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Tiago Cabral: A Portuguesa vive

Uma vitória, uma torcida e a imensa vontade de voltar a ser quem sempre foi

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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Dias atrás, meu amigo e jornalista Luiz Nascimento postou, em suas redes sociais, algumas definições sobre resistência. Ele listou nove definições para esse substantivo. Todas, sem exceção, enquadram-se na relação que possuímos com a Portuguesa. Entre o constante caos e as efêmeras alegrias que formam o roteiro rubro-verde deste século, essa torcida nunca cansa de resistir (e insistir).

Considero-me um grande privilegiado. Aliás, sou um grande privilegiado! Pude acompanhar a última grande era de ouro. O amor construído ao ver a Portuguesa quase perfeita contrasta, na mesma proporção, com a capacidade de resistência e de luta contra todos aqueles que trabalharam incansavelmente para transformá-la em um clube sem divisão. Essa é a nossa verdadeira importância, caro leitor: amar e resistir.

Vitórias como a da última quarta-feira são um tapa na nossa cara. Fazem-nos lembrar de quem realmente somos. Resgatam dentro de nós o mais puro otimismo e orgulho. Assim como nós, a Portuguesa encontra forças para sobreviver e resistir sabe-se lá de onde, muito em função dessa torcida que nunca arredou o pé, que carregou esse time nas mãos e que grita incansavelmente que nunca acabaremos.

Ontem, hoje, nesta semana, pouco importa discutir a escalação, a atuação dos atletas, o esquema tático ou a apatia do São Paulo. O que importa é o resultado e o quão fundamentais foram os três pontos para a nossa luta pela sobrevivência e pelo direito de resistir, em meio a um futebol que cada vez menos permite que equipes como a nossa sobrevivam.

A nossa verdadeira Portuguesa é o time que colocou o São Paulo na roda. É o time que criou as melhores chances. É o time que procurou ter a posse de bola. A nossa Portuguesa não é, e nunca foi, a equipe que jogaria contra Monte Azul, Votuporanguense ou Grêmio Prudente, dependendo de uma combinação de resultados para se classificar na A2 ou na Copa Paulista.

Por mais que a luta contra o rebaixamento ainda insista em bater a nossa porta, não devemos nos esquecer de que o nosso presente é a incomensurável alegria de voltar a vencer um clássico. Voltar a ser manchete e pauta nos grandes veículos. Voltar a ver nossos jogadores disputando o prêmio de craque da rodada e lutando pela artilharia.

Apesar do dia e do horário ingratos, que dificultam o nosso deslocamento em uma metrópole caótica, a Portuguesa, mais uma vez, precisa de nós — do nosso grito, do nosso incentivo, do nosso amor.

O jogo contra o Guarani será totalmente diferente. Arrisco dizer que será mais difícil e tenso. O adversário é um conjunto muito parecido com o nosso. Um começo de campeonato estranho: após duas rodadas, o treinador foi demitido e readmitido no mesmo dia. Ainda assim, diante dessa bagunça, o time dá sinais de ter potencial.

Em campo, a Portuguesa, com Renê suspenso após ligar a máquina goleadora, dependerá de Igor Torres, Lohan, Cadorini ou de quem for escalado. Essa informação, que causa um frio na espinha do torcedor, obriga-nos, desde já, a rezar, orar ou recorrer a qualquer outra manifestação de fé que possa nos ajudar.

Torcedor, para o próximo jogo, é nossa obrigação ir ao Canindé! Uma vitória nos coloca na briga pela classificação e afasta de vez qualquer temor de queda. Pelo nosso amor, pela nossa capacidade de resistir e insistir, pela incansável luta pela sobrevivência, pela nossa história e por todos os motivos possíveis e impossíveis: segunda-feira, todos ao Canindé, empurrando o nosso time para a vitória!

* Tiago Cabral, 33 anos, privilegiado por ter visto a última era de ouro da Portuguesa. Súdito de Capitão, cover fracassado de Clemer e o maior anticandinho do Pari. Corneteiro profissional com análises totalmente ácidas quando se trata da Lusa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do NETLUSA

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