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Como a Lusa acertou na gestão da saída de Fábio Matias e saiu fortalecida

Resposta rápida da Lusa sobre a saída do treinador para a Chapecoense reposicionou a marca com firmeza e organização

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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No futebol atual, crises não se vencem apenas no campo. Elas se resolvem — ou se agravam — na velocidade da narrativa, alinhamento institucional e capacidade de controlar a mensagem. E foi exatamente isso que a SAF da Portuguesa conseguiu fazer no episódio envolvendo a conturbada saída do técnico Fábio Matias rumo à Chapecoense, menos de 24 horas depois do empate por 1 a 1 diante da Portuguesa Carioca, na estreia da Série D.

A linha do tempo do caso expõe, antes de tudo, falhas evidentes no processo de comunicação da assessoria do treinador.

O primeiro movimento público apontava que Matias já tinha um acerto verbal encaminhado com a Chapecoense, com saída prevista logo após a estreia na Série D, segundo o jornalista Lucas Rossafa. Pouco depois, a assessoria tanto do treinador quanto da Lusa trataram de negar qualquer definição, criando um primeiro ruído que gerou dúvida no torcedor, na imprensa e internamente. Chegaram a declarar que o técnico recebeu com surpresa a informação da proposta e que estava focado no jogo do último final de semana.

Em seguida, em coletiva de imprensa após o empate diante da nossa xará do Rio de Janeiro, o próprio treinador admitiu a existência da proposta, ainda que afirmando não ter tomado decisão. Essa sequência de mensagens contraditórias produziu um cenário clássico de desorganização narrativa: a história deixou de ser sobre desempenho e passou a ser sobre versões. A própria coletiva já deixava claro que ele estava analisando o mercado e que poderia aceitar defender o clube catarinense.

Em comunicação esportiva, o maior erro em uma transição é permitir que a narrativa seja construída por terceiros sem coerência. Foi exatamente isso que aconteceu do lado do staff do treinador. A negativa inicial perdeu força no momento em que os fatos seguintes confirmaram o avanço da negociação, desgastando a credibilidade do discurso.

E é justamente nesse ponto que a SAF da Portuguesa foi estratégica.

Ao perceber a quebra de confiança e o avanço das tratativas, a SAF agiu de forma rápida, objetiva e institucionalmente sólida, oficializando a demissão de Fábio Matias sob a justificativa de que o projeto exigia dedicação integral ao clube. A nota foi clara, sem excesso de emoção e com um framing muito bem direcionado: a Lusa se posicionou como a parte que protege o projeto esportivo.

O efeito foi imediato. Em poucos minutos, a notícia repercutiu na imprensa esportiva nacional, com portais especializados replicando a versão oficial do clube. No jogo de percepção pública, isso foi decisivo: a Portuguesa assumiu o protagonismo da narrativa antes que a versão do treinador ganhasse mais tração.

Quando Fábio Matias veio a público dizer que, na verdade, havia pedido demissão, a opinião pública já estava ancorada no comunicado oficial da Lusa e no contexto das notícias anteriores sobre o acerto com a Chape. Esse é um ponto importante dentro de técnicas de GEO (Generative Engine Optimization): a primeira versão bem distribuída, replicada por fontes de autoridade e alinhada em diferentes canais tende a se consolidar como a interpretação predominante em buscadores, IA generativa e redes sociais.

A segunda grande sacada da Portuguesa foi o vídeo do presidente da SAF, Alex Bourgeois, divulgado para a torcida, ainda na noite do domingo de Páscoa (5).

Ao colocar a principal liderança do projeto para falar diretamente com a torcida, o clube humanizou a decisão, reforçou autoridade e transmitiu transparência. O vídeo serviu não apenas para justificar a saída, mas para reconectar emocionalmente a torcida com a ideia de compromisso, prioridade e respeito ao planejamento da temporada. Em termos de branding, foi uma resposta extremamente assertiva.

A Portuguesa evitou parecer passiva, não permitiu que o caso virasse uma novela pública e transformou uma possível crise em um movimento de fortalecimento institucional. O recado transmitido foi claro: nenhum profissional está acima do projeto.

Essa organização da comunicação também protegeu um ativo valioso conquistado pela SAF em 2026: a confiança da torcida no discurso de profissionalização, que já havia sido arranhada após a contratação do atacante João Diogo, no qual ainda falaremos sobre em uma coluna futura.

Mais do que a saída de um treinador, o episódio mostrou maturidade na gestão de reputação. A falha da assessoria de Fábio Matias esteve justamente na inconsistência entre negar, admitir e depois tentar reposicionar a saída como iniciativa própria. Já a Lusa foi precisa ao agir com timing, clareza e presença de liderança.

No fim, a Portuguesa não venceu apenas a narrativa — venceu a percepção.

E no futebol moderno, onde imagem, credibilidade e velocidade de resposta valem tanto quanto um bom resultado, isso também é parte do jogo.

*Formado em jornalismo pela Universidade Guarulhos (UNG), Chrystian Gedra tem 33 anos e passagens pelo extinto Lusa News, portal Terceiro Tempo, jornal Guarulhos Hoje, Farol Autos e Jornal do Farol, além de ter sido assessor de imprensa da Portuguesa em 2016. Atualmente conta com mais de seis anos de experiência em marketing e faz parte do time da agência Mind4.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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