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O apito final do jogo em Mirassol trouxe uma sensação de alívio à nossa torcida. Tem gente que diz que não se comemora permanência, vaga, essas coisas, mas pra mim vale tudo! Como já disse outras vezes, não cair, na prática, tem o mesmo efeito de ser campeão da Série A2.
+ Ex-goleiro Marcos comemora permanência da Lusa no Paulistão
Meu balanço do campeonato tem dois lados. O primeiro é: não dá para negar, nosso objetivo nesse ano (não cair) foi alcançado! Aos trancos e barrancos (haja barranco!), mas foi, e não faltou vontade. Fica aqui o agradecimento a todos os envolvidos por isso. Se eu estivesse no estádio, aplaudiria.
O segundo lado é que nem sempre se chega ao objetivo com um trabalho bem feito. E aqui não estou falando de intenções, mas de resultados. Ou alguém acha que se repetir essa campanha ano que vem a gente se salva de novo?
A bola que o Thomazella salvou no último minuto de hoje não foi nosso único ‘quase’. Teve o pênalti no momento final do jogo do Ituano. As bolas na trave que não entraram contra a Ferroviária. O cartão vermelho pro Red Bull… Qualquer lance diferente poderia ter sido fatal.
Tivemos o desligamento do técnico, do diretor de futebol, de um jogador até então titular, tudo isso no meio da competição, sem grandes explicações. Enfrentamos diversos times fracos em casa e não conseguimos vencer. O mesmo jogando fora. A rusga entre torcida e diretoria por conta de venda de mando e preço dos ingressos. Sem falar no atacante que estamos esperando até agora…
Esse paulistão foi um susto para a Lusa. Mas pode ser também um grande aprendizado: se mesmo com todos esses erros e percalços, nós conseguimos nos manter, imagine fazendo um trabalho um pouquinho melhor? E um trabalho significativamente melhor?
Espero que essa ‘quase queda’ faça virar a chavinha dentro do Canindé. Lembro do Palmeiras, em 2014, que não foi rebaixado graças a um gol do Santos, no fim do jogo contra o Vitória. O time tinha acabado de voltar da Série B, e por muito pouco não caiu de novo. Poderia ter sido um inferno. Mas não foi, pelo contrário, nos anos seguintes se reestruturaram e hoje disputam todos os títulos.
A mesma coisa o Ituano. Quem não lembra daquela virada por 3 a 2 que eles deram pra cima da gente no Canindé, na última rodada de 2010? Poderiam ter ido para a A2, mas ficaram, e depois de mais alguns anos se mantendo, foram campeões paulistas e se acostumaram a jogar as divisões inferiores do Brasileiro. Hoje estão na Série B – quase subiram pra elite em 2022.
Todas as trajetórias de sucesso no mundo do futebol têm um começo. Quem sabe esse não seja o da Lusa (englobando a A2 do ano passado, claro)?
Que depois desse alívio de não fazer o bate-volta, trilhemos o lento e trabalhoso caminho da volta à elite do Brasileirão. Quem sabe, quando isso acontecer, lembremos desse time de hoje como parte importante da nossa história.
Por fim, a tecla que eu bati ao longo do ano todo para manter uma chama de otimismo acabou prevalecendo: a Lusa era ruim, mas os outros times também. A Inter de Limeira, por exemplo, conseguiu fazer apenas 4 gols em 12 jogos. O São Bento, 5. A Ferroviária fez menos pontos que nós. Caímos no ‘grupo da morte’ em termos de classificação, mas no ‘grupo da vida’ pensando em rebaixamento. No fim, cada empatezinho suado nosso cumpriu 10% da meta, mesmo.
Agora é rumo ao Independência! Que o antigo nome da nossa casa nos dê sorte!
* André Carlos Zorzi é jornalista, autor de “Para Nós És Sempre O Time Campeão – A Portuguesa de 1996” e coautor de “Lusa: 100 Anos de Amor e Luta”.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA
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