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Domingo sempre é e sempre será um dia reservado à família, aos seus. Há uma energia diferente aos domingos, porque, em tese, é quando os entes queridos estão de folga de suas obrigações corriqueiras e conseguem se olhar, se cuidar, conversar. E bate-papos com quem a gente tem afinidade costuma não ter preço. Porque é sempre um prazer.
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Durante muitos anos o Canindé foi assim. Em um tempo no qual condomínios com lazer em São Paulo (SP) eram raros, clubes eram a tábua de salvação para que a molecada gastasse energia e os pais pudessem também ter o seu momento. E para fechar a epopeia dominical, em agremiações esportivas, como a Portuguesa, o futebol encerrava o dia. Ou seja, era praticamente um lazer completo.
Hoje, tudo mudou. O mundo, por óbvio, se modificou drasticamente. Condomínios com lazer são regra e não mais exceção no Brasil. O futebol ficou caro. O lazer precisa ser programado e o cardápio é vasto demais.
Nesse contexto, naturalmente, a Lusa e outros tantos clubes perderam o sentido social, e o futebol tomou as rédeas no esportivo. É um caminho sem volta. Para sempre.
Mas ontem, nesse 14 de agosto de 2022, no dia em que a Lusa completou 102 anos, coincidentemente Dia dos Pais, o Canindé num domingo de sol pela manhã recebeu mais de 2 mil torcedores para ver um simpático jogo diante do Juventus, da Mooca. Eram pais, avôs ali torcendo para que a vitória viesse e para que a Lusa engrenasse de vez nessa Copa Paulista.
De vez em quando, comento por aqui sobre a reestruturação rubro-verde e o que isso significa. O dia de ontem, por exemplo, é simbólico nessa conversa que tento manter com você, meu caro leitor.
A Portuguesa se erguendo, voltando ao cenário dela, veremos cada vez mais imagens como a de ontem. A Lusa é família. Quando um torce pela Portuguesa, ela dissipa seu amor pelos demais, de tal forma, que alguns chegam a trocar de time. Por isso, ter cuidado nesse momento de refundação é fundamental.
A Sociedade Anônima do Futebol (SAF), por exemplo, é essencial. Sabemos. Todos sabem. Mas ela precisa ser bem costurada, arquitetada. Não deve haver pressa. Porque hoje essa marca está subvalorizada e se houver velocidade no processo, o resultado será um bom negócio para quem arremata e algo não tão interessante para a Lusa. A lei de mercado é draconiana nesses casos.
Então, como nesse domingo de sol em que a Lusa completou mais uma primavera e que coincidentemente foi Dia dos Pais, inclusive com vitória rubro-verde, olhemos para o futuro que logo se avizinha. Olhemos com a esperança daquele garoto que um dia frequentou as alamedas do Canindé nos anos 80 ou com o olhar de quem vê, hoje, no clube a sua identificação, o seu pertencimento. Os sinais estão aí.
A volta do zagueiro César é um deles. A reconstrução do vestiário é outro. O Canindé bem cuidado pode ser outro. Mas o maior deles é o encontro de gerações. É isso que faz um time ter história, ter lastro e outros não.
Parabéns, Portuguesa pelos seus 102 anos. Mas um parabéns ainda mais efusivo a você papai, que conseguiu passar teu amor ao pequeno e pequena. A Lusa será eternamente grata por isso. Não há SAF que pague.
* Maurício Capela é jornalista há 28 anos. Comentarista, já trabalhou em diversos veículos, como RedeTV!, 105 FM, Tropical FM, Veja, Valor, Gazeta Mercantil.
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