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Me recordo das primeiras vezes em que eu ouvia falar de você através dos parentes que já te frequentavam e me causava expectativa alta em querer conhecê-lo logo, pois até então, só te via de passagem pela marginal ou então acompanhando meus avós em alguma festa de grupo folclórico da colônia portuguesa.
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E inesperadamente, meu avô um belo dia, resolveu desviar o caminho da festa e me levou até o Portão 4, (naquela época, abriam os portões dos estádios no 2° tempo), e pude ver até então, o “maior campo de futebol do mundo”, afinal, para uma criança de 5 anos, tudo é enorme, entre distâncias e alturas.
E desde então, eu tive o privilégio de assistir aos jogos em praticamente todos os lugares.
Confesso que eu detestei assistir das numeradas, por mais que a visão seja ótima, existia uma sensação de impotência absurda. Desde cedo, o meu lugar era na arquibancada. E não era em qualquer lugar, e sim onde ela rugia: atrás do gol ou onde estivessem mais torcedores gritando, mas até eu ter tamanho e autonomia, eu me contentava em assistir entre os velhinhos que batiam palmas.
Para mim, independentemente de estar ou não no meio da organizada, não fazia tanta diferença, pois eu queria estar perto dos lances e de preferência que o ataque em que a Portuguesa fizesse o gol fosse o dos vestiários. Mas eu sou do tempo em que a torcida se deslocava até o gol da Marginal se preciso, para apoiar o ataque rubro-verde.
Nesses quase 32 anos de convívio, sei bem que não chegaram a concluir o projeto original, não te trataram bem, mas sempre que acontecia uma leve reforma, por mais tímida que fosse, renovava o fio de esperança de novos tempos e melhores, por mais que eles não chegassem.
Eu tive a sorte de ver essas arquibancadas balançarem numa semifinal de campeonato brasileiro e que aquela tarde/noite de domingo foi divisora de águas nos meus 10 anos de idade, tanto que, a qualquer sinal de lotação máxima ou das estruturas do concreto balançarem, o coração bate diferente até hoje.
O tempo passou e tive a sorte também, de ver craques do passado, vestindo as nossas cores, mas também dos adversários, por mais que eles estivessem “do lado errado”. E conforme eu cheguei a adolescência, eu já não tinha meus companheiros de jogos, eu os deles, então, a minha jornada passou a ser nas longas caminhadas até o metrô Armênia (hoje em dia impensável fazer a noite sozinho em SP).
Eu confesso que por mais que muitas pessoas digam, que “Com o Canindé lotado, o time treme”, nutro até hoje, que essa sina vai acabar, por mais que em 1995, 1998, 2005, 2009, 2015 e 2025.
Mas também tivemos 2007, 2011, 2013 (com título sob vaias), 2020 (virtualmente), a volta com drive-thru em 2021 e 2022 com o título bem no dia do meu aniversário, ou seja, por mais que as estatísticas joguem contra, levando em conta as minhas experiências pessoais ao vivo, eu, como bom torcedor iludido, sempre nutri a esperança de que as coisas iriam mudar.
2024 se encerrou, com uma esperança renovada e tive a oportunidade de entrar pela primeira vez no gramado, em uma ação do sócio torcedor, (Sim, desenterramos o trator e faço questão de falar, quando algum engraçadinho vem contar a segunda maior fake news da história da Portuguesa).
Atravessei o gramado, converti um pênalti, tirei foto, filmei, mas nenhum registro desses gravou o tempo que parou naquele momento:
Desde o sonho de criança em jogar pela Lusa, de percorrer o mesmo caminho andando, dos craques que vi correndo por aquele mesmo gramado, as emoções foram mais do que renovadas aos novos tempos. Foi o prêmio de consolação, por não ter vencido a Lusa Cup jogando a final nesse gramado. (Risos)
Bastava a Portuguesa entrar em uma rota definitiva no profissionalismo, para que as coisas mudassem gradativamente para a melhor, dentro das suas imperfeições, a criação da SAF foi questão de sobrevivência.
Imperfeições como a da primeira despedida que não valeu, não houve tempo suficiente pra que a torcida digerisse a mudança brusca e a semana de 18/01/2025, nutriu boa parte das lembranças que citei aqui, por mais que eu sempre torcesse pela modernidade, mas foi justamente naquela semana, em que me dei conta, do quanto o Canindé fez parte da minha formação. Nos pré-jogos, ao fazer novas e amizades duradouras de gerações diversas, dos jogos que serviram como uma verdadeira reflexão da vida, em que eu ia só para assistir, ou dos jogos em que a voz não chegava aos 90min (hoje em dia duram 45 a plenos pulmões, mas com a garganta falhando) das saudades que não voltam, dos reencontros, do meu avô me ensinando a abrir a casca do amendoim na arquibancada, do tremoço, de tantos choros no alambrado, de tantos “eu nunca mais volto”, (que ouvi), do esforço que familiares fizeram, para levarem seus patriarcas e matriarcas nem que fossem pela última vez.
Em abril/2025, tivemos um reencontro nas filmagens do filme de 105 anos e bem na véspera do meu aniversário como presente, e na sequência, tivemos a volta dos jogos, que durou menos de quatro meses, mas que nas conversas com os amigos, eu dizia, que gostaria de aproveitar ao máximo, para ter mais lembranças boas e até o último dia, mesmo com o final que não gostaríamos, eu pude tirar uma última foto dentro do gramado, independente do coração destruído com aquela eliminação nos pênaltis.
Enfim, você merece uma cara nova, novos ares, energia renovada, você e a Portuguesa, se complementam, nenhum lugar vai te substituir a altura, pois até nisso, você é privilegiado na melhor localização dessa capital. E nesses mais de 40 meses que estivermos longe, a saudade vai apertar, e torço bastante que a taxa de natalidade da nossa torcida aumente e que mais do que nunca o time corresponda em campo com os nossos tão sonhados acessos, mas tenho certeza, que você estará de portões abertos, para nos receber e escrevermos novas e maiores histórias, de tempos melhores. E para você, a Portuguesa e nós, #Voltaremos.
* Respirando futebol desde 1988, Bruno Lucena administrador por formação, gestor de produtos digitais por escolha, e lusitano por amor genuíno. Nesta coluna, compartilho reflexões e análises de quem aprendeu que no futebol, e na vida, esperança não se explica, se carrega até o apito final. Até o último tremoço, pipoca e amendoim.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA
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