Início Colunas Coluna do Edgar Lopes Fátima e Portuguesa, uma relação que representa mais do que fé

Fátima e Portuguesa, uma relação que representa mais do que fé

Santa, cuja aparição completa 119 anos nesta data, tem seu lugar também no Canindé, física e religiosamente

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Foto: Chrystian Gedra/NETLUSA

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Neste 13 de maio recordamos e celebramos a aparição de Nossa Senhora de Fátima a três crianças: Lúcia, Francisco e Jacinta. Nesta data, “os três pastorinhos”, como ficaram conhecidos, afirmaram terem visto “uma senhora mais brilhante do que o Sol” sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria. 

Daí por diante todos conhecem. Fátima, que não é Conceição, esta sim, padroeira de Portugal, se tornou tão popular a ponto de ser confundida como A santa da terra dos grandes navegadores. Mas se não o é do outro lado do Atlântico, é aqui, em São Paulo, mais precisamente no estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte.

Em Portugal essa história completará 120 anos em 2027; para a Portuguesa, hoje, são “apenas” 45. A ligação entre a equipe rubro-verde e a santa transcende o campo das ideias e dá fé para encontrar seu lugar físico no coração do Canindé onde ergueu-se uma gruta dedica a ela. Lugar de paragem de milhares de fiéis e de torcedores. Lugar de celebrações e de súplicas por melhores dias ao time do coração.

Quem nas mais de duas décadas de martírio não rezou à Fátima, seja em casa, seja em igreja, seja no estádio? A ligação dela com a Portuguesa é de uma relação que significa e traduz a paixão dos torcedores: única e inabalável.

Não é exagero dizer que a gruta se transformou em um lugar sagrado, inserida em meio ao ambiente pulsante e passional do futebol, funcionando como um refúgio de paz — ainda que o barulho da marginal Tietê desafie a concentração de quem ali faz silenciosamente suas orações.

É também o local onde dirigentes, atletas, funcionários e, sobretudo, os torcedores depositam suas preces, acendem velas e buscam amparo divino — seja para agradecer por glórias alcançadas, seja para pedir força e “milagres” nos momentos de turbulência esportiva.

A história da Portuguesa, como já dissemos inúmeras vezes, é marcada por times inesquecíveis, grandes craques e também por provações e resiliência. Sua trajetória de altos e baixos aprofundou o apego místico e emocional à santa. No imaginário do torcedor, ela é a “mãe” que zela pela instituição.

A relação entre Nossa Senhora de Fátima e a Associação Portuguesa de Desportos é o retrato perfeito de um clube que se recusa a esquecer de onde veio. Para a Lusa, a padroeira não é apenas uma imagem adornando um altar no estádio; ela é a guardiã da alma portuguesa em terras paulistanas. Representa a preservação da memória dos imigrantes, o farol de esperança para uma torcida apaixonada e a testemunha silenciosa e protetora de todos os capítulos da rica história rubro-verde.

A treze de maio, na Cova da Iria,
Do céu aparece, a Virgem Maria.

Ave, Ave, Ave Maria! 2x

A três pastorinhos, cercada de luz,
Visita Maria, a Mãe de Jesus.

* Edgar Lopes, jornalista há mais de 25 anos, orgulhoso de ter gritado gols – muitos gols – de Dener, Tico, Bentinho e Cia. Vive entre o amor dos anos 90, a tristeza de 2002 e o ódio de 2013. ¿Te das cuenta, Benjamín? El tipo puede cambiar de todo: de cara, de casa, de familia… de novia, de religión, de Dios… pero hay una cosa que no puede cambiar, Benjamín… no puede cambiar… de pasión. — Pablo Sandoval, em “O Segredo dos Seus Olhos”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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