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Zorzi: Por que a noite no Morumbi foi histórica (e os próximos passos da Lusa)

Vitória valeu muito mais que os três pontos para a nossa torcida

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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Mais do que apenas importante, a vitória da Lusa no clássico de quarta-feira foi histórica. A importância tem muito a ver com o contexto. O principal deles tem a ver até com a consideração da partida como um clássico, de fato – algo que parece se tornar mais “unilateral” a cada geração de torcedores. Vagando pelas divisões inferiores do Brasileirão e pela Série A2 do Paulistão nos últimos tempos, minguaram-se os confrontos diante dos outros grandes do estado nas tabelas.

Em 1975, por exemplo, São Paulo e Portuguesa se enfrentaram oito vezes. Os quatro primeiros jogos terminaram em empate. Depois, intercalamos vitórias e derrotas. No meio disso tudo, a decisão do título do Paulistão (levamos a pior, nos pênaltis). O ‘clima de clássico’ era maior, mas ao mesmo tempo as vitórias também eram mais frequentes.

Se pegarmos essa mesma quantidade de jogos (oito) para a atualidade, o período abrange muito mais do que apenas um ano. Relembremos:

2025: 1 x 2 (Paulistão)
2024: 0 x 1 (Paulistão)
2023: 1 x 4 (Paulistão)
2017: 2 x 1 (Copa Paulista)
2017: 1 x 0 (Copa Paulista)
2015: 0 x 3 (Paulistão, jogo do rebaixamento)
2014: 0 x 0 (Paulistão)
2013: 1 x 2 (Brasileirão)

Considerei a Copa Paulista na conta por se tratar de um torneio oficial e profissional. Mas quem esteve no Canindé e no Morumbi em 2017 sabe que foram jogos importantes (o grupo valia vaga no mata-mata que nos permitia continuar sonhando em não ficar sem divisão nacional), mas não teve clima de clássico. E muito menos estádio cheio.

A última vitória “para valer” da Lusa foi em 2013, um 2 a 1 cheio de emoções no Canindé. No Morumbi, um 3 a 1 na abertura do Paulistão de 2010. É muito tempo! Cada grito, cada palma, cada pulo e cada abraço no lusitano ao lado que demos carregava consigo esses tantos anos.

Com confrontos tão raros e vitórias mais escassas ainda, o 3 a 2 de quarta-feira valeu três pontos. Mas também valeu a retomada de um orgulho que, por vezes, fica ‘adormecido’ em parte da torcida. E isso é compreensível. Espero e acredito que não vamos mais levar tanto tempo para vencer outro clássico. Mas acredito também que vamos lembrar da noite de quarta-feira por muitos anos. Foi bonito!

Em termos mais práticos, a vitória permitiu à Lusa encerrar a primeira metade do campeonato na zona de classificação – e à frente de gigantes do futebol paulista como Corinthians, Santos e São Paulo.

Se vencermos o Guarani, vamos a nove e praticamente acabamos com o temor da queda. Outra vitória nos três jogos restantes nos colocaria na briga para passar de fase – e, principalmente, pela vaga na Série D, nossa prioridade, e na Copa do Brasil.

A Portuguesa fez um grande jogo e se impôs contra o São Paulo no Morumbi. Ao mesmo tempo, tomou um sufoco no segundo tempo do jogo contra o Velo Clube, e não conseguiu jogar bem contra o Capivariano. Não dá para ser uma equipe que cresce apenas em “jogos grandes”. Até porque, para termos mais um possível clássico, temos que ir bem no restante da 1ª fase.

A torcida tem que se animar, mas manter os pés no chão porque não devemos ter jogos fáceis. Um passo de cada vez, e seguimos sonhando. Rumo ao tetra!

* André Carlos Zorzi é jornalista, autor de “Para Nós És Sempre O Time Campeão – A Portuguesa de 1996” e coautor de “Lusa: 100 Anos de Amor e Luta”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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