale para o futebol: quando uma marca deixa de falar, ela também está comunicando alguma coisa. Neste caso, o silêncio pode ser interpretado como resignação.

Enquanto isso, o próprio Uberlândia conseguiu criar um ambiente favorável antes do jogo de ida, mobilizando sua torcida e levando mais de 10 mil pessoas ao Parque do Sabiá.

Não foi apenas uma vitória técnica, como também foi de ambiente. O marketing lusitano precisa entender uma coisa: o futebol é emocional e o ambiente também joga, a favor ou contra. Seja para quem adentrará o gramado do Canindé ou quem estará gritando nas arquibancadas.

A esperança também precisa ser comunicada

É natural que, após uma derrota por dois gols de diferença, as críticas apareçam. Isso é comum e faz parte da paixão que move o futebol. Contudo, é justamente nesses momentos que o departamento de marketing precisa assumir protagonismo.

Não com postagens mirabolantes e nem vídeos cinematográficos. Mas com mensagem simples, diretas e eficientes, tais como:

“A gente vê no Canindé.”

“Vamos lutar até o fim.”

“Os últimos 90 minutos começam agora.”

“Joguem por nós. Nós estaremos com vocês.”

O famoso “arroz com feijão” da comunicação costuma funcionar muito melhor do que grandes experimentações quando o momento exige união. O objetivo não seria convencer quem já desistiu, mas fortalecer a fé de quem ainda acredita. Após o jogo, a fala do volante Thiaguinho pedindo apoio deveria ser usada insistentemente para pregar essa união.

Nossa história ensina que desistir nunca foi uma opção

Se existe um clube acostumado a desafiar previsões, esse clube é a Portuguesa. Em 1996, por exemplo, a classificação para a fase decisiva do Campeonato Brasileiro parecia improvável. A combinação de resultados necessária era considerada praticamente impossível.

Mesmo assim, ela aconteceu. A Lusa chegou ao mata-mata e terminou vice-campeã brasileira, construindo uma das campanhas mais marcantes de sua história. Outro exemplo veio em 2013.

Mesmo disputando a Série A do Campeonato Brasileiro, a Portuguesa entrou na Série A2 do Paulista cercada de desconfiança. Após uma goleada por 7 a 0 sofrida diante do Comercial na primeira fase, houve troca de treinador, ambiente conturbado e poucas perspectivas.

O restante da história o torcedor conhece. Com o auxiliar Edson Pimenta no comando, a equipe encontrou forças para reagir e conquistou o título estadual. Mesmo com uma onda de críticas da torcida perante a qualidade do futebol praticado. Momento um pouco semelhante ao de agora, não é mesmo?

Esses episódios não garantem uma classificação contra o Uberlândia. Mas ajudam a lembrar por que a esperança faz parte da identidade lusitana.

O marketing também entra em campo

Um erro comum é imaginar que marketing termina quando o árbitro apita o início da partida. Na verdade, ele começa muito antes com cada publicação, vídeo, convocação e campanha. Tudo isso influencia a expectativa, o ambiente e o sentimento coletivo.

Em um jogo que pode representar um divisor de águas na reconstrução do clube, deixar de mobilizar a torcida significa abrir mão de um dos poucos fatores que ainda podem ser potencializados antes da bola rolar.

A força da arquibancada nunca esteve apenas nos números

É evidente que haverá críticas. Alguns torcedores perderam a confiança. Outros questionam decisões da SAF. Isso faz parte do debate natural de um clube centenário. Mas também existe uma maioria silenciosa que continua acreditando. Que sofre, apoia e entende que o futebol já escreveu histórias improváveis inúmeras vezes.

Acredito que poderíamos tomar para nós uma frase famosa do ex-presidente estadunidense Barack Obama em sua primeira campanha eleitoral. Um homem no qual muitos não acreditavam que poderia vencer aquelas eleições de 2008, mas com somente três palavras “Yes, we can” (Sim, nós podemos) surpreendeu as pesquisas, adversários e o povo conquistando uma eleição histórica.

Há alguns dias, no NETLUSA Debate, fiz um apelo para que o torcedor comparecesse ao jogo contra o Marcílio Dias-SC. Faço novamente. Porque, se as redes sociais oficiais optaram pelo silêncio, talvez caiba à própria torcida assumir essa mobilização.

Convide um amigo.

Leve um familiar.

Compartilhe a mensagem.

Vista a camisa.

Porque, independentemente do resultado, a reconstrução da Portuguesa sempre passou pela arquibancada.

E talvez seja justamente nela que esteja a maior chance de transformar um cenário improvável em mais um capítulo inesquecível da história lusitana.

Como diz um dos lemas da Leões da Fabulosa: “Sozinhos somos fortes. Juntos, invencíveis.”

Formado em jornalismo pela Universidade Guarulhos (UNG), Chrystian Gedra tem 33 anos e passagens pelo extinto Lusa News, portal Terceiro Tempo, jornal Guarulhos Hoje, Farol Autos e Jornal do Farol, além de ter sido assessor de imprensa da Portuguesa em 2016. Atualmente conta com mais de seis anos de experiência em marketing e faz parte do time da agência Mind4.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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