Início Colunas Coluna do Chrystian Gedra As cinco piores ações de marketing da Lusa nos últimos anos

As cinco piores ações de marketing da Lusa nos últimos anos

Do “leitão na arquibancada” ao carnê impopular, relembre estratégias que falharam em ativação, timing e posicionamento da marca Portuguesa

29
Foto: Ronaldo Barreto/NETLUSA

Receba as principais notícias da Portuguesa no seu WhatsApp!

Ícone WhatsApp Seguir

No futebol moderno, o marketing deixou de ser apenas um complemento e passou a ser peça-chave na construção de marca, engajamento e geração de receita. No caso da Portuguesa, essa necessidade se torna ainda mais evidente diante dos desafios esportivos e financeiros enfrentados nas últimas décadas.

Se por um lado vemos avanços recentes em ações que aproximam o clube da torcida e ampliam sua presença digital, conforme comentamos em nossas últimas colunas, por outro, a história recente também guarda exemplos que mostram exatamente o que não deve ser feito quando o assunto é estratégia, comunicação e entendimento do público.

Diante disso, optamos por revisitar cinco ações de marketing da Portuguesa que repercutiram negativamente, seja pela falta de planejamento, desconexão com o momento do clube ou simplesmente pela execução equivocada. Mais do que críticas, os casos servem como aprendizado sobre a importância de alinhar marca, torcida e contexto.

Leitão na arquibancada: ação viral pelo motivo errado

Foto: Divulgação

Em 19 de julho de 2016, na derrota para o Tombense pela Série C, a Portuguesa protagonizou uma das ações mais lembradas — e criticadas — pela torcida.

Durante a partida, um garçom circulou nas arquibancadas com um “Leitão à Bairrada”, promovendo um patrocinador. A proposta era destacar a autenticidade da culinária portuguesa, mas a execução gerou estranhamento imediato: os torcedores sequer puderam experimentar o prato.

O resultado foi uma ação desconectada do contexto do jogo, ainda mais em um cenário de derrota em campo. O episódio viralizou negativamente e até hoje é citado como exemplo de ativação mal planejada — onde a expectativa criada não correspondeu à entrega.

 “Portuguesa não. Lusa!”: tentativa de reposicionamento sem necessidade

Foto: Divulgação/Portuguesa

Nos anos 90, surgiu uma tentativa de reposicionar a marca do clube, reduzindo o uso de “Portuguesa” e adotando oficialmente o apelido “Lusa”.

A iniciativa, liderada pelo então presidente Manuel Pacheco, partia da ideia de modernizar a identidade e ampliar o apelo popular. No entanto, a estratégia ignorava um ponto fundamental: a força histórica e cultural do nome Portuguesa.

Diferente de clubes que precisaram mudar de nome por questões políticas — como Sociedade Esportiva Palmeiras e Cruzeiro Esporte Clube —, a Lusa não tinha essa necessidade.

A tentativa não se sustentou como estratégia de branding e reforçou a percepção de falta de direção clara na construção da marca.

Lusa e tapetes: oportunidade desperdiçada em meio à crise

Em 2014, pouco tempo após o polêmico episódio do caso Héverton em 2013, a Portuguesa anunciou patrocínio com uma empresa de tapetes.

O contexto era delicado: o clube havia sido rebaixado nos tribunais, gerando enorme repercussão nacional. A associação com “tapete” acabou sendo interpretada por muitos como uma provocação indireta a clubes como Fluminense e Flamengo, que permaneceram na elite após o rebaixamento lusitano.

O problema não foi o patrocínio em si, mas a falta de estratégia para aproveitar o momento. A Lusa não ativou a narrativa, não engajou a torcida e não capitalizou a exposição, perdendo a chance de transformar um cenário negativo em oportunidade de visibilidade controlada. A situação fez com que a polêmica aumentasse ainda mais, mas de forma negativa.

“Vai um carnê aí?”: precificação desalinhada com a realidade

Foto: Divulgação/NETLUSA

Em 2019, a gestão Alexandre de Barros lançou um modelo de carnê para os jogos da Série A2 do Paulista. A ideia, inspirada em cases de sucesso que o Mirassol utilizou anos depois, tinha potencial.

O problema foi a execução: o carnê custava R$ 140, enquanto ingressos avulsos chegavam a R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia). Para um time disputando a segunda divisão estadual e lutando contra o rebaixamento, os valores foram considerados altos pela torcida.

O resultado foi rejeição imediata. Sem percepção de valor e com desempenho esportivo fraco, a ação se tornou um exemplo claro de desalinhamento entre produto, preço e momento do clube.

Camisas autografadas: boa ideia, timing errado

Foto: Divulgação/Portuguesa

Mais recentemente, em 2025, a venda de camisas autografadas após clássicos parecia uma iniciativa interessante da SAF para gerar receita e engajamento.

No entanto, o contexto novamente pesou contra. A Portuguesa não venceu confrontos relevantes e contava com um elenco pouco identificado com a torcida. Sem ídolos consolidados ou resultados expressivos, o apelo do produto foi limitado.

A ação acabou não sendo repetida, evidenciando um ponto crucial no marketing esportivo: o valor simbólico do produto depende diretamente do desempenho e da conexão emocional com o torcedor.

O que podemos aprender com esses erros?

Os casos mostram que o problema raramente está apenas na ideia, mas na forma como ela é pensada, executada e inserida no contexto do clube. Devemos reforçar que marketing no futebol exige mais do que criatividade — exige leitura de cenário, conhecimento da torcida e estratégia de longo prazo.

A Portuguesa tem história, identidade e potencial para crescer fora das quatro linhas. Mas, como mostram esses episódios, sem planejamento e conexão com o público, até as melhores intenções podem se transformar em exemplos do que evitar.

Fica a lição ao olhar para o presente e o futuro: entender a própria torcida talvez seja o ativo mais valioso que um clube pode ter. E você, gostaria de uma parte 2 com outros exemplos para o departamento de marketing lusitano não seguir? Ou, ao contrário, estratégias vencedoras e que sim trouxeram exposição positiva para o clube que poderiam ser usadas de cases para futuras ações de marketing?

*Formado em jornalismo pela Universidade Guarulhos (UNG), Chrystian Gedra tem 33 anos e passagens pelo extinto Lusa News, portal Terceiro Tempo, jornal Guarulhos Hoje, Farol Autos e Jornal do Farol, além de ter sido assessor de imprensa da Portuguesa em 2016. Atualmente conta com mais de seis anos de experiência em marketing e faz parte do time da agência Mind4.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

Faça parte do Clube NETLUSA e apoie o jornalismo lusitano independente.

guest
29 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários