Foto: Rodrigo Corsi/FPF

O técnico Estevam Soares foi o entrevistado do programa Paixão Lusa, da Rádio Trianon, e revelou detalhes das suas passagens pela Portuguesa. Sobre a última delas, em 2017, o treinador afirmou que foi contra a contratação do atacante Marcelinho Paraíba, mas não foi ouvido.

Estevam disse que admira o profissional, mas acreditava que aquele não era o momento. “Eu tinha um p*** jogador que era o Leandro Domingues, um exemplo. O Alexandre (Barros, presidente) veio me falar que contratou o Marcelinho Paraíba. Perguntei se ele estava sabendo o que estava fazendo, porque o Leandro tinha 33 anos, o Marcelinho, 42. Perguntei se ele achava normal o coração do time ter 75 anos. Falei para dispensar, porque não dava. Mas não, pela vaidade, trouxeram o Marcelinho”, contou.

“Se não tivéssemos o Leandro, tudo bem trazer um cara veterano, o Marcelinho é um baita profissional. Mas trouxe os dois”, completou.

O comandante declarou que não entende o motivo de ter sido demitido no meio do trabalho. “Perdemos para o Bangu lá três horas da tarde, um jogo que massacramos, com bola na trave, mas perdemos. Na segunda-feira fui demitido, com a Portuguesa em segundo lugar na chave, na zona de classificação. O que aconteceu depois foi que o time ficou em quarto lugar. Então, eles sabem tudo, são os vaidosos. Teriam que ser menos, né? Eu já, em alguns momentos da carreira, achei que poderia fazer tudo também. Pensei que poderia consertar, salvar o time. Não dá, você não consegue fazer tudo sozinho”, disse.

Perguntado se a intenção era manter Domingues por mais tempo no elenco, ele explicou a saída do jogador. “Não há nem discussão, o que o Leandro Domingues fez naquela Série A2 eu nunca vi. O que ele desequilibrou, o que foi como homem, o caráter. Não o conhecia. Nós insistimos. A diretoria talvez trouxe o Marcelinho (Paraíba) no momento errado. Se o Leandro não estivesse aqui, o Marcelinho talvez poderia ter sido o cara para ser o mais experiente. Gosto do Marcelo, baita profissional, mas os dois juntos não dava. Não é jogo de master. Nisso, o Leandro Domingues teve uma proposta do Japão, ele era ídolo lá, mas não quis ir. Mas aí ele e o empresário acabaram acertando o retorno dele para o Japão, o que complicou muito”, comentou.

Por fim, o técnico falou como um torcedor, afirmando que esperava mais do atual mandatário, Alexandre Barros.

“Não tenho nada contra o Alexandre, é até meu amigo. Mas quando ele entrou, esperávamos uma coisa diferente, até pela vivência dele como jornalista, dentro do clube. O que nós vimos foi completamente diferente. A Portuguesa teve duas pessoas, desde 2017 para cá, de um escalão muito alto. Primeiro fui eu, voltei mais pela amizade mesmo, pela paixão de trabalhar na Portuguesa. E o Emerson Leão, que trabalhou de graça na Portuguesa, e deixaram ele escapar por nada, por vaidade, orgulho. Você vai esperar o quê? O que estamos vendo aí, um arremedo de clube, infelizmente. É um poço de vaidade, de falar ‘eu fiz’. Então, acho que isso não leva a lugar nenhum. Nosso clube está se afundando. Vamos esperar o quê? Que o Canindé seja levado em um leilão. Daqui a pouco, perde estádio, tem que sair, vai construir estádio onde? A gente vê tantos desmandos. Chega um falando, você acredita. ‘Agora vai’, vai nada. São as mesmas bobagens, as mesmas conversas”, desabafou.

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