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Lusa SAF Day e o destino do clube

Evento na Casa de Portugal trouxe números, resultados e a demonstração de quanto subimos no poço que nos meteram

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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Começo este texto pedindo licença aos torcedores por trazer assunto que certa parcela já sabe: o evento da SAF, na Casa de Portugal. Repito nestes primeiros parágrafos informações que lemos aqui, no portal NETLUSA, ouvimos em programas de rádios, e até, – pasmem! – em sites especializados de marketing.

Esta introdução se faz necessária por dois motivos. A) para não esquecermos das informações e não nos espantarmos com elas; e B) para compreendermos onde estávamos antes de 2024 e onde estamos hoje. 

Um exercício de história recente, mas também um lembrete para cobrarmos os envolvidos: os de outrora e os que estão liderando a mudança.

A NOTÍCIA

O Lusa SAF Day ocorreu na última terça-feira (28), na Casa de Portugal, com o objetivo de traduzir em números o empenho e a estratégia da nova gestão (oficializada em novembro de 2024), além dos resultados alcançados até aqui. 

O encontro também serviu para descrever em quais condições — financeiras, políticas, legais e estruturais — a SAF, até então com apenas dois representantes, Alex Bourgeois e Tadeu Oliveira, encontraram o clube e quais avanços foram obtidos desde sua chegada.

Mais do que um evento de prestação de contas, o Lusa SAF Day serviu (também) para mandar recados. A iniciativa pioneira (não recordo de nada parecido dos anos 80 até 2024) “falou” direto para torcedores, ex-jogadores, elenco atual, investidores e futuros parceiros. Foi transparente com todos os envolvidos na reconstrução.

A imagem de terra arrasada foi destaque e o presidente da SAF, Alex Bourgeois, foi direto ao explicar. “A grande conquista foi resgatar a credibilidade de mercado. Muitos jogadores não queriam vir para a Portuguesa. Os empresários não queriam que seus atletas viessem para cá. Hoje o cenário é diferente, o mercado já olha para o clube com mais respeito”, disse.

E destacou que uma das maiores dores de cabeça foram as renegociações e aportes de acionistas. O resultado foi uma diminuição considerável da dívida do clube, que caiu de R$ 590 milhões para cerca de R$ 190 milhões. 

Embora os números — seja de desempenho, seja de caixa — saltem aos olhos, ele fez questão de ressaltar que a dor de cabeça ainda permanece. “O torcedor quer resultado para amanhã, mas isso é um processo. A gente está construindo uma base sólida para a Portuguesa não voltar a viver os problemas do passado”, afirmou.

SIGNIFICADO

Quem me deu o privilégio de chegar aqui vai entender por que não foi preciso citar nomes. Nosso objetivo precisa ser entender que os tempos pré-SAF não podem voltar, ainda que uma pequena parcela tente fazer barulho, como aconteceu inclusive durante o evento, ao tumultuar e questionar os números apresentados. 

E compreender também por que não fizemos esse movimento antes. No mundo dos negócios as recuperações judiciais (conhecidas como RJs; não confundir com Rio de Janeiro) são cada vez mais comuns. O ano de 2023 inaugurou nova fase nesse sentido. Americanas deu holofotes, mas o que se viu depois foi um “arraste” de dezenas de outros grandes grupos. No futebol não foi diferente. Joinville e Coritiba ingressaram com pedidos um ano antes.

Isto nos mostra que o futebol é um negócio vultoso e que requer saúde e robustez financeira. Se não olharmos e entendermos dessa forma seremos sempre os apaixonados loucos e cegos. 

A reconstrução começa e termina no dinheiro, mas passa essencialmente por ações de marketing, visibilidade, status e tudo isso com um ingrediente indispensável: os torcedores. Sem eles não há público, não há venda de camisetas, de planos de sócio torcedor, de engajamento, de nada. 

E, goste-se ou não, a SAF está trilhando esse caminho. Vai dar certo? É preciso tempo para saber e para frutificar. Uma coisa é certa: da quase morte ao que foi apresentado ontem, subimos alguns metros do poço em que nos meteram.

* Edgar Lopes, jornalista há mais de 25 anos, orgulhoso de ter gritado gols – muitos gols – de Dener, Tico, Bentinho e Cia. Vive entre o amor dos anos 90, a tristeza de 2002 e o ódio de 2013. ¿Te das cuenta, Benjamín? El tipo puede cambiar de todo: de cara, de casa, de familia… de novia, de religión, de Dios… pero hay una cosa que no puede cambiar, Benjamín… no puede cambiar… de pasión. — Pablo Sandoval, em “O Segredo dos Seus Olhos”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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