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Marcos Teixeira: A estupidez e a hipocrisia

Pior que um regulamento ruim é a hipocrisia de quem esperou por 11 anos para reclamar dele

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Foto: Divulgação/FPF

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Desde 2014 o Campeonato Paulista é disputado com a atual fórmula de disputa, variando somente o número de participantes – consequentemente de jogos por equipe – e de rebaixados. Em 2014 e 2015, eram 20 clubes divididos em quatro grupos e caiam quatro para a Série A2, ao passo que outros tantos faziam a travessia contrária. Em 2016, para chegar ao número de 16 clubes e enxugar a competição, seis foram degolados e somente dois subiram. Desde então, são quatro grupos com quatro times. Em comum, a estupidez de não haver confrontos diretos, pois não há jogos dentro da própria chave, mas os chamados clássicos entre os quatro filhos preferidos estão mantidos.

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A fórmula possibilita que clubes com grandes campanhas sejam eliminados já na primeira fase e outros, com quantidades risíveis de pontos ganhos, se apurem. Tudo depende do grupo em que estão. E é assim desde que a distribuição por grupos foi feita. Nas 11 edições dessa forma, em nenhuma os oito melhores no geral se classificaram. Entre 2015 e 2020, Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo avançaram ao menos até as quartas de final. Já são, portanto, quatro anos seguidos sem que os quatro alcançam os jogos a eliminar.

No ano passado, o Ituano se classificou com 12 pontos e despachou o Corinthians na fase seguinte, e esta havia sido a menor pontuação de um classificado até que a Portuguesa conquistou a vaga com incríveis dez pontos, ao passo que o São Bernardo, que fez 21, ficou de fora. Foi – e está sendo – um escândalo!

A fórmula é boa? Não, não é. E é assim porque existe uma limitação de datas e é preciso garantir os confrontos entre os quatro, mas daí a ser justa essa barulheira toda? Ora, bastava ler o regulamento para saber que poderia acontecer. Aliás, bastava ler os regulamentos há 11 anos.

É mais escandaloso que os quatro filhos mais bonitos aos olhos da FPF recebam 40 milhões de reais para participarem, cinco vezes mais que cada um dos outros 12. Ok, é preciso que os clubes prestigiem a competição, mas essa diferença é obscena, para dizer o mínimo.

Não há injustiça alguma nisso. Como os dois rebaixados estavam no grupo da Portuguesa, ela perdeu uma boa chance de somar mais seis pontos. Tira-se os seis que o São Bernardo somou contra Ituano e Santo André e os repasse para Lusa, em um exercício tão simples quanto safado no qual o representante do ABC e a Lusa trocam de chave, e a pontuação rubro-verde será maior.

É estúpido? Sim, mas mais parvoíce que isso é maldizer o regulamento somente agora, mesmo tendo dez anos para notar isso.

* Marcos Teixeira, 45, é jornalista, lusitano e colunista do site Ludopédio.org

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

Confira o trecho do Netlusa Debate da última segunda-feira (11), que fala sobre o regulamento do Paulistão:

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