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Uma temporada para esquecer

Com a eliminação na Série D, a Lusa estaciona na competição e precisará rever todo o planejamento de 2026

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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Desde o fim da tarde do sábado (25) está difícil reunir ideias, ou melhor, concatená-las, para explicar o que houve no Canindé. “Ah!… Você já viu dezenas de eliminações assim, centenas, talvez milhares de derrotas tão ou mais ridículas do que essa”, responde meu cérebro. 

É verdade. Mas não é porque aconteceu que não foi desconcertante. Não é porque tinha tudo de previsível que me sinto melhor pela eliminação. A isso se chama fé — ou, a “chama da Fé”. Porque o torcedor se irrita, sofre, fica puto, mas sempre volta.

Que o diga a torcida da Portuguesa. Podemos afirmar, sem qualquer receio de exagero, que a torcida rubro-verde é a mais apaixonada, se não isso, então, a mais masoquista de todas. 

Mas, afinal, como perdemos? A meu ver a resposta está embaralhada. SAF, Fesan, elenco (não vou nomear ninguém, as redes sociais da Portuguesa e deste portal já dão conta do vilão destes últimos oito dias) e arbitragem. 

Por que SAF? Simples. Porque é a responsável pela “construção” de elenco e comissão técnica. Personificada através de seu presidente (vocês-sabem-quem), que, entre um resultado e outro, fez questão de ir às redes vociferar contra a torcida, e, se não fosse suficiente, confrontou torcedores no estádio um mês atrás. 

A SAF está acima do bem e do mal? Se está não me avisaram. A SAF está acima da torcida? NÃO! Definitivamente, não. Nossa torcida é tão fervorosa quanto nossa sociedade e seus credos. O papel da SAF é reerguer o clube/time. Não foi com esse objetivo que apareceram? É isso, portanto, que queremos e que vamos exigir, não importa quantas almas estejam nas arquibancadas.

No caso de Ademir Fesan, me desculpem os otimistas, mas inúmeras vezes comentamos (e fomos rechaçados em lives) que o time era frágil, tanto em sua formação que foi a campo, inclusive e especialmente nesta eliminação, quanto na proposta de jogo (entenda-se entrosamento dos jogadores + proposta tática). 

E o elenco? Aqui as coisas se fundem. A responsabilidade de contratação como de venda é inteiramente de quem está na direção, mas também de quem poderia indicar nomes e não o fez. (Quem o fez e conseguiu, deixou uma bomba para a direção desarmar.)

A Portuguesa SAF patinou para iniciar 2025, corrigiu a rota em meados do ano, mas não evitou o que era esperado pela torcida ao ver Cauan de Almeida e seu elenco: a desclassificação dentro do Canindé, nas penalidades, para o Mixto-MT. Faltando somente 15 dias para recordarmos esse feito, temos agora outro para celebrar: a queda diante do Uberlândia-MG e o adiamento da retomada do acesso às divisões superiores do Campeonato Brasileiro.

Mas afinal, onde se encaixam SAF, Fesan e elenco? A primeira, como dito, na responsabilidade da chegada e da partida de jogadores e de treinador. Na chegada com nomes desconhecidos, sem ritmo e sem capacidade de envergar nossa camisa e a missão que estava posta. Na partida de outros que poderiam ficar, cumprir contrato até o final do ano e colaborar para o acesso. Não ficaram, perdemos peças fundamentais e de quebra os cofres sequer encheram de tal maneira que justificassem a pressa de serem vendidos com dois sopros. Além disso, presenciaram o aliciamento (não há palavra mais direta para isso) do ex-treinador e passaram ao largo acreditando que cada palavra dita nas coletivas pararia em pé. Foi-se o técnico, foram peças importantes, foi-se um planejamento…

Já o segundo nunca achei que fosse grande coisa, porém, confiei na empolgação de parcela da torcida e de amigos do NETLUSA. Acreditei no choro e no ranger de dentes de quem lamentou sua partida pelos lados de Limeira e de Diadema. Mas, de alguma maneira, minha intuição estava certa. Não empolgou. Nem a mim nem aos jogadores. Acreditei que ganharia o vestiário, entretanto o que se viu foi um arremedo de time, com partidas que deram mais raiva do que esperança aos torcedores.

Adão Junior insistiu em algumas lives que a Portuguesa SAF precisava ir ao mercado, mas não foi. Fesan sempre se disse satisfeito com o elenco e aí os dois mundos se cruzaram. As duas “propostas” se completaram. 

A meu ver, como também externei a seu lado e com outros convidados, há duas coisas primordiais no futebol hoje em dia: um caixa bem generoso e plantel. Sem dinheiro para bancar jogadores, pagar em dia e reter talentos, nada vai pra frente. Sem opções para repor posições ou mudar esquemas de jogo quando necessário, tudo fica extremamente limitado. Palavra que sintetiza este time. Infelizmente.

Chegamos à arbitragem. Chrystian Gedra, que conduz com brilhantismo os programas do NETLUSA, sempre me quebra nos famosos ‘Esquenta’ com uma pergunta tão embaraçosa quanto previsível em sua resposta. “E aí, Edgar, o que esperar da arbitragem amanhã?”

A Portuguesa, a nossa, não a da SAF, viveu momentos capitais com a arbitragem. Qualquer pessoa com mais de 40 anos tem inúmeras razões para dizer “não espere nada” ou somente “vamos aguardar o final do jogo”. 

Por quê? Vejamos: 1973 e o gol de Cabinho anulado por Armando Marques; 1985 e a operação na segunda partida da final pelo árbitro José Carlos Gomes do Nascimento; 1998 e Javier Castrilli (dispensa detalhes); 2026 com Jefferson Ferreira de Moraes, contra o Paysandu. São só quatro exemplos. Poderiam ser 100 que não seria pouco.

E agora o senhor Wagner do Nascimento Magalhães. Aprendi observando que quando um juiz quer segurar um jogo, a receita é simples: não mostra cartões ao adversário, deixa-os fazer o que quer, inclusive cera (o rapaz que fica embaixo da trave do time de Minas deve ter uma fábrica delas), qualquer trombada para a Lusa não é nada, faltas são invertidas e atualmente conta com adicionais: a parceria nas laterais do campo e os minutos não dados de acréscimo. Pronto! Está tudo alinhado para o sucesso dos adversários. 

Você que chegou até estas linhas pode concordar ou pode ainda complementar “mas a equipe não jogou nada”. Verdade. Não é por outra razão que não citei nomes de jogadores, mas pontuei onde estão os erros e o árbitro ficou por último, não porque seja santo, mas, sim, para que vejamos juntos, em grau de importância, quem não fez o que deveria ser feito. Afinal, independente da partida deste sábado, foi na anterior que perdemos a classificação, e certamente o sujeito do apito de ontem não foi o responsável. 

Acabou o calendário. Acabou-se um projeto. Acabou 2026 para a Portuguesa. 

O que esperar? Não tenho ideia. O que tenho são péssimas recordações e péssimos pressentimentos. Se a SAF quer a torcida ao seu lado, precisa rever tudo, principalmente a razão pela qual aceitou desembarcar no clube no final de 2024. Nossa missão é árdua e não é para qualquer um. Que pensem bem nos próximos passos.

* Edgar Lopes, jornalista há mais de 25 anos, orgulhoso de ter gritado gols – muitos gols – de Dener, Tico, Bentinho e Cia. Vive entre o amor dos anos 90, a tristeza de 2002 e o ódio de 2013. ¿Te das cuenta, Benjamín? El tipo puede cambiar de todo: de cara, de casa, de familia… de novia, de religión, de Dios… pero hay una cosa que no puede cambiar, Benjamín… no puede cambiar… de pasión. — Pablo Sandoval, em “O Segredo dos Seus Olhos”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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