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Após denunciar ameaças, CEO da SAF da Lusa publica texto reflexivo sobre violência no futebol

Alex Bourgeois afirmou que as intimidações a profissionais do esporte refletem a deterioração do debate na sociedade brasileira

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Foto: Divulgação/Portuguesa

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Um dia depois de tornar públicas as ameaças que recebeu de torcedores, o CEO da SAF da Portuguesa, Alex Bourgeois, voltou a abordar o tema em um texto publicado no LinkedIn. Diferentemente da denúncia feita no último sábado (15), o dirigente adotou neste domingo (16) um tom mais reflexivo, analisando o ambiente de hostilidade que, segundo ele, tem se tornado comum tanto no futebol quanto na sociedade brasileira.

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No texto, Bourgeois afirma que as intimidações a dirigentes, jogadores, jornalistas e profissionais do esporte não representam apenas episódios isolados motivados por “paixão exagerada”, mas sim expressões de violência que se normalizaram nos últimos anos. Para o dirigente, o futebol apenas evidencia um comportamento que já se espalhou pelo país: ataques pessoais, intolerância e agressividade diante do contraditório.

Ele ressalta que a crítica faz parte do esporte, mas que ameaças são crime e precisam ser tratadas como tal. Bourgeois também defende que nenhuma instituição cresce sob intimidação e que o futebol brasileiro só evoluirá com segurança, respeito e responsabilidade para todos os envolvidos.

O CEO reforça que a reflexão vai além das quatro linhas, apontando para o tipo de sociedade que está sendo construída e para a necessidade urgente de se resgatar o respeito como valor fundamental de convivência. Segundo ele, é possível cobrar, debater e buscar evolução sem ultrapassar limites, posição que ecoa seu chamado por uma mudança cultural tanto no futebol quanto no país.

Ao concluir, Bourgeois reafirma que a paixão do torcedor não pode servir de justificativa para agressões e que a proteção a quem trabalha no futebol deve ser prioridade.

Confira, na íntegra, o texto divulgado por Alex Bourgeois:

Ameaçado nas minhas redes sociais, decidi escrever esse texto:

As ameaças de torcedores a dirigentes não são apenas um problema do futebol. São um reflexo do momento da sociedade brasileira.

Nos últimos anos, tornou-se comum ver dirigentes, jogadores, jornalistas e profissionais do esporte transformados em alvos de intimidação e ameaças. Não se trata de “paixão exagerada”, trata-se de um comportamento que ultrapassa qualquer limite e que precisa ser tratado como o que realmente é: violência.

O futebol, por sua visibilidade, apenas escancara algo que já está disseminado no país: a normalização de ataques pessoais, a intolerância diante do contraditório e o uso da agressividade como forma de pressão.
O que era crítica virou hostilidade.
O que era cobrança virou ameça.
O que era opinião virou tentativa de silenciamento.

E isso não pode ser normalizado.

Cobrança faz parte do esporte.
Ameaça é crime, e precisa ser tratada como tal.

Nenhuma instituição evolui sob intimidação. Nenhum ambiente se fortalece quando o debate é substituído pelo medo. O futebol brasileiro só será mais profissional quando houver segurança, respeito e responsabilidade para todos os envolvidos.

Esse tema vai muito além das quatro linhas. Ele fala sobre o tipo de sociedade que estamos construindo, e sobre a urgência de recuperarmos o valor mais básico da convivência: o respeito.

Enquanto país, precisamos desestimular a violência em todas as suas formas.
Enquanto futebol, precisamos proteger quem trabalha, quem investe, quem constrói.
Enquanto indivíduos, precisamos compreender que paixão não é licença para agredir.

É possível cobrar com firmeza sem ultrapassar limites.
É possível debater com energia sem destruir pessoas.
É possível querer evolução sem recorrer à violência.

Quando entendermos isso, o futebol, e o Brasil, avançam juntos.

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