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Título da Série A2 aumenta mercado de camisas piratas da Portuguesa

Uniformes da Lusa voltaram a ser comercializados em camelôs

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Fotos: Reprodução

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Em 2020, o Brasil perdeu cerca de R$ 287 bilhões para o mercado ilegal e o segmento de vestuários é um dos principais fatores desta quantia. As informações são do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP). A tendência é que o valor seja ainda maior em 2022. Antes considerado um cenário improvável para as atenções da Portuguesa, a Rubro-Verde agora fica de olho, devido ao aumento de camisas piratas do clube sendo comercializadas.

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Se antes era impossível encontrar camisetas paralelas, agora tornou-se comum encontrar camisas falsas da Lusa na rua. Antes mesmo de conquistar o acesso para a elite estadual, ambulantes já comercializavam camisas da Portuguesa nas proximidades do Canindé. Contudo, hoje é possível encontrar camisetas da Lusa falsificadas em outros lugares.

De acordo com torcedores ouvidos pelo NETLUSA, modelos da 1920, marca oficial da Lusa, foram encontrados em diversas regiões da capital e também em cidades da Grande São Paulo, como Guarulhos. Todas sendo comercializados por ambulantes. Se contarmos o mercado digital, o número aumenta, com anúncios de réplicas da camisa lusitana em grandes redes de varejo on-line, como Mercado Livre, Shopee e no Marketplace do Facebook.

O torcedor Guilherme Tassoni encontrou um destes modelos sendo vendido em uma banca, na região de São Paulo, e falou sobre as diferenças desta camisa com o modelo original. “É a primeira vez que vejo uma réplica do nosso uniforme sendo vendida em um camelô. É uma réplica feita com algumas semelhanças, como a estampa dos patrocinadores, mas também tem suas diferenças, a gola por exemplo, e me pareceu que o tom do vermelho e do verde são mais claros do que a original”, afirmou.

Algumas imagens de modelos enviadas por torcedores para o NETLUSA mostram realmente essas semelhanças, assim como erros grotescos, como o logo da 1920 na parte frontal da camisa e, dentro, o da Ícone, fornecedora do uniforme lusitano até 2020.

Tassoni acredita que o bom momento e maior exposição da Lusa na mídia foi um dos fatores que fizeram o mercado paralelo olhar com bons olhos a confecção de camisas oficiais da Portuguesa. A opinião é a mesma do vice-presidente de marketing da Portuguesa, Armando Ferreira. O dirigente lusitano lamentou o aumento do número de camisas paralelas da Rubro-Verde no mercado.

“Nunca é bom você ter uma concorrência desleal como é a pirataria. Quando você vê muita gente vendendo a camisa e nós já detectamos isso, que muitas pessoas estão vendendo aí em alguns sites como Shopee, MercadoLivre esse tipo de material, ele é prejudicial porque tem dois crimes ai: Primeiro que é a venda de uma camisa pirata e o segundo, mesmo que fosse oficial, o que não é, é a falta de licenciamento do clube, onde o clube deixa de arrecadar no caso os royalties pela venda do produto. Então não é bom. Nunca é bom você ter uma concorrência de pirataria. Porque é uma concorrência desleal por eles venderem a camisa por R$ 40, R$ 50 reais. Que não é nem o preço do que a Portuguesa paga por uma produção. Este preço que o pessoal vende ai, não é o preço de custo da gente”, salientou.

Embora lamente o crescimento de uniformes paralelos no mercado, o vice de marketing lusitano enalteceu a torcida e a sua cultura de adquirir uniformes oficiais do clube por meio de lojas credenciadas. “O importante da torcida da Portuguesa é que são torcedores que valorizam a camisa. Ela gosta de comprar na loja do clube. É uma vantagem para nós. Se você pega uma torcida muito populosa essa briga acaba se dissipando e fica muito acirrada entre uma oficial e a falsa. No caso da Portuguesa, não. Não vemos com bons olhos, não é saudável para a gente. Mas ainda sabemos que a torcida prefere comprar na loja oficial e no site oficial da Portuguesa”, comentou.

O que o clube está fazendo para evitar este comércio?

Indagado sobre as maneiras de evitar a pirataria, o dirigente afirmou que o departamento de marketing da Lusa tem verificado os casos e encaminhado o departamento jurídico do clube para solicitar, em um primeiro momento e extrajudicialmente, e cessar a comercialização amigavelmente. Caso a pessoa insista em vender, a Lusa aciona na Justiça.

“Estamos fazendo isso com aqueles caras que nós detectamos e até mesmo recebemos indicações de torcedores. A gente recebe no WhatsApp, ou nosso e-mail alguns links de outras pessoas vendendo, né. É um trabalho difícil de ser realizado, porque a pirataria está enraizada na sociedade. Muitas pessoas compram produtos piratas. É um trabalho difícil de ser feito, mas, dentro do possível, estamos tentando”, comentou.

Em contrapartida, a questão com os ambulantes comercializando as camisas lusitanas sem autorização é mais complicada. Isso porque a responsabilidade de fazer a apreensão e fiscalização dos produtos deste segmento são das prefeituras, o que impede uma ação mais direta do clube.

O que diz a lei

A pirataria é crime e está presente no Decreto de Lei n°2848 de 7 de dezembro de 1940, artigo 184, que fala de “Violar direitos de autor e os que lhe são conexos” e a detenção é de três meses a um ano de prisão, além do pagamento de multa.

Tassoni ressalta os pontos negativos para o clube adquirir produtos piratas da Portuguesa. Entretanto, ele afirma que a procura ocorre justamente devido aos baixos valores em comparação com os modelos oficiais. Diante disso, ele sugeriu uma alternativa para tentar contornar este problema e inibir a procura da torcida por modelos do mercado paralelo.

“Eu entendo que a venda dessas réplicas não gera receita para o clube, e nem para a empresa que a produz, o que é um ponto negativo. Porém, a pirataria acaba tornando o uniforme mais acessível, já que tem um preço mais em conta, e a gente sabe que infelizmente nem todo mundo tem 180 reais para comprar a original. Uma alternativa para tornar nossa camisa oficial mais acessível seria seguir os passos de alguns clubes, como Bahia, Fortaleza e Santos, que lançaram nos últimos anos uniformes a preços populares, por vezes custando menos da metade do preço”, destacou.

Os exemplos citados pelo torcedor são de equipes que passaram a investir na produção de camisas a preços populares, com a finalidade de atrair a parcela da população que não teria condições de adquirir um modelo oficial nos valores normais. A faixa de preços destas linhas variam entre R$ 60 a R$ 90 de acordo com o valor estabelecido por clube, mas ainda são superiores se comparadas com o mercado paralelo.

Falta de camisas oficiais

Um dos pontos criticados pelos torcedores na decisão da Série A2 do Campeonato Paulista foi devido ao fato dos materiais oficiais do clube terem sido esgotados tão rapidamente, o que evitou que mais pessoas adquirissem os modelos. Indagado sobre o assunto, o vice de marketing afirmou que as vendas superaram a expectativa e o estoque feito pela Lusa na reta final da competição.

“A gente teve, por ai se for parar para pensar, 2 semanas faltando produto, que foi a partir da final contra o São Bento, que acabou com o estoque inteiro da loja. A loja estava abastecida, as pessoas foram até a loja e compraram muito. Basta ver que acabou com o estoque naquele dia. Então, daquele dia até semana retrasada, deu umas duas semanas sem nada na loja, em termos de produtos oficiais, camisa branca e listrada”, comentou Armando, que completou sobre as reclamações nas redes sociais.

“O que acontece muito, falando em reclamação da internet, muitas pessoas acabam reclamando no individual: ‘Ah eu não encontro o tamanho G, eu só encontro o tamanho grande e não o pequeno’, alguma coisa do tipo. Para este tipo de coisa é complicado dizer, pois podemos ter o maior estoque possível de roupas e não ter determinados tamanhos. Isso acontece, inclusive em grandes redes. Você vai em uma loja da Nike, por exemplo, e não encontra o tamanho, está indisponível. E não é que não tem aquele modelo, mas sim que não tem o tamanho. Mas, realmente, tirando essa coisa individual, sabemos que houve um problema nosso, faltamos com o torcedor e realmente ficou umas duas semanas, duas semanas e meia, sem produto, o que já foi sanado. Já faz duas semanas que tem produto na loja vendendo, das (camisas) listradas. As (camisas) brancas chegaram esta semana também. Então o problema que tivemos foi pontual, porque durante todo o campeonato as camisas foram repostas. Não houve falta de produto. Tanto que vendemos muito”, complementou.

O dirigente enalteceu também a quantidade de camisas que foram vendidas em 2022 desde o início do ano e afirmou que houve uma venda superior ao registrado em todo o ano de 2021. “Não vou falar em números, mas vendemos mais que o dobro do ano passado e, na nossa loja física, a demanda aumentou três vezes do que foi no ano passado. Então, quer dizer, a alta demanda e problemas internos, as vezes de produção, como o tecido… Uma camisa demora 20 dias úteis para ser produzida. Então não é porque a marca é própria que vou ter o estoque a todo o momento. Preciso dar o start na produção, a empresa precisa produzir para a gente. Assumimos que houve uma falha de duas semanas e meia, mas a loja hoje já tem camisa listrada, branca e já está para chegar um lote grande de camisas para que não falte novamente. Asseguramos que não vai faltar camisa durante a Copa Paulista”, ressaltou.

Outro ponto citado por Armando Ferreira diz respeito a questão dos pontos de venda oficiais do clube, já que atualmente a Rubro-Verde comercializa os produtos de forma on-line, ou em sua loja física, localizada dentro do estádio do Canindé.

“Por hora ou outra, você tem uma procura da Futfanatics ou de uma loja menor de esportes que queira vender o nosso produto. Mas 99% é concentrado dentro do clube e de nossa loja on-line“, finalizou.

Novidades em breve

De acordo com o que foi apurado pelo NETLUSA, a Portuguesa vem procurando investir em novos produtos e deve lançar, em breve, um novo item para o torcedor. Embora mantenha o segredo do que será, o clube deve iniciar a divulgação com algumas pistas já nesta segunda-feira (23).

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